A última edição da Ignição Gerador aconteceu no Teatro Romano, em Lisboa. Com o grupo Chão da Feira, que mistura raízes portuguesas com sonoridades do mundo, vivemos um momento mágico bem no centro das históricas ruínas. O Gil cruzou-se com a Alina e com a Vanessa e fez-lhes algumas perguntas.

Encontrei-te na Esquina #14 com Alina Sousa e Vanessa Borges do grupo musical Chão da Feira

Qual é a vossa memória mais antiga?

A – A minha memória mais antiga…? Olha, lembro-me de quando era muito pequenina de ir à horta com a minha avó, arrancar cenouras e lavá-las.

V – É assim, eu tenho uma memória muito antiga de que não sei se me lembro mesmo ou se fui influenciada pelas fotografias. É do meu baptizado, em que eu tinha três meses. Fora essa, as coisas de que me lembro melhor são sonhos; por exemplo um em que corro atrás da minha mãe, tento chamá-la e a minha voz não sai. Teria uns dois anos.

Gostam de mudança?

V –Depende do que estamos a mudar e para onde.
A –Se for no senti crescimento, sim, acho que somos abertas à mudança.

Qual foi o última vez que assistiram a algo de transcendente?

V –Tenho vários momentos. Por exemplo, numa viagem à Irlanda visitei um monumento com milhares de anos onde se simulava o solstício de inverno. Era um mausoléu fechado onde entrava luz um dia por ano. Foi uma experiência mesmo interessante
A –Talvez uma caminhada que dei à noite na serra, com amigos. O silêncio, o contacto com a natureza… foi especial

Finalmente, acabaram de tocar num teatro com 2000 anos, e eu queria saber se já se tinham apercebido disso.

V –nos visitamos o teatro há umas semanas e preparamo-nos no sentido de fazer jus à historia e ao local. Principalmente, é um teatro. Os de hoje também serão ruinas no futuro, e alguns já são. Existe um valor histórico, mas o mais importante, mais do que preservar o passado e as pedras, é preservar o imaterial que acontecia aqui.

A – Acho que é especial na medida em que o que fizemos aqui já foi feito por milhares de pessoas, ao longo de todos este tempo. Somos uma continuação.

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia por Matilde Cunha