O Gil encontrou a actriz Mia Tomé a dizer poemas nas Noites de Poesia Clandestina na Casa Independente, e não resistiu a fazer-lhe umas perguntas.

Qual é a tua memória mais antiga? 

Oh meu deus, a minha memória mais antiga… Se calhar uma ida ao Zoo quando tinha para aí quatro anos, e não sei se me lembro disso porque tenho– melhor, eu sei que me lembro mesmo, de verdade, mas também ajuda ter uma fotografia disso a que eu acho muita piada; é uma fotografia à entrada do zoo, em que me puseram um papagaio no ombro — eu também tenho um papagaio, mas tinha medo, as aves arrepiavam-me. E lembro-me de que comecei a chorar, e o fotógrafo tirou uma fotografia em que me apanhou com uma lágrima só. É essa, uma das mais antigas. Teria três ou quatro anos.

Qual é o teu lugar favorito?

Do mundo? Ok… Posso dividir por países? Então em Portugal, da zona de Foz Coa… Vou responder o telhado da casa da minha avó, em Foz Coa.

E o objecto que te define?

Hum… [pensa] Essa é difícil… [pensa mais] Se calhar, um objecto… [continua a pensar] Queres fazer a próxima?…

Qual foi a última vez que testemunhaste algo de transcendente?

Então, se calhar… Uh… Estava a pensar num filme que eu vi, deixa-me pensar… Ok, no domingo — precisava de dizer o nome do filme, que não sei de cor — mas acho que para mim, é  o momento transcendente de quando e saio de uma sala de cinema e não te sei explicar como saio, mas sem dúvida mais rica, mais feliz… Portanto… Sem dúvida tenho testemunhado momentos transcendentes porque tenho tido pontaria nas salas de cinema em que entro [ri].

E de volta. Qual é o objecto?

Se calhar… Argh… Acho que podia ser… É muito difícil! O néon de cacto! [e aponta. De facto, há um néon com a forma de um cacto na parede acima de nós] Vou dizer isso. Tenho uma cena com cactos.