O Gil encontrou-se hoje com o actor Pedro Górgia, um dos nomes que na Supernova (já este Sábado 17 de Setembro) se vai sentar no sofá do giz tónico, para ler os contos surrealistas do Mário-Henrique Leiria ;-) 

Com que idade te sentes?
Sinto-me miúdo ainda. Com imenso por aprender.

Qual foi a útima vez que te deparaste com algo de transcendente?
Quando era pequeno acreditava – tal como a maioria dos miúdos – no pai natal. Lembro-me de ter olhado pela janela numa noite de natal em que teria uns cinco ou seis anos, ter visto umas luzes a cruzar o céu – um avião comercial, concerteza – e ter acreditado verdadeiramente que poderia ser o trenó do pai natal a ser puxado pelas renas. A luz vermelha a piscar seria o nariz do Rodolfo, a rena guia do trenó. Sentir a possibilidade de que algo sobrenatural pode mesmo existir é uma experiência transcendente.

O que é uma ideia?
É o ponto de partida para algo que se pode tornar transcendente.

Qual é a tua memória mais antiga?
No dia da morte do meu avô foram chamar-me a casa de uma vizinha com que estava a brincar. Lembro-me da sensação de entrar na sala da minha casa e ver imensos “gigantes chorosos” a quem puxava as calças perguntando porque estavam tristes.

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia – Ricardo Barroso