Depois da Ignição Gerador #8, a 9 de Abril, o Gil encontrou-se na esquina com a Ágata, que nos presenteou com a sua música, enquanto Melli Skug, para uma plateia mergulhada numa piscina de bolas :-)

OK… Conta-me um sonho teu.

Então… OK, é uma ideia de um projecto, para… para some day. É tipo o imaginário do Texas. Estares a fazer musica, ou: durante o dia tratares dos animais e sentires toda essa… E no fim do dia ires tocar músicas num bar. Tenho muito essa cena. Um dia vou fazer um álbum country. Enfim, isto tem claramente muito a ver com o imaginário cinematográfico, também.

E uma história a que regresses?

Damn… É difícil responder logo… Bem. Esta não tem muito a ver com a música, mas foi uma história que me marcou. Huh. Aqui há uns tempos eu fiz de monitora de uma colónia de férias. Tinha a ver com arte, era contra o estigma social, digamos assim. Com crianças de orfanatos, crianças autistas… tínhamos vários workshops de arte, eu dei o de vídeo, também fiz música com eles… foi fixe. Uma das coisas que me marcou mais foi um miúdo que eu conheci, um rapaz de seis anos, que sofria de autismo, mas de uma forma muito leve de autismo. Ele vinha de uma família bastante pobre, tipo, a colónia de férias começou e eles foram ter ao autocarro a pé, não tinham como. E ele era uma criança perfeitamente normal, mas sempre que algo corria mal, nos zangávamos com ele, ele ficava super perturbado, e o nosso desafio foi sempre — visto que umas pessoas eram de psicologia, outras de artes, não tinhas ferramentes, nao sabíamos bem como lidar — era sempre descobrir como incluí-lo, acalmá-lo, o que fosse. E eu acabei por me dar bastante bem com ele, e por conseguir, sempre que ele tinha episódios, eu dizia sempre, olha, vamos ali jogar lotto. A colónia depois acabou, mas eu fiquei sempre com aquela ideia. Foi uma lição de vida, de certa forma. Parece que não temos noção das condições de vida das outras pessoas. Não só socialmente, mas mesmo de questões cognitivas, seja o que for. Pessoas que passam por desafios que nunca vamos conhecer.

Fala-me de uma vez que tenhas testemunhado algo de transcendente.

Tudo coisas que eu gostava bué de ter tempo para pensar. OK. Quando estou a criar uma música, a maior parte das vezes parece que ela está feita e que eu sou só a mensageira. O que é estranho, e isso para mim, ou a arte em geral, é tipo, é transcendente. É emocionante, também, porque nao sabes de onde vem. É o mais próximo que temos de magia. Isso. A arte é o mais próximo que temos de magia.

Finalmente, com o que é que vais à bola?

Com a minha tshirt do Sporting… (riso) Com o que é que vou à bola. Era mais fácil ao contrário. Com pessoa inteligentes, com pessoas compreensivas. Com o cinema, que faz parte da minha vida. Com roupa gira. Com comida. Com livros, exepto do Nicholas Sparks…

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia por Matilde Cunha