A chuva tem sido predominante nesta Primavera estranha. Depois de duas noites verdadeiramente de inferno lá veio outra vez a água para arrefecer o alcatrão.

Mesmo assim continua a ser atraente fazer (ou pensar em fazer) uma ou outra refeição “al fresco”.

É bem certo que, por enquanto, o vento incomoda. Levanta as toalhas, derruba os copos de plástico (por isso nunca os usem!) deita os guardanapos de papel para o chão (mais um motivo para usarem de pano). Embora, por outro lado,  baixe a temperatura ambiente. Não se pode ter tudo…

“Al fresco” sim, mas  com cuidado para não voarem as perucas, capachinhos, panamás, boinas e outros chapéus. Sobretudo os “panamás” que estão hoje muito em moda.

Quem tem terraços e quintais pode aproveitar. Quem não tem utilize as esplanadas, que as temos boas e para todos os preços.

No Verão da Beira Alta só podemos comer no terraço pela tardinha, porque os calores das horas de sol alto não o permitem de outra forma, mesmo com sombra por cima das cabeças. Suponho que a mesma receita seja válida nos outros locais deste nosso país, dando corpo à ideia que comer no exterior será sobretudo um privilégio do entardecer .

Ressalvo alguns paraísos, onde a sabedoria árabe continua a imperar sob a forma de fontes, pequenos lagos e riachos correndo pelos pátios, o que aliado às sombras naturais das latadas permite almoços dengosos e de autêntico sibarita, a deitar o olho para a otomana espreguiçadeira… lembro-me de um local assim , em Sevilha. No clássico Alphonso XIII, antes de ter caído em decadência.

As sardinhadas e churrascos são sempre boas apostas para estas refeições ao ar livre. Excelentes ocasiões para o convívio e para cada qual meter as mãos à obra, seja fazendo as saladas, seja estando de serviço às brasas do carvão  (balde de gelo ao lado,  com cervejas enfiadas,  é aqui de rigor  para refrigério do assador de serviço).

Eu devo confessar que sou pouco apto para grelhar nas brasas. Falta de treino, mas sobretudo falta de paciência. E como sou ansioso (outros dirão “esganado”) acabo por tirar do lume o material ainda sem estar no ponto da assadura.

Esse “ponto ideal de assadura” deve ser uma coisa que deveria fazer parte dos curricula no MIT lá em Massachusetts, tal a dificuldade em alcançá-lo…

Por exemplo, segundo os especialistas “a sardinha quer-se branca e suculenta por dentro,  dourada e estaladiça por fora, pele solta e carne firme”.

E quanto ao processo da  grelha leiam só isto:

Há, primeiro, que sacudir o peixe do sal; levá-lo inteiro à grelha, enquanto o fogo já se encontra no ponto. O carvão calcula-se em relação à quantidade de sardinhas a assar. A grelha entra, fica e sai da brasa no momento exacto, no ponto em que a sardinha assa uniformemente, soltando o pingo de gordura. O pão recebe a sardinha ainda quente, fumegante, soltando a pele e deixando perceber a carne branca e deliciosa.

Assunto para os tais especialistas, obviamente. E que deixarei de bom grado a essas criaturas benfazejas!

Se sou eu a ter de tratar do assunto até ao fim, prefiro ir por outros caminhos. Que têm sobretudo a vantagem de se poder preparar a refeição com antecedência, sem a pressão do momento certo que as brasas exigem.

Desta forma aqui fica uma sugestão para um jantar de Primavera\Verão comido “al fresco”:

Para comer: Uma salada fria de feijão frade com ovo cozido e ventrescas de atum (parte da barriga, a mais gostosa) que existem em latas, boas para as saladas. Mas as melhores compram-se na lota ou na peixaria, frescas. Se forem por aí, isso dá um magnífico prato completo! Haja dinheiro…

Ainda uma mayonnaise de garoupa com ervilhas, cenouras e camarões.

Um ou dois queijos merendeiros de Sousel, partidos às fatias.

E para terminar em beleza: Melão gelado, bem maduro. De preferência casca de carvalho.

Para beber: Comecem com um Gin tónico (está cada vez mais em moda experimentar diferentes tipos de Gin). E continuem com um rosé pouco graduado. Por exemplo, o Espadeiro da Quinta dos Ingleses, ou o Rosé da Adega Cooperativa de Monção. Qualquer deles fica abaixo dos 4 euros (!) e são um delicioso refresco para estas noites mais quentes.

A minha mayonnaise de camarão e garoupa é para ser feita por solteiros sem pretensões a chefs!!

O truque para poupar dinheiro é comprar uma garoupa inteira, para aí com  2 kg, pedir para partirem a cabeça com respeitável “gola” para noutra ocasião cozermos tradicionalmente ou estalar no forno, e trabalhar a mayonnaise com as restantes postas e rabo.

Para além da garoupa ser fresca e de  também comprar o melhor miolo de camarão a que puder deitar as mãos, para o resto recorro ao material embalado. Ora vejam aqui sff, para 4 pessoas:

Um pacote de ervilhas e cenoura baby congeladas (existem em todas as superfícies comerciais).
2\3 batatas grandes
1 cebola
1 kg de garoupa inteira, postas grandes e rabo
1/2 limão
cebolinho q.b.
1 frasco grande  de mayonnaise ( para mim a melhor ainda é a Hellman’s)
2 embalagens de  camarão 15\30 (se o encontrarem)
1 embalagem de tomate cherry
2 ovos XL
salsa em rama q.b.
uma lata de azeitonas pretas sem caroço

Cozemos as postas da garoupa com um fio de azeite, sal, cebola. Deixamos arrefecer, limpamos de peles e espinhas e  desfazemos em lascas. Cortamos as batatas em  cubos  e levamos a cozer durante 20\25 minutos.  Cozemos também os ovos, as ervilhas e cenouras até estarem “al dente”. Arrefecemos tudo, com  água fria no passador.

Temperamos depois , batendo  a maionese com o sumo de limão. Juntamos a garoupa lascada, metade do camarão descascado e o cebolinho picado aos legumes e envolvemos com a maionese.
Decoramos com tomate cherry, azeitonas pretas, ovo cozido, o restante camarão e salsa em rama.

Bom apetite!

Manuel Luar