Sábado, dia 23 de Janeiro, aconteceu mais uma Ignição Gerador. Em pleno Torreão Poente do Terreiro do Paço, o comediante Joel Rodrigues deu vida à Performance “Um terramoto até dava jeito”. 

Encontrei-te na Esquina #17 com Joel Rodrigues 

Com que idade te sentes?
Se calhar vale a pena dizer a minha idade… Essa pergunta é muito boa. Olha, tenho 29 anos, faço 30 este ano, no entanto gosto de pensar que tenho 25, porque é a idade que quero ter para sempre.

E fazer humor num ex-palácio quase à luz das velas, funciona?
Funciona, apesar de não ser o tradicional. O público deu-me o caminho, fui dizendo as minhas piadas devagar, testando a audiência. A princípio eu queria dizer o meu texto, dar a moral no fim, mas acabou por ser ao contrário: o público reagiu logo às minhas barbaridades (que é a ideia; eu ser o pior gajo do mundo), e partimos daí.

E o facto de que ninguém sabia ao que vinha…
Isso é muito bom. Aliás, foi o que me fez logo dizer que sim. As pessoas vão ver algo, não sabem o que, e só descobrem quando eu começo a falar. Adorei.

Qual é o pior que pode acontecer num espectáculo de comédia?
Por mais que se diga que é não ter piada, eu acho que não é verdade. O pior é não aparecer ninguém. Não ter piada não tem problema, porque a culpa é tua, nunca do público. O teu trabalho e fazer rir, desenrasca-te. Se ninguém se rir, tens de melhorar, é tão simples quanto isso. Sem público é mais difícil.

O que é que queres ser quando fores grande?

(de imediato) Jardineiro. Não, bem, há sempre aquilo de querer fazer disto vida, embora eu ache que em Portugal o stand-up não é algo que dê para ganhar dinheiro, mas um meio para outros fins. Mas claro que gostava, claro. Jardinagem, por outro lado, é uma profissão sem timings ou prazos, o que me parece um paraíso. As flores levam o tempo que levarem, tu estás lá para atirar água para cima de vez em quando.

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia por Kevin Ribeiro