Num destes dias andei 3 horas dentro da casa forte de um  Museu, onde a temperatura ambiente é de 12º, para conservar os “materiais. E por lá andei em mangas de camisa.

O que levei desta aventura foi uma carraspana das antigas. O que antigamente se chamava “um resfriado”.

Mas como era  – azar dos Távoras –  dia de arrancar mais um dente do sizo (porque é que são 4?? Só vai ainda no segundo…) lá fiz das tripas coração e ala para o dentista.

Não sei se alguma vez arrancaram um dente tendo o nariz completamente entupido? Não o recomendo.

Sem poder respirar pelo nariz, e com  a boca cheia da água do destartarizante, a sensação é semelhante à daquela técnica de interrogatório desenvolvida pelos “médicos americanos”, o “waterboarding”.

Já passou, mas enquanto durou deu para perceber a eficácia dos interrogatórios.

Livra! Livra como “da-se ” e “pôrra” ,  mas do que me não livrei foi de um maxilar mais uma vez cosido a linha de costura e de um inchaço na gengiva.

Havia que “pôr gelo” e apenas comer coisas frescas, de preferências em estado líquido ou fluido…

Chegado a casa levava debaixo do braço uma embalagem grande de gelado de supermercado (marca americana). Por causa da procura deste Verão  havia poucas na superfície comercial . Lá escolhi uma de “caramelo”. Também, por azar, se não levasse o “caramelo” teria que levar outra de …”caramelo”. Era o que havia.

Não gosto de coisas doces, e estava convencido que a malta “amaricana” era nesse aspeto bem mais suave no açúcar do que a portuguesada…

Enganei-me. Aquilo era mesmo muito doce… Comi como se fosse remédio (e resultou!) e porque tinha alguma larica, mas foi um sacrifício.

Mas logo pensei abancar ao almoço do dia seguinte nalgum lado onde me façam uma açordinha, de preferência morna, e com uma posta de pescada lá dentro.

Ao jantar? Gelado outra vez. Mas vou-me tratar ao Santini! O Santini dá 10 a 0 ao “haagen dazs”!

E aproveitem para ir para lá de mão dada com a “mais que tudo” e virem com os lábios lambuzados…

Ótima oportunidade para fingirem que são novos e trocarem de sabores,  dos lábios de um para os lábios da outra… E vice-versa!

Por mim, e farmácia por farmácia, prefiro o gelado ao Ibuprofeno…

E  comprando gelado acho que  há reduzidas hipóteses de um gajo ser arrastado para algum processo de mega fraude na distribuição dos medicamentos.

O país está perigoso, andam a prender toda a gente. Perdeu-se o respeito…

Viva Verdi! Que comia gelados. Acho eu…

Manuel Luar