Esta semana o Gil encontrou-se na esquina com a Inês Melo, autora do documentário “Se estas paredes falassem”, que esteve em exibição no FACA – Festa de Antropologia, Cinema e Arte, e que retrata a libraria alfarrabista Espaço Ulmeiro em Benfica, “um microcosmos de cultura e resistência, onde os livros têm percursos de vida e onde a população local converge e se reúne há quase cinquenta anos”.

Com que idade te sentes?

Oh pá… Eu não tenho jeito para isto…

Saltamos esta e vais pensando…

Qual é a tua primeira memória?

Primeira, primeira… Bom, a primeira que me vem à cabeça é o som de uma máquina de escrever. Queres que justifique?

Só se quiseres.

É porque eu passava muito tempo em casa dos meus avós, e o meu avô só escrevia à maquina. è uma das coisas que mais associo à infância. Aquilo ecoava pela casa toda.

O teu último documentário passou no FACA… Vês-te a seguir uma carreira artística?

Não sei… estou a explorar opções. Gosto bastante de fazer filmes. Embora seja um processo doloroso, mas no final fico sempre feliz por o ter completado. Talvez daqui a uns anos me dedique seriamente a isso.

O que é uma ideia?

Uma ideia… é uma coisa que dá muito trabalho. É algo que me custa. Tenho muitas ideias, mas desenvolvê-las, adaptá-las, definir o que nelas presta e não presta…

O que é gostavas de preservar?

Uf… pelo menos… aquilo que mais valorizo, que prezo, são as histórias comuns, das pessoas comuns. Pelo menos é nesse âmbito que o meu trabalho se enquadra. Acho que isso.

(outra vez). Para terminar, com que idade te sentes?

(riso) Pá… Sinto-me demasiado nova para perceber algumas coisas, e demasiado velha para poder fazer outras.

Entrevista por Gil Sousa