A Cláudia Ferreira Henriques é a nossa autoridade local no litoral do país, que dessa zona percebe ela ;-)

Na Revista Gerador de Março, fala-nos da Ana Morais, uma “mãe, ex-jornalista, apaixonada por fotografia e pelo CASULO”. A Ana Morais é artesã mas, até chegar aqui, passou pela rádio, pela televisão, lançou o blog Tapas na Língua e escreveu em vários meios. O Macramé, a arte de tecer fios apenas com os dedos, apareceu durante a licença de maternidade. E nunca mais se foi embora ;-)

Casulo, porquê?

Porque comecei a criar em casa, no meu casulo. E porque depois do casulo, quando a peça ainda está em bruto a ser concebida, vem a borboleta, a peça final. ;)

Para quem não conhece, o que é o macramé?

É a arte de ornamentar com nós e surgiu, na minha vida, porque eu adorava peças em macramé e cá em Portugal não havia nada do género. Sendo uma “arte” pouco explorada, tive de começar a aprender de uma forma autodidacta e a criar peças para a minha própria casa. Daí a começar a criar para os outros, foi um passinho.

Qual foi a peça ou colecção que mais gozo te deu fazer?

De todas foi a espiral gigante e os casulos para a montra da Hèrmes, em Lisboa.

As pessoas compreendem a real dimensão do teu trabalho ou para elas são “apenas uns nós com uns fios”?

Penso que compreendem. O meu trabalho baseia-se num processo criativo, com vários materiais e matérias-primas. Se bem que lá fora as pessoas estejam mais sensibilizadas para o valor do trabalho manual e criativo.

O teu Casulo tem pronúncia do Norte. O que é que torna esta pronúncia tão especial e única?

O Norte inspira-me, em especial o Porto. A cidade tem uma vida e uma vibração muito humana e especial que me faz sentir bem. Se te sentes bem, crias melhor e fazes melhor. A matéria-prima que utilizo é Nacional e do Norte. É muito importante para mim.

Entrevista pela Cláudia Ferreira Henriques, a nossa autoridade local no litoral.

Ilustração da Lara Luís