O Gil encontrou-se na esquina com o Hugo Brito, chef do restaurante Boi Cavalo, em Alfama. 

A conversa deu nisto :-)

Como é que transformaste este espaço em algo que te agradasse, num espaço de trabalho teu?

Hum… O que eu queria era que fosse o mais neutro e minimalista possível dentro da identidade que já tinha. Foi descascar o que estava a mais e tentar chamar a atenção para a nobreza do espaço. Nem houve grande trabalho de arquitectura, houve mais trabalho de, epá, de tirar coisas e não fazer merda.

Pareces preferir o espaço informal. Foi uma decisão de autor?

Sim, é uma decisão autoral. Há lugar para tudo, lugar para restaurantes de luxo e não luxo, mas eu não queria nada disso. Queria um restaurante onde… Pá, onde eu me sentisse confortável.

Depois de um percurso tão eclético, o que resultou melhor na cozinha?

Acho que em parte é… É mesmo bom trabalhar com outras pessoas e trabalhar para outras pessoas. Veres quando as pessoas saem felizes. É muito mais imediato do que tudo o que fiz antes. Estás mesmo a contribuir para que as pessoas tenham um dia melhor, e a vê-lo.

E a vossa data de abertura [25 de Abril]? Simbólica?

Foi coincidência.

A sério?…

Completamente. Mas por causa disso, durante o primeiro ano só pusemos cravos na floreira.

Achas que o público ainda divide os restaurantes em “luxo” e “tasco”?

Sim. O que começa a haver, felizmente, é sítios que não são nem um nem outro, e o espectro alarga-se. Hoje em dia tens coisas que servem para todos os estados de espírito, desde a minha saudosa Adega dos Lombinhos, que eu adorava, até ao Belcanto.

O que queres ser quando fores grande?

Epá… O que eu gostava muito… Muito, muito… Era de ter um barco.

Não é ter estrelas Michelin…?

Não, nem pensar. O que eu quero é ter um barco, viver nele, pescar peixe e comê-lo com os pés metidos na areia… Só isso.

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia por Vera Marmelo