A longa-metragem portuguesa, A Floresta das Almas Perdidas, chega às salas de cinema no dia 12 de outubro, pela Legendmain Filmes. Este é um conto de terror, inserido num drama, que fala sobre a chegada à idade adulta refletindo sobre a vida e a felicidade. “No local mais triste do mundo, dois estranhos conhecem-se. Mas um deles está feliz por estar ali”.

A Floresta das Almas Perdidas foi considerado “um dos melhores filmes do ano” pela Bloody Discusting e “um thriller maldoso e impressionante que funciona com uma impiedosa eficiência”, pela Variety. Esta é uma zona florestal, imaginada entre Portugal e Espanha, cujo isolamento e beleza se tornam palco de suicídios. Dois suicidas conhecem-se por acidente. Ricardo (Jorge Mota) procura o local onde a sua filha respirou pela última vez. Carolina (Daniela Love) é uma jovem obcecada pela morte e pela dor dos outros. As cartas foram lançadas, os dois desenvolvem uma amizade invulgar enquanto decidem se a vida vale a pena. O problema? Um deles não é quem diz ser.

O Gerador esteve à conversa com o José Pedro Lopes (Zé), realizador do filme, para perceber o que podemos esperar desta longa-metragem. Estreado no Fantasporto venceu festivais como o Fant Bilbao – Festival de Cinema Fantástico de Bilbao (Melhor Filme) – e TripleSix Manchester Horror Film Festival (Melhor Realizador e Prémio do Público). Para além disso, o filme foi selecionado num dos maiores festivais de cinema do mundo, o Festival de Cinema de Sydney. “Geralmente passamos os filmes em festivais para os darmos a conhecer e a crítica os avaliar e, assim, ganharem reputação. No caso deste filme, estreou no Fantasporto, mas foi mais através dos festivais internacionais que foi conseguindo distribuição. Por mim, preferia que ele estreasse nos cinemas portugueses, antes de estrear lá fora”.

José Pedro Lopes (realizador) à esquerda, Pedro Santasmarinas (assistente de realização) e  Ana Almeida (produtora) à direita.

O filme foi produzido pela Anexo 82, com o apoio do coletivo Creatura, do Studio 2203 e da Agente Norte. Para além disso, receberam apoio da Fundação GDA. Embora este seja um filme de terror, Zé revela que já fez curtas de outros géneros, embora haja uma preferência pelo género escolhido. “Eu tenho uma produtora, com outras pessoas, e nós já fizemos curtas de todos os géneros. Mas já fizemos vários trabalhos de terror, porque das primeiras vezes correu bem e acabamos por ganhar algum entusiasmo por fazê-lo, até porque é um bocado diferente. Como fazemos com pouco dinheiro é uma forma de fazermos uma coisa com mais atitude e para um público mais específico. No terror consegues compensar o ter pouco dinheiro com a atitude e forma de apresentar”.

Viajando pela infância de Zé descobrimos as influências que o levaram a construir esta história, assim como as suas escolhas estéticas e cénicas. Conta-nos que cresceu no Porto e que sempre gostou muito de cinema. Como o único festival de cinema que lá havia era o Fantasporto acabou por ter contacto com filmes japoneses e coreanos, muito populares neste festival. “Em adolescente, o cinema asiático era aquela cena fixe que eu gostava e que mais ninguém conhecia. Os filmes de terror eram aquela coisa que eu gostava e os meus pais achavam estúpido, por isso essa combinação funcionou bastante bem. O filme é muito inspirado num filme do Takeshi Miike, chamado Audição. O cinema asiático não define géneros, ou seja, os filmes de autor têm um bocadinho de tudo: ação, terror, comédia. O Takeshi Miike é crasso nisso. Filmes que passam de comédia a terror de uma cena para a outra. Portanto, isso foi uma grande inspiração. É um filme que muda de género. Começa por ser dramático, depois passa para terror, há uma parte cómica. É não linear. O cinema asiático foi uma grande referência por isso, não tem género”.

A grande inspiração temporal para a construção deste filme foram os anos 70 por ser a altura “em que começaram a aparecer filmes de terror que não eram feitos pelos grandes estúdios de Hollywood. Nomeadamente o Massacre no Texas e o Halloween foram dois grandes filmes dos anos 70, totalmente independentes, feitos por malta saída da escola de cinema. Eles tinham um sentido de suspense muito diferente do terror antigo, que era o dos filmes de Hollywood como o Drácula ou o Frankenstein. Estes eram o oposto, já tentavam transparecer o real. Antes os filmes de terror não usavam pessoas a sério, a não ser o Psycho do Hitchcock – uma grande exceção – os outros eram sempre feitos com monstros, tarântulas gigantes e essas coisas. Portanto, os anos 70 foram quando os filmes de terror passaram a ser humanos, por isso, para mim, foi uma grande referência. Depois a forma como eles faziam o suspense, que era sempre muito através de jogar com o estar alguém ali ao fundo. São coisas que agora vês nos filmes todos, mas que foram inventadas nos anos 70. Antes disso os filmes não eram assim”.

Irene (Lília Lopes) a entrar na Floresta das Almas Perdidas.

Quanto ao estilo, o filme é a preto e branco, tem sempre música de fundo e, à semelhança dos filmes asiáticos, não se limita a um só género. “O filme faz um salto muito grande de géneros, começa por ser uma história muito profunda e dramática com alguma comédia de costume de valores, passa para terror e depois acaba mais filme de chegar à idade adulta. Já era complicado a história saltar de género, por isso, para o filme ter sempre o mesmo tom é a preto e branco e tem sempre música. Essa combinação está sempre a empurrar o tom para baixo, ou seja, a história muda, mas o filme tem sempre um tom muito mau, negativo e desprovido de esperança. Outro motivo foi que o preto e branco permitia, como o filme é sempre baseado em duas pessoas a falarem uma com a outra, isolar bastante as pessoas do cenário onde elas estão. Como a temática é o suicídio, a morte e o contemplar o suicídio, ele estar a preto e branco faz com que as pessoas estejam muito recortadas e as árvores que estão lá pareçam falsas. Cria uma distância. O mundo não é a preto e branco e o facto de o veres desse modo falseia um bocado a coisa, que era o tom que nós queríamos”.

Ao ouvir falar neste filme e pela forma como é apresentado, um dos temas que invade a nossa mente é o do suicídio. O realizador explica que o filme não trabalha este tema, mas apropria-se dele enquanto contexto. “Eu achava interessante fazer uma história sobre familiares de pessoas que se tinham suicidado, por outro lado sobre quando há uma coisa terrível há pessoas más que tiram vantagem disso. O vilão deste filme tira vantagem psicológica sobre a perda. Mas o tema do suicídio em si é muito complexo e sensível e acho que o filme não se debruça muito sobre ele, é só um contexto. É o suicídio que força os eventos do filme, mas é um tema muito complicado para eu puder dizer que o filme faz justiça ao tema”.

“Sobre quando há uma coisa terrível há pessoas más que tiram vantagem disso. O vilão deste filme tira vantagem psicológica sobre a perda”
José Pedro Lopes, Realizador

Para além disso, a escolha desta floresta para o cenário onde tudo ganha vida não foi arbitrária e também tem uma ligação ao suicídio ao se inspirar no mito de uma floresta situada no monte Fuji. “No Japão, no monte Fuji, existe uma floresta – Aokigahara (Mar das Árvores) – que é muito isolada. No Japão feudal, na grande pobreza, as pessoas como não tinham dinheiro ficavam doentes, iam para lá e suicidavam-se. Nos dias de hoje isso manteve-se como mito e há muita gente do estrangeiro que vai até lá para se suicidar no monte Fuji, porque supostamente se te suicidares lá renasces como uma das árvores que lá estão. Portanto, achei esse mito interessante. A história do nosso filme passa-se numa floresta entre Portugal e Espanha, que não existe”.

Não bastasse este ser um filme de terror, também os locais onde decorreram as filmagens foram marcados por tragédias, que  Zé, agora, relata: “uma das cenas principais do filme é no lago glaciar de Sanabria, que fica em Espanha, e nesse lago, há 50 anos, houve uma barragem que explodiu e a água da barragem matou toda a gente da aldeia que ficava lá ao lado e o governo espanhol de Franco, para esconder a tragédia, nunca tirou de lá os corpos. A zona do Caramulo em que filmamos é uma zona que foi destruída por um incêndio. O sítio onde filmamos era muito limitado, estava rodeado por zona queimada e tinha pouca vida animal por causa disso. A casa principal do filme também tinha sido alvo duma efeméride, mas essa já não posso contar”(risos).

Lago Glaciar de Sanabria, em Zamora, Espanha. 

Quanto à reflexão sobre a vida e o seu sentido, aproveita para nos falar de uma crítica que o filme recebeu e que o fez clarificar algumas nuances a que o filme dá vida. “Houve um crítico estrangeiro que disse que o filme era sobre como tu podes ser feliz de qualquer maneira, desde que faças aquilo que gostas. Por isso, como é a história sobre a chegada à idade adulta de um homicida se calhar é mais sobre como tu podes ser feliz em fazer mal aos outros, o que não é uma mensagem muito boa. Achava interessante fazer uma história sobre um assassino, que era protagonista, e que isso o deixava feliz e era o que queria fazer na vida e a metodologia dele. Não tencionava dizer que isso era uma coisa boa, acho que é algo terrível. Às vezes os filmes esquecem-se dessa função: as pessoas más existem na nossa sociedade e elas não são de cartolina, são pessoas a sério com motivações a sério ou ausências de motivação. Queria, então, criar um conteúdo um bocado tétrico. Há pessoas que chegam ao final do filme e se questionam, então mas este filme é pró homicídio? Porque é que o mau é o protagonista e apresenta as coisas de uma forma positiva? É uma história pessoal com uma pessoa má”.

“Se calhar é mais sobre como tu podes ser feliz em fazer mal aos outros, o que não é uma mensagem muito boa. Às vezes os filmes esquecem-se dessa função: as pessoas más existem na nossa sociedade e elas não são de cartolina, são pessoas a sério com motivações a sério ou ausências de motivação”
José Pedro Lopes, Realizador

Essa protagonista é Carolina, que ganha vida através da interpretação da atriz Daniela Love, com quem o Gerador teve oportunidade de falar. Sempre teve o desejo de fazer um filme de terror, embora não se considere uma geek deste género, mas “é um género que consigo entender”. Conhecer a Carolina não foi fácil e quando perguntamos qual é a sua identidade, Daniela sorri e conta que “é engraçado porque quando o filme foi rodado eu tinha uma perceção da Carolina, antes do filme ser rodado tinha outra perceção e depois do filme fiquei com outra e acho que agora ainda tenho outra. A Carolina é uma miúda na casa dos 20, tem uma vida bastante facilitada e tem um fascínio doentio pela dor dos outros. De facto, há qualquer coisa ali que não está bem, mas ela aproveitava-se da dor dos outros. A Carolina é uma voyer. É, não falsa, mas uma pessoa que se apropria de coisas que não são dela. Para mim foi muito difícil criar empatia com a personagem. Do ponto de vista de entendê-la e perceber porque é que ela tomava as atitudes que tomava. Fui muito crítica em relação à personagem e só quando eu abracei o que ela realmente era é que consegui chegar perto de a entender, mas acho bastante difícil entendê-la”.

Carolina, interpretada pela atriz Daniela Love.

Videoclube, um outro filme do realizador, tem algumas ligações com A Floresta das Almas Perdidas. Zé explica que “em certa medida o Videoclube era uma história muito baseada em referências de pessoas que gostavam de cinema e falavam sobre ele. Eu gosto muito de filmes baseados em duas pessoas a conversar e ver onde a conversa vai. Este filme é uma versão completamente negra do Videoclube, que é uma história sonhadora de pessoas que falam sobre filmes, e este é uma versão negativa sobre pessoas que falam sobre literatura e cinema obscuros. Vejo-me muito a escrever histórias onde as pessoas estão à conversa e a partir dai é que acontece alguma coisa”. Também Daniela refere esta similaridade entre os dois filmes e acrescenta que “o Anexo 82 acaba por trabalhar muito com os mesmos atores. O Videoclube tem uma coisa muito engraçada, em que muitos atores que entraram noutras curtas deles também estiveram no Videoclube e as personagens são basicamente as mesmas. O Tiago da Floresta acho que é o mesmo Tiago do Videoclube e é o mesmo ator que o faz. Eles acabam por dar continuidade a personagens ou mostrar outro tipo de personagens. Tanto que o Zé diz que esta personagem, quando a criou, era um bocado a Margarida do Videoclube, mas numa versão muito diferente. Eu também acho que tem um bocado da Margarida. Não muito, porque é totalmente diferente, mas tem umas pequenas nuances”.

Como em todos os filmes, também este teve alguns obstáculos na sua realização. Daniela fala-nos dos desafios que teve de enfrentar: “um dos maiores desafios foi criar empatia com a personagem e entender as suas motivações, porque ela não funciona como as pessoas normais. Há um sangue frio, um desapego pelas pessoas que é bastante difícil de entender. Essa foi uma das principais dificuldades. Depois houve dificuldades em perceber como é que fisicamente eu conseguia executar tarefas que não são fáceis para uma pessoa da minha estatura, com a força física que eu tenho. Depois, o filme foi feito sob condições climáticas um bocado dolorosas. Foi um filme bastante cansativo. Foi ótimo, mas as rodagens foram bastante exigentes. Principalmente a primeira parte em que nós íamos para o Porto todos os dias e era Inverno no Caramulo, numa serra. Por exemplo, em Espanha nós também fomos e viemos no mesmo dia. Saímos do Porto às 5h e voltámos às 23h para filmarmos 3 cenas. Se calhar isso foi o mais difícil em termos de dificuldades humanas. Mas em geral foi ótimo trabalhar com todos os atores. A equipa, como eu já a conhecia, era bastante fácil de comunicar. Havia pessoas que já trabalharam comigo”. Zé também fala da dificuldade de coordenar o horário de tantas pessoas e algumas questões técnicas: “tivemos muitos obstáculos que advinham de tudo o que costuma ser difícil em fazer filmes, como conseguir conciliar as pessoas, tanto que nós filmamos ao longo de 3 semanas, mas não foram seguidas. Filmámos uma semana no verão, uma no inverno e outra na primavera a seguir. Porque é muito difícil conseguires conciliar toda a gente da equipa durante 3 semanas seguidas. Nós até já tínhamos pensado no filme como sendo 3 curtas, em que dividiríamos as equipas por diferentes semanas. Mas a principal dificuldade em relação ao que aconteceu e àquilo que nós queríamos fazer foi que nós queríamos fazer um filme parecido ao do Richard Linklater, Antes de Amanhecer. Mas na floresta eles andarem a conversar era muito complicado de filmar. Entre nós com a steadycam e os atores entre buracos e galhos era muito complicado e não funcionava. É por isso que o filme acaba por ter uma imagem pesada, em que eles param e conversam e ainda fica mais visual do que já era. A principal dificuldade foi isso, é muito difícil filmar no meio do monte, no meio da floresta, pessoas a andarem e conversarem e nós a andarmos atrás delas”. Outra questão que se pode apontar é o financiamento limitado na produção deste filme. “Como nós já estamos muito calhados a fazer as coisas com pouco dinheiro recorremos à nossa experiência de fazer cinema de low budget. Mas eu não acho que seja a melhor forma de o fazer. Desta vez não houve grandes limitações, porque foi feito por uma equipa que já se conhecia bem e já trabalhava junta antes. Nós somos todos amigos e trabalhamos todos nos filmes uns dos outros, pelo que correu bem. Mas reconheço que não é a forma ideal de fazer um filme. É a pior forma”.

Equipa nas gravações. 

Quanto às cenas favoritas de ambos, Zé fala-nos do lago glaciar por ser “o momento de viragem do filme. Acho que é a cena que mais reações retira às pessoas e a de que gostam mais. Mas não posso dizer nada por causa dos spoilers”. Já Daniela confessa que não tem uma cena preferida, mas destaca que “a parte das mortes foi desafiante e deu-me imenso gozo, porque todas as personagens que eu já fiz não tinham nada a ver com isso. Era completamente inédito. Gostei imenso de trabalhar com o Jorge Mota e foi muito diferente trabalhar com o Tiago, a Mafalda, a Lígia. Foram momentos bastante diferentes”.

Com a chegada do filme às salas de cinema portuguesas surgem expectativas e desejos. Zé acha “que dentro do público que este filme pode ter, há as pessoas que gostam muito de cinema e seguem o cinema português e as pessoas que o cinema português lhes passa um pouco ao lado. Curiosamente tenho muita expectativa em relação às pessoas que não costumam ir ver filmes portugueses. Porque vejo que tem havido muita gente com curiosidade de ver um filme português que, não só é de terror, como tem uma atitude um bocadinho diferente. As pessoas estão muito habituadas a que os filmes portugueses, quando não são os de qualidade para irem para o festival de Berlim, sejam filmes muito condescendentes e com uma postura muito simpática, como nas comédias românticas. Como este filme tem uma postura tudo menos simpática vejo que há muita gente com curiosidade. Se eu conseguisse trazer ao cinema português mais pessoas que querem ver como é um filme português de terror e meio invulgar, já ficava satisfeito. Não tenho uma grande expectativa de muito público, isso não tenho. Mas espero que muita gente queira ver”.  Também Daniela destaca o desejo de que as pessoas vejam cinema português. “Como o filme é um bocado diferente do que é feito espero sinceramente que as pessoas vejam filmes. Em relação a mim e à minha carreira normalmente não espero nada, não me permito esperar nada. Espero que o filme alcance muita gente, que seja visto. Em relação a mim não tenho expetativas de nada”.

Filmagens no Caramulo. 

A atriz que protagoniza Carolina identifica este filme como diferente por o considerar, em certa medida, feminista e por ser um filme de terror que transmite uma mensagem. “Do que está mais próximo de mim, acho que o filme é super feminista do ponto de vista, não de ser ou tentar ser feminista, mas a minha personagem e a naturalidade com que uma mulher está a fazer isso é bastante evoluída e feminista. Não é habitual teres uma mulher nestes moldes num filme. Do que eu tenho visto, a maior parte das mulheres acabam por fazer personagens que estão lá para servir um propósito de interesse romântico ou amoroso de um homem. Nunca é sobre elas independentemente de existir um homem ou não. Nesse ponto de vista acho que é um filme bastante feminista. É um filme de terror que tem uma mensagem, uma história, que é o que o Zé fala muitas vezes: como é que é possível no meio da pior desgraça, dos momentos de maior fraqueza, no meio das tragédias ser o momento em que acontece a maldade vir ao de cima e haver imensa gente que se aproveita disso. Em relação à questão do suicídio eu não penso que seja pró suicídio, mas acho que é um filme de terror diferente”.

“Do que eu tenho visto, a maior parte das mulheres acabam por fazer personagens que estão lá para servir um propósito de interesse romântico ou amoroso de um homem. Nunca é sobre elas independentemente de existir um homem ou não. Nesse ponto de vista acho que é um filme bastante feminista”
Daniela Love, Atriz

Para o futuro, Daniela diz ter alguns projetos seus em que tem trabalhado, mas que para já ainda estão na gaveta. Já Zé diz que tem candidaturas para o ICA (Instituto do Cinema e Audiovisual) para financiar outros filmes. “No entanto, como isso é sempre imprevisível e nunca sabemos se vamos ou não ser financiados e, por natureza é difícil conseguir quando se está a começar e não se teve apoio antes, uma das coisas que nós queríamos era ver exatamente quanto dinheiro ganhávamos com este filme para saber quanto dinheiro podíamos gastar na próxima vez. Fazer um filme nos mesmos moldes, mas melhor, com mais investimento, sem ser um grande risco”.

Atriz Daniela Love.

Este filme estreia já no dia 12 de outubro em salas nacionais: duas salas em Lisboa, uma em Setúbal e em Leiria. Vai estar em Ovar, mas não na semana de estreia. Posteriormente vai ter uma série de sessões pontuais como no NOS Funchal, em Estarreja e Vila Real. Para já, no Porto ainda não existe nenhuma sala de exibição.

Um filme que foge ao dito normal no cinema português, desde logo pelo género e influências, mas também pela forma de abordagem da sua temática. Onde nada é o que parece à primeira vista, não se ignora o mal existente na sociedade, fazendo dele protagonista. Evidenciando o que de pior existe em nós, é o admitir que se pode ser feliz em fazer o mal, não como defesa de conduta a seguir, mas como consciencialização de que essas pessoas são de carne e osso e devem ser levadas como tal. As pessoas más existem e não são de cartolina.

Texto de Andreia Monteiro

Fotografias de promoção do filme