Hoje partilhamos a entrevista exclusiva do Alex Gamela, a nossa autoridade local no centro, ao Emanuel Botelho, autor do L’Espace, um programa de música electrónica, às sextas feiras, às 10 da noite, na Vodafone.fm.

Vais à bola com quê?

Acho que vou à bola com muitas coisas que não têm grande ligação entre si. Muito recentemente, descobri que vou à bola com roller derby, por via do interesse da minha esposa na modalidade. Também vou à bola com cozinhar, com banda desenhada do Enki Bilal, com carros velhos (em tamanho normal e à escala, sobretudo franceses e dos países de leste), com o Jean Wyllys, com o Futurama, com o Partido Ecologista “Os Verdes”, com o Trevor Noah a apresentar o Daily Show, até vou à bola com ir à bola. Gostava de ir mais vezes à bola, até porque a bola voltou há pouco tempo a rolar no campo onde eu acho que ganhei esse gosto e eu ainda não tive oportunidade de lá voltar.

Como é ser boavisteiro em Coimbra?

Uuuuii…é levar com este pessoal todo da RUC, com este pessoal da Académica, e eu não gosto nada da Académica. Eu em Coimbra sou do União, que supostamente é o clube das pessoas de Coimbra e a Académica é o clube das pessoas que vieram estudar para cá. Eu tive sempre uma embirração com a Académica. Naquela fase em que regressou à Primeira Divisão, a Académica teve sempre orçamentos muito bons e nesses anos todos safou-se de descer na última jornada. Isto tirava-me do sério, corria tão mal desportivamente que acho que só podia ser má gestão, porque nunca me pareceu que fosse por ter maus jogadores, teve sempre equipas boas, bons treinadores. E isso foi-me criando uma comichão muito grende. A minha vivência como boavisteiro em Coimbra, no fundo, é essa: não querer saber muito da Académica OAF (Organismo Autónomo de Futebol). E vou ao estádio uma vez por ano ver o Boavista.

O que é que corre na tua pista de dança?

A minha pista de dança como dj é aquela que procuraria enquanto dançarino, se calhar, nesse aspecto é um bocado umbiguista. O que procuro é um bocado aquilo que faço, divirto-me mais quando apanho com coisas ecléticas, e imprevisíveis. Chateiam-me aquelas noites de género em que só ouves um tipo de música do início ao fim. Se bem que há tempo para tudo, lembro-me de quando havia uma movida de tecno em Coimbra, muito ligada às noites da Via Latina e instituições como a Cosa Nostra. Isso fazia muito sentido e eram muito libertadoras e interessantes. Mas o que me interessa mais é uma coisa eclética, com muita electrónica.

Como é que começaste na rádio?

Quando vim para Coimbra em 2002, já vinha a saber que a RUC existia, já ouvia ecos de uma rádio que fazia uns concertos fantásticos, que tinha música alternativa. Fiz o Curso de Rádio na RUC e logo na primeira aula fiquei com vontade de fazer isto para o resto da vida.

Marcava os últimos horários do estúdio e a emissão encerrava às 2 da manhã mas cheguei a sair do estúdio às 5 e meia, em vez de sair às 3, como era suposto. Era quando chegasse o segurança! Esse período foi de grande satisfação, mas depois veio um período de 3 anos em que não acertava com a coisa. Sentia que já tinha estado melhor, nem tinha coragem de ouvir o que fazia, ficava mesmo frustrado no fim dos programas, mas nunca tive aquela vontade de desistir. Com o tempo ganhei algum conforto e só ganhei prazer a fazer isto.

E o L’espace, na Vodafone.fm?

Comecei a colaborar com a Vodafone.fm já depois do verão, a fazer os blocos de antevisão do Milhões de Festa. A coisa correu lindamente, e a Vodafone pediu que se fizesse uma coisa idêntica para Paredes de Coura. Correu muito bem esse trabalho e depois surgiu essa possibilidade de fazer uma coisa mais regular.

Comecei em fevereiro um programa de música eletrónica generalista às 6ªs feiras às 10 noite. Era uma coisa que queria fazer há algum tempo e ali pareceu bater tudo certo. De repente parece que comecei a fazer isto há 3 anos.

Quem é que levavas para debaixo de uma bola de espelhos e porquê?

Os tipos do Mighty Boosh, vestidos de Vince Noir e Howard Moon. Devem ser óptimos.

Entrevista pro Alex Gamela

Ilustração por Inês Caldas