A Piny Orchidaceae, coreógrafa e bailarina, fundou em 2012 a Orchidaceae Urban Tribal, uma companhia de dança de estilos urbanos, onde o Hip Hop se encontra com a Tribal Fusian Belly Dance. Esteve no Belém Art Fest, no dia 7 de Maio, no palco do Museu Berardo. Curioso? :-)

O Gil encontrou-se com a Piny e conta-nos tudo.

Com que idade te sentes?

Sinto-me com 21 e… 78.

Fala-me de uma história em que ainda penses.

Hum… Eu acho que neste momento regresso às simples, ou seja chegar a casa ao fim do dia e não estar super cansada e não ter ainda de ir trabalhar. O fim do dia sempre foi uma altura mágica para mim, por isso tenho sempre aquela coisa do tipo chega as cinco, seis da tarde e estás livre. Vais beber um copo com amigos, e o copo degenera em conversa que degenera em copo, e a seguir vão jantar, depois junta-se mais alguém… E depois continua, onde é que a gente vai, e vamos a algum sítio, e quando dás por ti está o sol a nascer,  e se calhar se for Verão não vais já para casa, vais um bocado à praia, deitar na areia… Coisas simples e fáceis.

Qual foi a última vez que testemunhaste algo de transcendente?

Ui. Assim imediatamente… Testemunhado ou vivido… Acaba por ser por causa da exaustão, mas quando deixas de estar sob controlo. Há um momento em que deixas de estar em controlo, e não és tu a mexer-te, e há alguma coisa que te mexe e que te faz entrar num transe, e podes ser tu a viver ou mesmo só a ver outra pessoa… Tenho um amigo que diz que essas pessoas têm energia de guerreiro. Suor, cuspo… Já esta tudo fora e já não há controlo possível.

E um medo teu?

Essa pergunta é irónica. Eu nunca tive medo nenhum, até há pouco tempo. Sempre fui uma pessoa destemida. Acho que o único medo que tenho é o de perder as pessoas que amo, mas acho que esse toda a gente sente. Mas agora, recentemente, e talvez esteja relacionado com esse outro medo, ganhei uma fobia gigante a andar de avião. Eu já fiz queda livre a dez mil metros, já andei na segunda maior montanha-russa do mundo, por isso a coisa física nunca foi o problema para mim. E ganhei esse medo gigante, de repente. Às vezes choro no avião, às vezes choro antes de partir, tenho ataques de pânico… Nunca deixei de ir. Mas acho que está relacionado com aquela sensação de perda. Eu adoro viver, adoro estar aqui, e a finitude da vida é algo com que eu não lido muito bem.

 O que é que te falta dançar? Fazer?

Tudooo, falta tudo. Eu acho sempre que nunca sei o suficiente… Eu sou uma pessoa muito ansiosa. E essa necessidade de agarrar o mundo todo é… Eu nunca encontro uma palavra portuguesa para isto, mas overwhelming. Às vezes lido bem, outras não. Às vezes acho que me devia focar numa coisa, mas isso não me faz feliz… Apaixono-me por tanto coisa, e estou sempre a explorar coisas tão diferentes, que claro, estou sempre a conhecer pessoas que sabem mais do que eu. Há especialistas e generalistas, e eu sou muito generalista. E há sempre alguém que me faz pensar: fogo, não sei nada. Antes era uma condição do meu feitio, agora já é uma opção. E é bom conhecer especialistas, aprender com eles, mas eu nunca vou ser essa pessoa.

Entrevista por Gil Sousa