Tenho o privilégio de apanhar limões diretamente do terraço da casa da aldeia. Basta esticar o braço e colher.

O limoeiro carregado de fruto pendura-se  e invade as escadas de acesso ao terraço. São um bocado para o casqueiro, têm a casca grossita. Mas o gosto é muito agradável. Suspeito que o meu sogro andou por ali a experimentar algum enxerto com limeiras ou até laranjeiras…

Lembrei-me de falar hoje sobre bebidas refrescantes de Verão porque o Limão (como veremos) é comum a praticamente todas elas.

A Limonada que as senhoras bebiam no Verão lá na serra era sempre feita de limões e de laranjas, na proporção de  sete ou oito limões para duas laranjas. Lembro-me que a minha sogra os espremia bem  e depois juntava açúcar amarelo e água a ferver. Mexia tudo e deixava arrefecer com um pano por cima. Só no final metia algumas pedras de gelo.

Se as laranjas forem sanguíneas podem pôr o sumo de mais uma ou duas e diminuir no açúcar.  Caso prefiram juntar uma colher de groselha em xarope, a limonada também fica bem apaladada e cor-de-rosa. Não se esqueçam é outra vez de diminuir no doce.

O Capilé das avós (feito a partir da avenca) pode ser reproduzido em casa – para evitar macerar as folhas da planta – tendo acesso a uma garrafa de xarope com o mesmo nome.  A “Neto Costa” tem. A “Sabores de Santa Clara” também o produz.

Para obter a bebida de Capilé adiciona-se  uma colher ou duas de xarope de capilé  à casca de  um limão, pomos açúcar a gosto, mexe-se muito e  deita-se gelo. Acaba de encher com água mineral.

O Mazagran argelino (um jarro)  leva uma chávena de chá de café forte, sumo de um limão e rodelas de outro limão, um pouco de rum e o inevitável açúcar. Mexe-se muito bem e deita-se depois água com gelo para acabar de encher. Um pau de canela pode ser utilizado para aromatizar. Ou flores de anis.

Dos trópicos chega-nos o Refresco de Lima com Menta.  É uma espécie de limonada feita a partir das limas e que é depois aromatizada com folhas de hortelã-pimenta. De novo o açúcar vai a gosto do artista. Gelo e água mineral compõem o ramalhete.  A novidade é que não se extrai o sumo das limas. Estas são partidas aos bocados, como se fosse para a “caipirinha”, deitadas para dentro do jarro e batidas com o açúcar e com a hortelã. A água é a última coisa a entrar, com o gelo.

Tenho insistido na água mineral – apesar dos avisos dos entendidos sobre a qualidade da água das torneiras – por uma razão mais “estética”. É que a água “del cano” pode ser boa para beber ( e sem dúvida que é) mas se não for fervida deixa um gosto pouco agradável nos preparados onde entra ” a crú”. Em casa só faço gelo de água do Luso. Para não estragar o “escocês”…

Sem querer avançar pelas sangrias e outras bebidas onde o álcool já é um parceiro sério, não me despeço sem lhes falar do chá de verão, o chá gelado que se pode fazer em casa sem ter de comprar as garrafas da Lipton’s  ou da Nestea.

Estes chás – de limão, de pêssego, com menta, etc… – fazem-se sempre da mesma maneira: água a ferver  onde duas ou três colheres de açúcar (mascavado) é diluído. Depois com ela ainda a ferver mergulhamos os saquinhos de chá (eu uso chá preto ou chá verde). Estando a infusão feita deixamos arrefecer e deitamos o sumo de um ou dois limões, consoante o tamanho da garrafa ou do jarro.  Em estando tudo frio aromatizem com pedaços de pêssego maduro, folhas de hortelã, o que quiserem.

No caso de usarem fruta aos pedaços deixem repousar uma noite e no dia seguinte coem o líquido sem a fruta para outro jarro.

Os pratos tradicionais de Verão que se podem comer com estes refrescos – para quem por uma vez se quiser abster de álcool – são os escabeches, os preparados de peixe cru à japonesa (sushi) ou ainda o peruano “ceviche”, que está a ganhar muitos adeptos aqui em Portugal.

O “ceviche” é feito com peixe fresco cru – robalo, linguado, pargo, garoupa ou corvina – cortado em pequenas tiras ou cubos, sem peles nem espinhas, e marinado em sumo de lima ou de limão.  A marinada, que dá ao prato o seu sabor específico, é feita de sumo de lima, malagueta, alho, gengibre, coentros, sal e pimenta. Nesta marinada as tiras de peixe são envolvidas e servidas logo de seguida. Pode ser servido fresco ou à temperatura ambiente. Na versão clássica é acompanhado com batata-doce cozida.

Manuel Luar