Hoje, no Encontrei-te na Esquina, conversamos com a Sara Duarte, uma das organizadores do ciclo de encontros “O que é o arquivo?”, que acontece de 23 a 25 de Março no CAM, na Gulbenkian. 

Qual é a tua memória mais antiga?

 É interessante porque a ideia de memória é algo em que tenho vindo a pensar mais conscientemente, provavelmente por ser tantas vezes questionada sobre o que é o arquivo. Acho que estamos cada vez mais rodeados de memórias, de recordações, que vão reavivando a nossa própria memória, mas também modificá-la, questioná-la. Tornou-se muito complicado para mim distinguir as memórias que tenho porque, de facto, me chegaram naturalmente através da lembrança, e aquelas que tenho porque mais tarde as revi, através de fotografias e vídeos. É claro que estes meios também me ajudaram num exercício de relembrança, como quando olhamos para uma fotografia e nos lembramos de tudo o que aconteceu naquele instante. Se o conceito de arquivo é modificado com o digital, o de memória também o é, o que torna muito difícil definir e identificar o que é uma memória natural ou qual a memória mais antiga, acho que todas ou quase todas me chegaram através de um processo de relembrança. Mas tenho muitas memórias antigas dessa captação do momento, de ser filmada, essencialmente, pelo meu pai.

 E o teu lugar predilecto?

Curiosamente, os arquivos de memórias. Talvez porque a História, como disciplina, e as histórias, a partilha de memórias, do passado, sempre me suscitaram um certo interesse e curiosidade, quer em termos académicos como pessoais – essa necessidade de repensar o que aconteceu para se entender o presente. Estes arquivos de memórias encontram-se nos lugares mais simples e óbvios como os livros, os museus, os próprios arquivos, mas estão também dentro de nós, na memória e na lembrança.

Fala-me de algo de que te orgulhes.

Honestamente, não sei. Se, por um lado, existem pequenas coisas muito simples que me vão fazendo alimentar um certo orgulho – pequenas conquistas, que em grande medida acabam por servir de incentivos-, não me parece que haja, de facto, “algo” que me faça sentir particularmente orgulhosa. Creio que sou demasiado exigente, comigo e com os outros, para conseguir identificar algo em especial que me faça sentir orgulho, mas também facilmente valorizo pequenas coisas muito básicas – a maneira como me desafio e me supero a mim própria, por exemplo.

 E diz-me: o que é o Arquivo?

 Eu creio que o arquivo é, efetivamente, um conjunto de memórias, que podem assumir, tal como o próprio arquivo, vários formatos e apelar a diferentes regimes semióticos. Mas a verdade é que cada vez mais, essencialmente devido ao impacto da tecnologia e do digital, a captação de memórias e a criação de arquivos vão sendo potenciadas, surgindo de maneiras muito distintas. A possibilidade de captação e “armazenamento” de memórias faz com que surjam vários pequenos arquivos, que, apesar de efetivamente existirem e serem muito claros para nós, não são identificados como arquivos, talvez por termos uma visão muito institucional do que é um arquivo. Creio que a própria proposta do ciclo de encontros O que é o arquivo? é fazer-nos despertar para esta reflexão sobre o que é, hoje, um arquivo, que é uma pergunta que acaba por assumir contornos complexos devido ao impacto da tecnologia. 

Qual é a tua memória mais antiga?

 É interessante porque a ideia de memória é algo em que tenho vindo a pensar mais conscientemente, provavelmente por ser tantas vezes questionada sobre o que é o arquivo. Acho que estamos cada vez mais rodeados de memórias, de recordações, que vão reavivando a nossa própria memória, mas também modificá-la, questioná-la. Tornou-se muito complicado para mim distinguir as memórias que tenho porque, de facto, me chegaram naturalmente através da lembrança, e aquelas que tenho porque mais tarde as revi, através de fotografias e vídeos. É claro que estes meios também me ajudaram num exercício de relembrança, como quando olhamos para uma fotografia e nos lembramos de tudo o que aconteceu naquele instante. Se o conceito de arquivo é modificado com o digital, o de memória também o é, o que torna muito difícil definir e identificar o que é uma memória natural ou qual a memória mais antiga, acho que todas ou quase todas me chegaram através de um processo de relembrança. Mas tenho muitas memórias antigas dessa captação do momento, de ser filmada, essencialmente, pelo meu pai.

 E o teu lugar predilecto?

Curiosamente, os arquivos de memórias. Talvez porque a História, como disciplina, e as histórias, a partilha de memórias, do passado, sempre me suscitaram um certo interesse e curiosidade, quer em termos académicos como pessoais – essa necessidade de repensar o que aconteceu para se entender o presente. Estes arquivos de memórias encontram-se nos lugares mais simples e óbvios como os livros, os museus, os próprios arquivos, mas estão também dentro de nós, na memória e na lembrança.

Fala-me de algo de que te orgulhes.

Honestamente, não sei. Se, por um lado, existem pequenas coisas muito simples que me vão fazendo alimentar um certo orgulho – pequenas conquistas, que em grande medida acabam por servir de incentivos-, não me parece que haja, de facto, “algo” que me faça sentir particularmente orgulhosa. Creio que sou demasiado exigente, comigo e com os outros, para conseguir identificar algo em especial que me faça sentir orgulho, mas também facilmente valorizo pequenas coisas muito básicas – a maneira como me desafio e me supero a mim própria, por exemplo.

 E diz-me: o que é o arquivo?

 Eu creio que o arquivo é, efetivamente, um conjunto de memórias, que podem assumir, tal como o próprio arquivo, vários formatos e apelar a diferentes regimes semióticos. Mas a verdade é que cada vez mais, essencialmente devido ao impacto da tecnologia e do digital, a captação de memórias e a criação de arquivos vão sendo potenciadas, surgindo de maneiras muito distintas. A possibilidade de captação e “armazenamento” de memórias faz com que surjam vários pequenos arquivos, que, apesar de efetivamente existirem e serem muito claros para nós, não são identificados como arquivos, talvez por termos uma visão muito institucional do que é um arquivo. Creio que a própria proposta do ciclo de encontros O que é o arquivo? é fazer-nos despertar para esta reflexão sobre o que é, hoje, um arquivo, que é uma pergunta que acaba por assumir contornos complexos devido ao impacto da tecnologia.

Entrevista por Gil Sousa