Já há algum tempo que desejava fazer uma crónica em torno de um vinho especial que tivesse sido pretexto para um encontro de amigos em volta da mesa.

E a ocasião surgiu com um Almaviva de 2003.

Alguns Amigos convidaram-me para jantar em Cascais a pretexto de provarmos um grande Tinto: O chileno Almaviva, feito em parceria entre a Concha e Toro (Chile) e a Casa Rothschild de Bordéus, e que é o único vinho não francês a ser comercializado pelos Produtores ao mesmo nível dos Grand Crus de Bordéus.

Dele (Almaviva) disse o grande especialista Tod Mostero:

“Almaviva is a very unique wine, the result of an immeasurable number of small details, from pruning to harvest and from vinification to bottling. Taken separately, maybe these subtleties would prove insignificant, but together they further each other’s potential to give birth to this perfect expression of a singular terroir.”

Mais alguns encómios para o Almaviva Tinto de 2003:

“95pts…”-Wine Spectator

“Built like a Pauillac…”–Wine Spectator”

….one of the great wines I tasted in Bordeaux was from Chile….the 2003 Almaviva tasted last week at Mouton is the finest cabernet-based wine I have ever had from Chile…”-Robert Parker

A experiência foi transcendente.

Começo por salientar a complexidade do vinho , onde nem o grau álcool de respeito (14,5º) , chegava para levantar problemas ao imenso corpo que exibia.

Depois um bouquet inebriante e um primeiro gosto a chocolate e toque de baunilha .

Já no final, uma sensação de frutos pretos maduros, amoras sobretudo.

Eram só duas garrafas. Que pena!

O mais próximo lusitano que encontrei deste tipo de sensações foi o Fojo 2000 (Grande Douro) e o alentejano Cruz Miranda 2001.

Tudo isto é obviamente relativo e as sensações de uns não serão nunca as mesmas de outros, mas o mais importante é terem todos os presentes concordado que estávamos perante um magnífico Vinho Tinto.

Como “Aperitivo” bebeu-se um branco de Trás-os Montes (o excelente Vale Pradinhos 2014) a acompanhar uma Santola fresca, cozida ao momento e simplesmente desfiada.

Com a responsabilidade de acompanhar o Almaviva veio um Pregado Estalado no Forno, com o seu acompanhamento de batata nova salteada e legumes.

Aqui, meus Amigos, e ao contrário dos Vinhos, é que pode vir o melhor dos melhores franceses ou chilenos medir forças, que o Beira Mar , Portugal e o seu Pregado sairiam sempre vencedores!

Espectacular!!

Para servir de “contrapeso” à prova do Almaviva abriu-se também um Alentejano de rija cepa, o Vale do Ancho Tinto de 2003.

Com as devidas distâncias, e não tentando comparar o incomparável, mesmo assim devo dizer que muito bem se portou ao pé da “Estrela da Noite”.

Para acabar em beleza “saquei” os meus dois últimos Cohiba Millenium, edição especial de torpedos que comemorou a passagem do milénio.

Que noite!!

Manuel Luar