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por Carla Benedita, enviada especial às plasti-cidades

Terá o Design um norte? Um princípio orientador? Ou será esta uma arte perdida, ali entre a arquitectura e a ilustração? Enviámos a Carla até Matosinhos, para descobrir o seu Norte e o seu design do Norte e perceber o que torna a Escola Superior de Artes e Design (ESAD) uma referência nesta matéria. E sim, claro que aproveitámos para experimentar o melhor peixe do país.[/fusion_text][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][imageframe lightbox=”no” gallery_id=”” lightbox_image=”” style_type=”none” hover_type=”none” bordercolor=”” bordersize=”0px” borderradius=”0″ stylecolor=”” align=”none” link=”” linktarget=”_self” animation_type=”0″ animation_direction=”down” animation_speed=”0.1″ animation_offset=”” hide_on_mobile=”no” class=”” id=””] [/imageframe][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][fusion_text]O Design no Porto sabe a mar. O melhor sítio para estudar é na Escola Superior de Artes e Design (ESAD), em Matosinhos. Escola privada que oferece um sugestivo número de cursos de deixar água na boca. E pela riqueza dos programas oferecidos, dá vontade de os frequentar a todos. Pelo menos era o que faria eu, se tivesse tempo suficiente. Desde os cursos de Artes Digitais e Multimédia, Joalharia, Comunicação, até aos cursos de Moda, Interiores e Design de Produto. A escola procura munir os seus alunos de competências que os permitam ser interventivos na sua vida adulta, criativos, actualizados, competitivos, dentro e fora do país, que já lá vai o tempo de pensar pequenino.

A escola fica numa cidade onde os portuenses vão a banhos e onde o peixe, de tão fresco que é, se desfaz, branco, no céu da boca, sem precisar de se mastigar. Para quem chega pela primeira vez à escola, depara-se com um contexto urbano. A escola encontra-se com todos os serviços nas imediações, porém não perde o contacto com a paisagem verdejante. O próprio edifício da escola encontra-se rodeado de relva aparada, e pontuado pela sombra feita por algumas árvores. No intervalo das aulas os estudantes estendem-se no verde. Encontram espaço para espreguiçar, esticar as suas irrequietas pernas, deitar-se virados de barriga para cima, e, quiçá, se tiverem uma azeda na boca, olhar o céu e sorrir. Hei-de experimentar. Vão traçando o seu futuro, inspirando-se nas oferendas generosas dadas pela mãe natureza.[/fusion_text][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][imageframe lightbox=”no” gallery_id=”” lightbox_image=”” style_type=”none” hover_type=”none” bordercolor=”” bordersize=”0px” borderradius=”0″ stylecolor=”” align=”none” link=”” linktarget=”_self” animation_type=”0″ animation_direction=”down” animation_speed=”0.1″ animation_offset=”” hide_on_mobile=”no” class=”” id=””] [/imageframe][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][fusion_text]Na longa e larga marginal, que ladeia a bela praia, imaginamos os estudantes da escola ESAD, a namorar, a fazer longos passeios junto ao mar, com o pensamento absorto em Le Corbusier ou talvez em Gropius (dois dos maiores arquitectos do séc. XX), enquanto surfistas passam, alheios à erudição, com as suas largas e coloridas pranchas. Tentam adivinhar esta ou aquela corrente que vai produzir precisamente aquela onda tão desejada. Quiçá, ambas ideias mãe da intuição organizadora que funda o espírito do design.

Já imaginaram o que é fazer do areal um imenso estirador, desenhar os primeiros esboços de uma ideia na areia da praia, e, com apenas um dedo, traçar longas linhas até crescer um castelo? E isto tudo com direito a banda sonora, como o marulhar das ondas a embater na areia, ou ainda as altivas gaivotas agitando as suas longas asas, cantando por alimento. Como não fazer bom design, assim?

Os alunos podem assim beneficiar da proximidade com o mar, da gastronomia, da conserva deliciosa, da Casa do Design: “É a cidade do Siza Vieira e dos restaurantes de peixe, é a cidade do surf e da Casa da Arquitectura”.

Falei com o Director Científico da ESAD e tentei conhecer um pouco melhor a escola, e como funciona: “É uma escola criada em 1989, com cursos de licenciatura e mestrado em design. É uma escola com grande dinâmica extra-curricular que se caracteriza pelos eventos que organiza, pelas publicações e pelos inúmeros projectos, sobretudo de âmbito cultural, feitos em parceria com diversas entidades. Somos também uma escola multicultural que acolhe todos os semestres um grande número de alunos internacionais, vindos das mais diversas geografias”.

Na altura em que a escola abriu, quase há trinta anos, as outras escolas eram públicas, “estruturas pesadas, que têm sempre dificuldade em se renovarem e actualizarem”. A ESAD foi uma escola feita de raiz, e por ser jovem, e flexível, pôde responder a exigências novas e acompanhar os tempos e o relaxe de uma nova paisagem urbana.[/fusion_text][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][imageframe lightbox=”no” gallery_id=”” lightbox_image=”” style_type=”none” hover_type=”none” bordercolor=”” bordersize=”0px” borderradius=”0″ stylecolor=”” align=”none” link=”” linktarget=”_self” animation_type=”0″ animation_direction=”down” animation_speed=”0.1″ animation_offset=”” hide_on_mobile=”no” class=”” id=””] [/imageframe][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][separator style_type=”none” top_margin=”” bottom_margin=”” sep_color=”” border_size=”” icon=”” icon_circle=”” icon_circle_color=”” width=”” alignment=”” class=”” id=””][fusion_text]A ESAD tem por isso uma enorme preocupação em “contribuir para a inovação, para a investigação científica, para a inclusão”, numa verdadeira “missão social”, diz-me José Bártolo.

A escola sempre primou por um ensino mais virado para a prática, o que não quer dizer que não se preocupe em trabalhar o sentido crítico. Tem sido “uma referência ao nível da programação de design no norte do país”. Promove conferências, como as Personal Views, exposições, e workshops, que permitiram levar a Matosinhos nomes muito sonantes do design como o lendário Neville Brody, David Carson e Wim Crouwel.

Perguntei ainda ao Director se existe uma forma de pensar o design no Norte. Bártolo diz-nos que, no que diz respeito à Arquitectura, é “frequente falar-se de Escola do Porto”, mas no que se refere ao design “talvez não exista uma forma particular, o que existe é uma grande energia em volta do design, excelentes estúdios, excelentes escolas”.

A ESAD beneficia de uma dinâmica muito própria existente na cidade de Matosinhos. Nela o design pode expandir-se pelo acesso fácil à cidade: “Chega-se a Matosinhos por estrada, por mar e pelo aeroporto, com óptimos transportes públicos, como o metro, com o planeamento urbano, com uma série de factores. O design interliga-se, da gastronomia ao surf. Equipamentos culturais como a Casa do Design ou o recém inaugurado espaço esad – idea contribuem para essa marca forte de Matosinhos no design português”, diz-nos o Director Científico.

Em 2015 a Bienal Experimenta Design levou a sua programação até ao norte, e sob o lema “tão longe quanto a mente pode ver” uniu o design do norte com o design do sul e permitiu que o sul visse um pouco mais o que o norte do país consegue fazer em design. Foi há precisamente um ano e a escola esteve envolvida de forma activa e intensa. Na Galeria Nave/Casa do Design promoveu-se uma reflexão sobre o design português, com curadoria geral de José Bártolo. Chamava-se a exposição Desejo, Tensão, Transição – Percursos do Design Português. O design era pensado aqui nas suas várias dimensões, da heterogeneidade ao território, etc.

Pode-se por isso afirmar que o design no Norte está de boa saúde e recomenda-se. Pela mão da ESAD já se formaram grandes nomes do design no norte do país, como João Castro (Royal Studio), João Faria (Drop Design), João Martino (Non Verbal), Dino dos Santos (especialista em design de tipos de letra), e Miguel Neiva, conhecido por criar um código universal de cores para daltónicos.

O que define precisamente um design do norte é a preocupação que a escola de Matosinhos tem, entre outras instituições no norte do país, em inovar, em intervir e competir em tempo real, em acompanhar as exigências tecnológicas, criativas e críticas e as cada vez mais crescentes e prementes solicitações. A outra qualidade da escola é, além de uma visão de inovação, uma preocupação de internacionalização que a posiciona mais além do que uma preocupação meramente de identidade e reforço de uma região. A ESAD é internacionalização propriamente dita, princípio que remonta à sua fundação. A escola começou, como estratégia pedagógica e científica, a afirmar-se pela linha da mobilidade, em 1993. Levando estudantes, já naquela altura, para a Faculdade de Arquitectura de Palermo. Tem fomentado, desde então, uma vasta acção de parcerias e contratos bilateriais, com instituições de Ensino Superior em todo o mundo. Fazem-se, além disso, muitas visitas de estudo e promovem-se muitas viagens por via do conhecido programa Erasmus.

Fiquei a pensar nas palavras do José, não tanto por novidade ou espanto, mas pela forma perfeita como me acompanharam o café, mesmo ali numa esplanada da marginal com os olhos pousados nas ondas que pacientemente vão fazendo o design da nossa costa uma e outra vez.[/fusion_text][fusion_text]

Reportagem por Carla Carbone
Fotos da Inês D’Orey

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