Muitas vezes vemo-nos com sobras de cozido à portuguesa em casa. A forma mais conhecida de fazer esse aproveitamento é na Tortilha à Espanhola, mas para quem se está a defender um pouco das fritadas deixo aqui hoje uma alternativa – que já fiz por várias vezes – e que consiste num “Arroz de Forno de Substância”.

Tirei a ideia desta receita de um prato emblemático da “Tia Alice” em Fátima, mas já na casa de meus sogros se faziam estes tabuleiros de forno com carnes e fumados previamente cozidos, não para aproveitamentos – os porcos (com vossa licença) e as galinhas davam cabo de todas as sobras –  mas quando se queria desenjoar das batatas cozidas com os enchidos e as couves.

Para começar escolham muito bem as carnes do cozido, retirando a pele aos bocados das farinheiras e aos troços de chouriço, e desfiando a carne de vaca e de porco que tenha ficado. Depois cozam um chouriço gordo (aqui tem de ser um chouriço novo, cru) e aproveitem a água para o arroz.

Façam uma puxadinha leve de cebola fininha , alho e sal com bom azeite, num tacho de fundo espesso. Quando a cebola ficar transparente deitem um copito de vinho branco para refrescar e deixem alourar mais uns minutos. Depois fritem o arroz (do vaporizado) e deixem cozer sem ficar muito espapaçado, praticamente “al dente”.

Já sabem que a medida – como vai para o forno – deve ser de uma chávena de arroz para três da água onde cozeram o chouriço.

Utilizem depois a imaginação: ervilhas, favas “bebés”, grelos ou feijão manteiga podem e devem enriquecer este prato.

Estando o arroz cozido com todos os “acompanhamentos” comecem por cobrir com ele o fundo de um tabuleiro. Depois deitem as carnes todas desfiadas à mão. Acabem com o resto do arroz e alisem por cima.

Decorem com os troços do chouriço que cozeram nesse dia e vai ao forno a uns 170º por meia hora, mais ou menos. Vão controlando sff.

Com uma salada mista e um tinto Vallado de 2014 (colheita) espero que lhes faça bom proveito e sirva para esquecer um pouco a cabra da crise.

Nota 1: Em querendo fazer este prato sem aproveitamentos isto é, com as carnes e enchidos de raiz, basta cozerem os mesmos como se fosse para o cozido, aproveitar essa água e depois fazer tudo igual ao que descrevi acima.

Nota 2: Também aprecio este prato com o arroz “malandrinho”, sem ir ao forno. Nesse caso misturo sempre no tacho uns grelos de nabo já previamente aferventados. A fotografia anexa é desta variante.