“Ela é o meu ‘amigo secreto’ da dança contemporânea, que passo a passo revoluciona a montanha, a ilha, os Açores.”

O Terry Costa fala-nos da Sofia Sousa na Revista Gerador de Novembro. Agora, publicamos algumas das palavras que trocaram, aqui mesmo ;-)

Mais um bailado, por favor

 Quem é Sofia Sousa depois das luzes do palco apagarem? 

A Sofia, depois das luzes do palco se apagarem, é uma pessoa calma, simples e que gosta de uma boa conversa com amigos, que aprecia muito dias de sol, que gosta muito de gatos, que gosta muito de música e que vive sempre neste mundo e ao mesmo tempo num mundo paralelo feito na sua cabeça. Depois das luzes do palco se apagarem, nem sempre a força é a mesma, ainda assim há sempre algo que dá motivação e inspiração para continuar.

Como foi para ti a transição de uma vida urbana no continente português para uma vida na ilha do Pico, nos Açores?

No continente vivi em Leiria, minha terra natal e 4 anos em Lisboa. Lisboa já não me fazia sentido por cada vez menos me identificar com o modo de vida daquela cidade, pela confusão que cada vez mais tenho necessidade de não viver. Apesar de mais calma e de ser onde está a minha família, escolhi também deixar Leiria para vir viver para o Pico partindo de uma vontade imensa de experimentar a vida numa ilha e posso dizer que correu bastante bem. As diferenças são muitas mas foram-me fáceis de aceitar. Os ritmos são muito diferentes e agora sentiria muito mais dificuldades a adaptar-me de novo a uma vida urbana.

Como sentes a conexão com as pessoas da ilha e o teu trabalho em dança contemporânea? 

A minha dança foi muito bem aceite. Apesar de não ser muito conhecida, a dança contemporânea teve uma boa aceitação no Pico. Inicialmente, quando cá cheguei ainda era algo estranho para as pessoas, mas ao fim de algum tempo essa estranheza começou a desaparecer. A conexão com as pessoas foi simples e fácil. Sinto hoje que também eu sou uma pessoa do Pico.

 Que sonhos pretendes realizar num futuro próximo?

Num futuro próximo pretendo começar a fazer Dança Terapia, a ultima formação que fiz. Pretendo através da dança e do movimento ajudar ao bem-estar das pessoas. De quaisquer pessoas de quaisquer idades. Ajudar a aumentar a auto-estima, a própria confiança e segurança, o empoderamento, etc. Além disso pretendo continuar a coreografar, algo que me dá muito prazer e que tem corrido bastante bem na ilha do Pico.

 Como se chama o teu “amigo secreto” e porquê?

O meu “amigo secreto” chama-se Lutador. Ele luta sempre para se superar a si mesmo. Luta para fazer mais e melhor. Luta para que o que faz seja cada vez mais bem aceite pelo público, luta para que cada vez mais a sua mensagem chegue ao máximo de pessoas possível e que essa mensagem vibre de alguma forma dentro das pessoas que a recebem.

 

Entrevista por Terry Costa, a nossa autoridade local nos Açores.

A Autoridade Local é uma rubrica da Revista Gerador onde vamos à procura daquilo que de melhor se faz na cultura portuguesa. Mas quem somos nós para o dizer? Pedimos, por isso, ajuda àqueles que sabem mesmo da região onde vivem.

Ilustração de Leonor Lopes.

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