A Supernova chega de armas e bagagens, a 17 de setembro, ao Campus de Campolide da Universidade Nova de Lisboa, naquele que será um dia para celebrar as mais variadas artes dentro da universidade ;-)

O Nicolae Negura, ilustrador e artista de arte urbana, nasceu na Roménia e vive em Portugal. Na Supernova vai deixar a sua marca dentro do Campus, numa escadaria que vai virar uma obra sua.

O Gil apanhou-o numa esquina e lançou-lhe as suas habituais perguntas ;-)

Qual é a tua memória mais antiga?

A minha memória mais antiga… Ahhh… Não sei se é esta a mais antiga, mas é de ‘tar muito pequenino em frente a casa. Na Roménia, antes, havia algumas barras em frente aos edifícios para ir limpar as carpetes. E quando aquilo era livre os miúdos iam sempre lá para fazer… Tumba? Não sei como se chama. Rolavam lá. E lembro-me de que estava por ali e ainda não conseguia pular, só os miúdos maiores. Acho que é isso.

Com que idade te sentes?

(Risos) Depende. Às vezes dezassete, tipo no fim de semana, ou quando saio para uma festa. E durante a semana são trinta e tal, trinta e sete.

Mais responsável?

Mais pesado, é.

Quando foi a última vez que testemunhaste algo transcendente?

Trans…? Espiritual?

Sim. Uh… Mais do que isto (gesticulo). Não sei bem como explicar.

Ok. Tipo espiritual. Há tipo duas semanas, foi no início de Julho, fim de Julho, tive um período mais deprimido, com alguns problemas. Tinha de acordar de manhã e ir para Leiria para um trabalho, e apanhei o autocarro. Não tinha um livro comigo, por isso decidi olhar para a paisagem. E de repente comecei a sentir-me muito feliz sem saber porquê. Era muito bonito tudo aquilo. Foram duas horas e tal de só sorrir e olhar para aquilo e… Uau.

O que gostavas de preservar?

Uh… Sempre os… A minha arte é baseada em pessoas. Retratos e sentimentos. Quero sempre guardar isso. É algo sobre mim e sobre os outros, e quero preservar isso. Acho sempre que ao conhecer-me a mim próprio conheço os outros. E acho que se falo sobre mim falo sobre os outros.

Conta-me uma história por que tenhas passado.

(Pensa) Ok. Vou contar esta história em que penso quando estou em frente ao mar, que é… Quando tinha dezasseis anos não sabia nadar e na Roménia, nas montanhas, havia lagos de água salgada. Eu tava ali na água e toda a gente dizia: podes saltar, podes mergulhar, porque a água empurra-te para cima. Eu saltei… E fui para baixo. Estava lá com pessoas e a minha irmã também, mas ela não estava por perto. Então toda a gente que estava à minha frente pensava que eu estava a brincar. Se calhar isto também foi um pouco transcendente, porque eu pensava que ia morrer, estava a engolir água, e ia mais para baixo… E estava a pensar, os meus pais vão chorar, não vou para a universidade, não vou… Este futuro que estava a ver para mim já não estava a acontecer. E fiquei um pouco: ok, já está, vai ser isto. E depois… Já não sei como vi isto, mas vi uma mão a puxar-me para cima. E depois fizeram-me compressões e tudo. Foi a minha irmã que chegou lá e disse que eu não sabia nadar e alguém mergulhou. Um rapaz, que eu não gostava nada dele, salvou-me, e ficou tipo um herói para mim. E sempre que estou em frente à água lembro-me disso. Mesmo agora que sei nadar tento ter cuidado.

Entrevista por Gil Sousa

A Supernova é uma ideia da NOVA e do Gerador