A Cláudia Ferreira Henriques é a nossa autoridade no litoral. Na Revista Gerador #8 falou-nos do Carlos Vidal, “um filho da terra querido em Albergaria-a-Velha”, um jovem de 27 anos, médico, que aparece na televisão e ainda sabe de música ;-)

Curioso, certo? Então agora lê a entrevista exclusiva da Cláudia ao Carlos ;-) 

Para quem não conhece, explica lá o que são os Sketches do Porto Preto? [nota: gralha ortográfica da autora]

Numa primeira abordagem, os Sketches do Porto Preto são meramente mas só meramente um erro de escrita. Já os Sketches de Porco Preto são uma dupla de humor formada por mim e pelo Diogo, aquando da participação na rubrica Speed-Battle do programa 5 Para a Meia-Noite. O espectáculo consiste num teatro mal feito com stand-up ainda pior. Basicamente, criámos um enredo onde incluímos artistas que acabam sempre por estar inseridos na nossa história, quase sem darem por isso.

Não é muito fácil para um “puto de Albergaria-a-Velha” conseguir chamar a atenção da malta. Confessa o teu segredo!

Não há um segredo. Eu apenas faço as coisas com entrega e profissionalismo e acredito naquilo em que estou a trabalhar. Os projectos em que me envolvo têm sempre muito de mim e não penso muito em fórmulas ou em chegar a algum lado com determinado projecto. Eu faço aquilo que me diverte e vivo as ideias e os espectáculos sem segundas intenções, sem pensar muito.

Um médico que faz stand-up ou um performer de stand-up que exerce medicina. Em que ficamos?

Nem um, nem outro. Tomar partido de um deles seria valorizar uma arte em detrimento da outra. Seria enaltecer uma quando ambas se completam. Não olho propriamente a estatutos ou denominações, não perco tempo a pensar nessas coisas. Eu estou em ambas as artes, não porque elas precisem de mim, mas porque eu preciso delas, porque gosto realmente do que faço tanto a nível médico como artístico. Para o meu lado médico funcionar em pleno, eu preciso de ter o humor por perto, como o contrário também se verifica. Antes de ambas se completarem, completam-me a mim.

 O stand-up ainda não é muito consensual. Para uns é uma expressão de cultura portuguesa, para outros nem pensar nisso. E para ti?

O humor não é consensual, o stand-up penso que, como arte, começa a ser. Não foi um fenómeno que começou cá mas rapidamente ganhou raízes. Claro que muitos programas e artistas contribuíram para que tal acontecesse e hoje em dia consegue perceber-se a inquestionável força e importância desta arte, pelo número de bons humoristas que a praticam e pela inquestionável afluência de público que consome bom humor.

Ir à bola com o Festival de Humor e Arte de Albergaria-a-Velha foi fácil?

O Risorius – Festival de Humor e Arte de Albergaria-a-Velha – é um projecto pelo qual tenho um carinho especial. De início, o objectivo foi criar raízes de humor em Albergaria-a-Velha, tornando esta parte integrante do circuito do humor em Portugal, que aos poucos se vai conseguindo. É um projecto desafiante porque é sempre difícil descentralizar e convencer que não é mais um festival de humor.
O objectivo passa por abrir mentalidades e trazer tudo o que de melhor se faz, desde workshops, stand-up, teatro, cinema, exposições ou conversas.

É desafiante todo o processo, desde a ideia, até ao artista, passando pela gestão de fundos, sempre com o cuidado de não tratar com leviandade o dinheiro público dos contribuintes. Tenho muito respeito por quem me apoia, me dá a mão e acredita nas minhas ideias. Tem sido uma parceria de 4 anos com a Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha e de muitos amigos da segunda casa que é o Cineteatro Alba e de uma panóplia de emoções. Não há satisfação maior que veres as tuas ideias a ganharem forma e veres um público cada vez mais fiel a responder com casas esgotadas e gargalhadas sinceras.

Entrevista por Cláudia Henriques

Ilustração por Rúben Rodrigues