Esta semana dedicamos o Encontrei-te na Esquina a um autor que integra a programação do Trampolim Gerador #3, que acontece já no dia 14 de Maio na Mouraria, em Lisboa: o Rui Neto. 

O restaurante Chinês Clandestino, em plena Rua da Guia, recebe às 15H30 e às 17H30, o Teatro na Varanda. A actriz Jani Zhao, acompanhada por Miguel Curado na guitarra eléctrica, lê excertos de textos do actor e encenador Rui Neto.

O Gil aproveitou a ocasião e fez algumas das suas habituais perguntas ao Rui.

Qual é a tua memória mais antiga?
Alçar a perna, esticar-me todo, saltar do berço e aparecer a gatinhar na sala. A minha mãe ate hoje não sabe como é que eu fiz aquilo. Mas eu sei! ;)

Com que idade te sentes?
28.

Conta-me uma história que tenha ficado contigo.
Lembro-me de passar férias em Évora. Não é bem uma história. São memórias. Lembro-me que adorava o calor. O meu avô tinha um mini, e tinha posto sob os assentos umas molas para a minha avó não sentir tanto o impacto das lombas e buracos na estrada. Eu chamava a esse carro, o canguru. Ia com o meu avô encher garrafões de água à fonte. Ele tinha sempre umas fisgas no porta-luvas do carro, e quando parávamos à espera de encher os garrafões, andávamos às fisgadas em latas e coisas que encontrávamos. Comprávamos melões à beira da estrada, no regresso, que ficavam a a amadurecer por baixo dos móveis, espalhados pela sala. Era tudo tão bom.

E conta-me, por favor, um sonho teu.
Alguns dos meu sonhos têm entrado nos meus espectáculos que tenho feito. Sonhei que estava no meio do oceano atlântico, dentro de água. a uns metros estava um barco de borracha da minha infância. Lá dentro o meu cão e um rádio ligado. Surge um tubarão. O meu cão começa a ladrar. Eu começo a nadar em direcção ao barco. E no rádio, começa uma voz a relatar em directo, o que está a acontecer, como se fosse um relato de futebol. “E o tubarão aproxima-se a toda a velocidade. O pobre Rui não tem como escapar. Esperneia. Dá mais duas braçadas, consegue alguma distância, mas ainda está em apuros”. E no momento em que o tubarão abre a bocarra para me morder, o meu cão atira-se ao mar. Eu safo-me. Mas o meu cão não. ;(

Entrevista por Gil Sousa