Esta semana o Encontrei-te na Esquina foi até ao Belém Art Fest falar com o Pedro Pais, organizador e fundador do festival que nos dias 6 e 7 de Maio invade Belém :-)

Qual é um medo que tinhas e acabaste por ultrapassar?

Um medo que tinha… Epá, eu tinha medo que o festival não se voltasse a realizar. Estávamos com imenso medo, porque dependemos muito de apoios privados, portanto das marcas, e também das entidades públicas, neste caso a Câmara Municipal de Lisboa, a Junta de Freguesia, a própria Direcção Geral do Património Cultural, e nem sempre é fácil conciliar os interesses de todos, nem sempre é fácil captar a atenção de todos, e que isso depois se traduza em apoios financeiros. A verdade é que toda a gente é proactiva a ajudar, mas infelizmente temos contas para pagar. Felizmente ultrapassámos esse medo quando conseguimos ter a Mini como main sponsor. Temos também o apoio da 7Up e o da Famous Grouse. Foram três apoios consideráveis. Também da Heineken e do Esporão, também não nos podemos esquecer destas duas marcas que nos apoiam, que estão connosco desde o primeiro dia. Acho que este era o meu medo que ultrapassei: perder o festival.

E a tua memória mais antiga?

A minha memória mais antiga… Eu tenho algumas memórias de quando era mesmo, mesmo criancinha. Mas a minha memória mais antiga… Acho que é estar a ver um jogo de andebol do meu pai. O meu pai foi jogador de andebol, eu também, embora nunca tão bom como ele, e o meu irmão, e a minha tia e o meu tio, enfim, tradição. E desde miúdo vi muitos jogos de andebol. Acho que a memória mais antiga que tenho é de, ainda com a minha mãe e o meu pai, ir ver um jogo.

O que é uma ideia?

Uma ideia para mim será algo que surge através de conversas com amigos, de pensamentos introspectivos, partilha de experiências… Normalmente as minhas surgem assim.

Como a ideia que levou ao Belém Art Fest.

Exactamente.

Fala-me de uma história que te tenha marcado.

OK… Uhhh… Epá. É uma pergunta profunda. Tenho muitas, umas pelo lado positivo, outras pelo lado negativo. Acho que uma que me marcou foi… que me tenha marcado positivamente… Pá, OK, eu estava com mais três amigos, que são dos meus melhores amigos, quase família, e estávamos  numa festa a beber uns copos, e tínhamos para aí 21 ou 22 anos. Nessa festa nada funcionava. O bar não funcionava, a música era horrível, pouca luz, frio… E nós começámos a conversar, a dizer “Epá, porra, não deve ser difícil fazer festas, nós conseguimos seguramente fazer uma festa melhor que esta”. Estávamos numa das festas mais badaladas da noite de Lisboa, também. Portanto, o que aconteceu foi que decidimos que íamos fazer uma festa. Aí começou uma aventura que se estende até hoje. E é verdade que fazemos as melhores festas de lisboa.

Dá uma pista.

Posso dar um exemplo: Mascarade, no Pestana Palace, que é organizada por nós. Hoje em dia já não com esses três originais, mas com um deles. Os outros já não vivem em Portugal.

E um sonho?

Um sonho que tenho e me dá força diariamente é um sonho que roubei a um amigo meu. Um destes de que falei. Uma vez ele disse, “O meu sonho é poder ser o produtor dos melhores festivais do mundo, e dedicar-me o ano todo a viajar por todo o lado a ver bandas, a descobrir talentos, e a lançá-los nos meus festivais.” E eu ouvi o sonho do gajo e pensei, eu quero que esse seja o meu sonho! E é, hoje é esse o meu sonho.

Com o que é que vais à bola?

Com, usando as palavras do meu amigo Herman José, com bom humor e mulher boa. Não escrevas isso! (riso) Estou a brincar. Era um sketch que ele fazia, isto o Herman do humor disruptivo, que marca as pessoas, que era o único gajo maluco em Portugal, e ele tinha uma saída que era: um gajo perguntava, “O que é preciso no governo?” E ele respondia, “No governo? É bom humor e mulher boa, é do que aqueles gajos precisam.” Enfim. Vou à bola com pessoas boa onda, pessoas honestas, que perseguem os seus sonhos. São esses.

Entrevista por Gil Sousa