O MAAT abre ao público a exposição do artista e escritor chinês, Bai Ming, no dia 12 de julho. “Branco e Azul / Bai Ming – Lisboa” apresenta, pela primeira vez, a obra de um dos mais conceituados artistas contemporâneos da China. A exposição está integrada no programa Cooperação Sino-Portuguesa e Resultados do Intercâmbio Cultural ao Abrigo da Iniciativa ‘ Uma Faixa, uma Rota’ e podes vê-la até dia 4 de setembro.

Com mais de 200 peças de cerâmica, desenho e pintura esta é uma exposição que nos traz muitas novidades. A obra de Bai Ming está exposta na Sala dos Geradores, no edifício Central, que se transforma, também pela primeira vez, num espaço expositivo. Para além disso, é também a primeira vez, desde a inauguração do MAAT, que se expõe peças de um artista no espaço exterior.

Bai Ming é reconhecido como ceramista tanto na China como a nível internacional, pela sua contribuição para a renovação e revitalização da criação artística chinesa no campo da cerâmica, mas nunca esquecendo a tradição.

O curador Fan Di’an realça que a China e Portugal são países com laços de intercâmbio cultural com história longínqua, nomeadamente através da rota da seda. Por isso, a obra do artista vem traçar uma rota de encontro e de fascínio entre o Oriente e Ocidente. Realça ainda que “as peças em exposição mostram investigação da porcelana, mas também a capacidade de inovação de Ming, que utiliza um suporte antigo para mostrar coisas modernas”. A exposição ganha, assim, uma função cultural dupla: se por um lado mostra aos portugueses a arte da porcelana chinesa, por outro responde à paixão dos portugueses pela porcelana azul.

Já o artista, Bai Ming, realça o local e trabalho do MAAT como elementos que vieram dar uma vida nova à sua obra. As janelas que iluminam a sala e deixam transparecer o rio, ao fundo, fundem-se com as mesas azuis que servem de base às porcelanas e lembram uma cascata, como se a água do nosso Tejo se prolongasse para dentro da sala. Também a iluminação azul oferece ao espaço uma atmosfera de mistério e as peças expostas no exterior são mais uma surpresa que vem romper com a normalidade, uma vez que normalmente as porcelanas se reservam ao espaço casa. O artista fala ainda da possibilidade de recriação da porcelana, quer através do azulejo português (que embora não utilize o azul chinês, transporta a tradição), quer pela paixão portuguesa por esta arte que combina com o azul do céu e do mar, ou até mesmo pela sua intenção de recriar esta arte inspirando-se na sua experiência em Portugal. Apresenta a porcelana como suporte de escultura com motivos mais abstratos, ao invés de um mero utensílio. Não deixa de utilizar o material tradicional, o barro, mas “tal como os homens são todos feitos de carne, mas são todos diferentes, também as suas peças são feitas com o mesmo material, mas são mutáveis”. Denota-se, portanto, o respeito do artista pela terra e pelo material em si, que aliás refere que “o mais importante para um criador é conhecer o material”. Da mesma forma, todos temos a nossa cultura e história, mas a massa é a mesma. Isso é o que o artista pretende transmitir através da proposta de olhar o outro como elemento importante na comunicação intercultural. “Aqui (na exposição) apresentam uma visão com outro ponto de vista que permite observar a reação dos portugueses às minhas peças, o que fez com que também eu obtivesse uma visão diferente. Injetaram vida particular à exposição”.

A arte exige a sensibilidade de um artista através da experiência com os materiais. Para Ming não se trata de procurar somente a técnica, mas também descobrir formas expressivas mais modernas. Se a rota da seda iniciou a conversa entre portugueses e chineses, Ming vem ligar novamente estes dois povos, pensando não só na sua história, mas também na nossa.

Exposição de Bai Ming