O Gil encontrou-se hoje na esquina com a Elisabete Paiva, directora artística do Festival Materiais Diversos :-) 

Qual é a tua memória mais antiga?

É boa, essa… É difícil dizer (Pensa). A minha memória mais antiga está muito associada à terra, de mexer na terra. Não sei especificar, mas relacionado com isso.

Fala-me de uma vez em que tenhas testemunhado algo de transcendente.

O espectáculo da Anne Teresa de Keersmaeker, Cesena, que eu pude ver durante a Capital da Cultura em 2012. Pela forma como o desenho de luz reproduzia uma aurora e os bailarinos que eram também músicos e os músicos que eram também bailarinos porque era um coro e o corpo de bailarinos da Anne Teresa, mas tu não percebias quem era bailarino e quem era músico e aquela luz…  E a delicadeza e finura daquela composição para mim foram uma coisa absolutamente transcendente, ao ponto de eu passar mais de metade do espectáculo a chorar, mas — mas sem ter sequer noção de que estava a acontecer.

O que é uma ideia?

O que é… Fu… É um abismo, uma viagem para o abismo.

Qual é o teu lugar favorito?

Ah… Há dois, não consigo escolher. Uma é a cama (risos), e o outro é o quintal dos meus pais, onde já não vivo, e que tem uma paisagem onde eu sempre vi o pôr do sol e onde ainda vou ver quando preciso.

Entrevista por Gil Sousa

Foto por Herberto Smith