O Gil encontrou-se na esquina com o Pedro Bernardes, Director do Museu Berardo, que acolheu o Belém Art Fest nos dias 6 e 7 de Maio. Deu nisto ;-)

Qual é o teu lugar predilecto?

O meu lugar predilecto é… no piso dois. Estava a pensar qual é o nome da obra. O piso dois do museu, que tem obras de 1900 a 1960, e que ao mesmo tempo é circular, transmite-me tranquilidade. Quando tenho de pensar em algum assunto relativo ao museu é para lá que vou. É o meu lugar predilecto para passear à hora de almoço, dou sempre uma volta para acalmar, quando preciso.

Conta-me uma história a que regresses, em que ainda penses.

(Silêncio) Eu… Senti-me muito honrado quando fui um dos 100 homens escolhidos pela revista Máxima para uma exposição sobre a igualdade de géneros. O desafio era ser fotografado usando saltos altos. Posso dizer que não foi fácil e sempre que passo em frente à obra onde fui fotografado lembro-me desta história, acerca da dificuldade de nos pormos na pele do outro.

Qual foi a última vez que assististe a algo de transcendente?

És tramado… A única coisa que me ocorre, a coisa mais transcendente, foi assistir ao nascimento dos meus filhos. Desculpa ser tão banal, mas é de facto uma sensação incrível.

Com o que é que vais à bola?

Com o humor e a alegria.

O que é que falta no museu? O que é que vai acontecer, o que se vai passar daqui para a frente?

Vai acontecer muita coisa. O museu está no fim de uma etapa. Estamos a chegar ao fim dos dez anos do protocolo entre o Museu Berardo e o Estado, que termina em 2016, e eu estou muito expectante sobre o que se espera e quais são as directrizes para a próxima fase. Não estamos habituados a que as coisas tenham um prazo de validade, as coisas como o museu, mas este, e é preciso que ninguém se esqueça, tinha um prazo de dez anos, que termina em Dezembro. Tudo indica que vamos continuar e estou curioso em relação ao que vamos ter de mudar, aos novos moldes, o que vamos ter de incluir e o que vamos ter de retirar, mas estou pronto para o desafio. Não podemos achar que os museus se mantêm para sempre, temos de os aproveitar já; os Jerónimos, o Museu dos Coches… Temos que visitar museus e perceber a nossa história, e perceber a história mundial, e não podemos estar à espera que esteja lá para sempre. Temos de participar e ajudar os museus, criticar, dar ideias, ajudar a construir um futuro melhor. As exposições que passaram por aqui já não voltam. Passaram. E nós temos de aproveitar, apanhar esses bocados, enquanto eles existem. O museu é uma realidade viva. E as pessoas têm de acompanhar essa realidade.

Entrevista por Gil Sousa