Se há coisa com bichos carpinteiros é a moda. Lá parada é que ela nunca fica. E até é matreira, que às vezes parece nova, mas quando vamos ver foi repescada do baú da avó ou daquelas fotos dos anos 70, que estão nos álbuns mais escondidas da prateleira. Mas gerações à parte, afinal, o que é que vai estar sempre na moda? Será esse o elixir da juventude?

O funeral dos all-star foi sempre num caixote do lixo por onde as pessoas passavam e olhavam com desprezo. Quem não trocou os ténis pelos sapatos ou pelas botas? E ainda bem, dizemos nós. Quem não devia uma metamorfose a si mesmo e à poderosa imagem que teimava esquecer-se atrás de jeans e camisas sem piada, ou com os ténis que se usavam nas aulas de educação física? Foi nesse momento que nasceu o verdadeiro “eu”, qual a fénix em ascensão ao céu.

O ingressar na faculdade foi o momento chave na mudança do estilo, deixando os looks aborrecidos de lado. Há quem possa pensar que são apenas devaneios, mas o ego que nos acompanha até hoje continua a rejubilar.

Tem de se arranjar forma de abafar o som da voz da consciência que teima em dizer nada mais que a verdade mas que mói o juízo a torto e a direito sobretudo quando essa veia se põe a falar sobre moda quase como se o peito se inflamasse e fosse conquistar o mundo, como se segurasse o mundo nas mãos. Em jeito opinativo e os laços nas camisas, ou as fitas na cabeça, esta geração foi mordida sem o antídoto, pelo bichinho das artes e por todas as suas formas de expressão e os sapatos marcam essa mudança.

A moda passa por transformações todos os anos. O que foi tendência há algum tempo, pode tornar-se algo muito ridículo algum tempo depois, mas há grandes chances de voltar a ser adorado no futuro.

Tanto que muitas tendências dos anos 80, como as cores garridas, o néon, o mix de padrões ou os ombros bem pronunciados ficaram, para o bem e para o mal, presentes na moda. Os anos 90 com o grunge forever eternizado por Kurt Cobain, com a camisa lenhador ganha agora novas abordagens através da mistura de padrões e a atitude dá o toque final ao look.

No entanto, existem tendências que são um tanto bizarras e a que poucas pessoas aderem, ou talvez não, porque muitas vezes há celebridades que as adotam e essas tendências chegam ao mundo inteiro e a maior parte das vezes da pior forma.

Lembro-me particularmente do caso das leggings, ou as mum jeans, de cintura alta (acima do umbigo) com um crop top em renda, sem combinar já estava a fazer o “pendant” no outfit, que facilmente as encontramos na geração Millennials, por isso quem nunca errou atire a primeira pedra: mea culpa mea culpa.

A moda consegue sempre surpreender-nos, com ela vêm sempre coisas diferentes e por vezes até quebra regras. O conceito de mistura do desportivo com o casual é tendência, veja-se por exemplo o caso da combinação chinelo com a meia que antigamente era malvisto e até ridicularizado e agora é um must-have.

A tendência tropical chegou e instalou-se. E quem acha que os padrões havaianos e florais são só para mulheres, que se desengane, que a moda tem vindo a provar o contrário. A verdade é que até os homens mais discretos já as optam por usar.

Nunca houve qualquer tipo de lista de verificação ou receita para o que faz um ícone estranho: uma figura de cultura pop tende a ser abraçada durante um período de tempo sustentado.

Quando a maioria de nós pensa em ícones de moda, é possível que pense na Cher, Madonna, Brookie Shields ou nas mais recentes Kendall Jenner, Gigi Hadid, Bella Hadid ou até na Taylor Swift, que é indiscutivelmente a maior estrela pop do mundo, segundo o Instagram.

À medida que a cultura da internet se desenvolveu, dando-nos todo o acesso a mais conteúdo, mais gifs, mais memes, torna-se mais fácil e rápido para todos os tipos de novos ícones serem estabelecidos.

A moda é cíclica e, como tal, começa a haver pouca imaginação, para se ser diferente e único, as pessoas já não têm muitas opções. Como resultado, começam a ir buscar ideias ao passado e ao que é estranho e a inventar as suas próprias tendências e, a estas, chamam-lhes de “influencers”.

Quem não se lembra da cesta redonda tipicamente portuguesa, da fruta da avó, que agora é usada como mala, é só ver as contas de Instagram das it girls e lá estão as cestas. A minha querida avó tinha uma dita cesta em verga que serviu de fruteira na mesa da cozinha anos e anos, até um dia a roubar para mim, agora até lhe dão um nome fancy: Birken Bag e todas as influencers e as bloggers e as miúdas a seguir nas redes socais têm a sua.

Sei que a cesta lhe custou uma “tuta-e-meia”, na altura, numa feira de artesanato no Algarve. Agora podemos encontrá-las à venda na internet facilmente por 200 euros. Não percebo bem a inflação do preço, mas a verdade é que para custar esse valor alguém está disposto a pagar por ela, o que para mim é na verdade muita fruta para uma cesta.

Sinceramente, cliché ou não, acho que não se deve usar a primeira coisa que se encontra no armário, ter uma imagem cuidada é meio caminho andado para causar uma boa impressão, mesmo que aparente um look completamente desconjuntado. Mas a opção mais segura para se ter estilo é ser-se sempre jovem, ter atitude e confiança, e isso sim é o que vai estar sempre na moda.

 

Por Sara Bandida, a ladroar peças de roupa da avó desde sempre

Fotografias da Andreia Mayer

Esta reportagem faz parte da Revista Gerador de setembro. Podes comprá-la aqui.