O Gil esteve a 20 e 21 de Maio pelo Imaginarius – Festival Internacional de Teatro de Rua, em Santa Maria da Feira.

Depois do espectáculo da companhia Cão à Chuva, aproveitou para fazer algumas perguntas, das suas, ao Rui Paixão  ;-) 

Com que idade te sentes?

Sinto-me com a idade que tenho. Que é vinte anos de idade.

Qual é o teu lugar predilecto?

O meu lugar predilecto… Epá, essa é tramada… Epá, na verdade não é lugar, é junto das pessoas. Por isso é que eu faço isto. O lugar e o espaco colectivo e o que alguns chamam a metafísica, né? É alguma coisa que anda aqui, não é tanto o terreno, o país, ou a cidade, ou a casa; é com os outros, seja onde for.

Conta-me uma história em que penses.

Uma história em que regularmente penso… Ainda é incontornável para mim a história da morte, não é. É mesmo o paradigma universal de quem vive: onde é que isto tudo vai dar. Porque eu penso regularmente: eu ando aqui a fazer espectáculos e tudo, e no fim não vale nada. Chego ao fim e é um puff. E a história de que mais vezes me lembro para me dar motivação a fazer estas coisas é quando eu era puto e ia para a cama e passava noites sem dormir a pensar naquela cena… É uma imagem muito difícil de descrever, que é quando estás tu na cama e sabes que há um universo para além do qual não fazes puto de ideia do que há, e sabes que há um finito, mas que isto tudo vai continuar sem ti. E quando te tiras importância dói demais, mas também é a verdade. Não tens importância absolutamente nenhuma. Só isso.

Como é o teu imaginário? Como é isso dentro da tua cabeça?

É um imaginário indescritível, o que vai cá dentro. Porque é aquele tipo de pensamento muito ligado ao abstracto, ao animal; eu ando numa luta grande a tentar descodificar o clown, a que toda a gente atribui a ideia de palhaço vulgar, e para mim o clown não é nem o nariz vermelho nem as maquilhagens nem as formas, nada. O clown é um estado de espírito. E quando pensas que o clown é um estado de espírito, é como a água que ferve a um determinado ponto. Como ser humano nunca vamos deixar de ser quem somos, sejamos actores, ou cozinheiros, mas há um dado momento em que nos colocamos numa tal frequência e essa frequência, vibração, existe num outro estado. E eu gosto de pensar sobre isso.

Entrevista por Gil Sousa

Foto por Herberto Smith