Manel Cluny é um DJ nascido em Lisboa e residente em Berlim. Foi aí que teve as suas primeiras actuações públicas e é onde toca frequentemente em alguns dos mais famosos clubs, como Sisyphos, Rummels Bucht, Salon zur Wilden Renate, entre muitos outros. As diversas influências musicais que teve tornaram-no um DJ versátil que gosta de se adaptar às pistas de dança em que toca sem nunca comprometer a sua identidade musical.  Em 2018 obteve a sua primeira residência no Burg Schnabel, um club em Berlim.

Foi ao Manel que coube a responsabilidade de fechar a pista de dança da Festa dos 25 Anos do Centro Cultural de Belém, no passado dia 10 de julho. Para matar saudades, deixamos-te uma seleção das 10 músicas que mais inspiram este artista:

Zeca Afonso – Canto Moço (1970)

É difícil fazer uma lista de música de autores portugueses sem ter uma música de Zeca Afonso. Músico, compositor, cantor e opositor do regime: Tem tudo para ser um dos nossos maiores artistas de sempre.

António Variações – O Corpo é Que Paga (1983)

Sempre gostei de António Variações. Foi um daqueles artistas que estava 20 anos à frente no tempo em relação ao resto de Portugal. Após viver 5 anos em Berlim, muitas vezes penso em como ele se encaixaria bem aqui.

Heróis do Mar – Paixão (1983)

Eu tenho uma paixão pelos anos 80. Foi uma década crucial para a música eletrónica. Esta música, dos Heróis, do Mar representa tudo o que eu gosto na música dessa época: sintetizadores, batida rítmica, coros, etc..

Táxi – Cairo (1982)

Tal como na música anterior, adoro a vibe de anos 80 desta música. Mas no Cairo aprecio especialmente a bateria com toques de punk. Os Táxi foram para mim uma das melhores bandas da sua década.

Sitiados – Outro Parvo no Meu Lugar (1999)

Há uma coisa que admiro nos Sitiados (e no António Variações): a sua capacidade de fazer música moderna (e intemporal) utilizando música tradicional portuguesa. Esta faixa dos Sitiados reflete o que há de melhor na música tradicional portuguesa. E uma palavra de apreço para João Aguardela que foi um dos grandes génios da música portuguesa.

Radio Macau – A Vida Num Só Dia (1985)

Ainda hoje fico surpreendido com esta música. Já tem 33 anos e podia ter sido lançada hoje.

Ornatos Violeta – Chaga (1999)

Demorei muito tempo para escolher qual a música de Punk que iria colocar nesta lista. Havia muitos candidatos, Xutos, Tara Perdida, Peste e Sida, etc… Mas escolhi esta faixa de Ornatos Violeta porque o álbum desta música é fantástico (embora não seja um álbum tipicamente punk) e, assim, pode ser que alguém que os desconheça, os descubra agora através desta música.

Chullage – Rhymeshit Que Abala (2001)

A minha introdução ao hip hop português foi feita através de Black Company, Da Weasel e Mind Da Gap. Mas quando ouvi pela primeira vez esta música do Chullage, a minha visão do Hip Hop nacional mudou. O flow dele, a agressividade, a emoção com que “rappa” e os temas marcaram-me. Intemporal.

Valete – Anti Heroi (2006)

Eu sempre gostei de Hip Hop, mas achava que podia ir mais longe na sua mensagem política. Valete foi a resposta a essa minha procura. Se alguém me perguntasse “Quem é o Valete?” só precisava de lhes mostrar esta música.

Remotion – Pulsar (Original Mix) (2016)

Não podia fazer esta lista sem uma faixa de música eletrónica.
Remotion é um duo de DJs naturais do Porto, a produzir música que é tocada nos grandes dancefloors de todo o mundo. Fartei-me de tocar esta malha deles nos últimos dois anos em Berlim, ainda hoje é uma daquelas bombas que compõem imediatamente um dancefloor pela sua vibe e groove positivos!

 

“O meu gosto musical foi muito influenciado pelo que ouvia em casa. Ainda hoje os meus períodos musicais preferidos são as décadas de 60, 70 e 80. É talvez por isso que 60% da minha seleção vem dessas épocas. No entanto, na minha juventude o Punk e o Hip Hop começaram a ter um lugar especial, nas minhas preferências musicais. Tudo isto tem uma enorme influência no estilo de música eletrónica que toco. Nesta lista tentei selecionar as músicas que mais me marcaram e que ainda hoje oiço frequentemente.”

O Gerador é parceiro da Festa dos 25 anos do CCB.