Estas são as escolhas de ROQUE, músico português que lançou um álbum com o mesmo nome há poucos meses. “Sul” é uma música que ganhou vídeo no início deste ano. :)

Mesclado por ROQUE

Carlos Paredes – Verdes Anos

Uma obra-prima. A interpretação do Carlos Paredes, o sentimento com que ele tocava a guitarra portuguesa, é uma coisa de outro mundo.

Jorge Palma – Jeremias, o Fora da Lei

O Jorge Palma é dos cantautores portugueses que mais gosto, desde sempre. Das baladas mais introspectivas aos temas mais folk e rock, o Palma sabe compor canções como poucos!!! A liberdade métrica e a prosódia de algumas letras dele sempre me fascinaram, nomeadamente esta do Jeremias. A letra é hilariante e a música transporta-me para um saloon do faroeste com o Palma a cantar e a tocar piano a um canto. Está no “Só”, um disco incrível recheado de boas canções.

Rui Veloso – Conceição

Quando era miúdo a minha mãe mostrou-me a colecção de vinis lá de casa e uma noite ficámos a ouvir o álbum Mingos & Samurais de fio a pavio. Desde então que gosto do Rui Veloso e esse álbum duplo sempre me cativou porque cada música é um pedaço da história cronológica dessa fictícia banda de província (Mingos & Samurais). Um autêntico retrato da adolescência em Portugal nas décadas de 60/70: amores, desamores, bailes da paróquia, camaradagem, tropa e guerra colonial. Letras soberbas do Carlos Tê! Este tema é extremamente bluesy, sensual e arrastadão.

Sérgio Godinho – O namoro

Na realidade este tema é do Fausto e o poema do Viriato da Cruz, mas gosto especialmente deste arranjo presente no “De Pequenino se Torce o Destino” do Sérgio Godinho. Conta com o próprio Fausto a tocar guitarra e o pequeno grande pormenor do glockenspiel dá-lhe uma dimensão muito etérea. A letra é fabulosa.

Ornatos Violeta – Bigamia

Conheci a música dos Ornatos tardiamente, mas ainda fui a tempo de vê-los ao vivo. Mas que grande banda! Adoro os dois álbuns, cheia de grandes canções e grandes malhas de rock. Este tema faz-me querer dançar descontroladamente (é a única forma que sei, de qualquer modo), e é o único tema que conheço que refere a palavra “alalia”.

Maria João & Mário Laginha – Um Amor

Esta canção é sublime. O Gilberto Gil canta-a a meias com a Maria João e parece que estão a dançar um tango com as vozes. Está no maravilhoso álbum “Chorinho Feliz” que conta com outras participações de peso: Lenine, Toninho Horta, Nico Assumpção, e muitos outros craques.

José Afonso – Redondo Vocábulo

Gosto muito deste tema, super denso e escuro. Lindo. Com o também enorme José Mário Branco no piano, que colaborava frequentemente nos discos do Zeca.

Clã – Problema de Expressão

Conheci inicialmente os Clã através das versões que eles fizeram do “Bairro do Oriente” do Rui Veloso e do “Conta-me Histórias” dos Xutos & Pontapés, em álbuns de aniversário desses artistas. Desde logo despertou-me o interesse a sonoridade moderna e “sofisticada” da banda. Gosto muito dos arranjos e da produção das músicas de Clã, e a Manuela Azevedo é uma super-mulher, claro.

O “Problema de Expressão” tem uma letra fabulosa do Carlos Tê, um mago das palavras.

Carlos Bica – Azul é o mar

Este tema fantástico está no disco de estreia de 1996 do trio “Azul”. Foi das primeiras bandas de jazz que (ou)vi ao vivo e adorei!

Vi-os há muito pouco tempo e a energia da banda continua contagiante. O Carlos Bica (contrabaixo), o Frank Mobus (guitarra) e o Jim Black (bateria) são três craques e gosto muito de outros projetos paralelos de cada um deles.

Dead Combo – O Assobio (Canção do Avô)

É o tema mais novinho da lista, apesar de já ser de 2006. Gosto muito da estética dos Dead Combo, é um projeto muito interessante com um conceito muito forte e definido. O Tó Trips e o Pedro Gonçalves estão sempre “in-character” a representar não só a música mas também aqueles dois personagens específicos da banda. A música dos Dead Combo é uma mescla de influências, desde Fado, música “Spaghetti Western Ennio Morricone Style”, música africana, etc. Esta Canção do Avô tem uma parte da melodia que faz lembrar um amolador, e é tão bom.