A irreverência, virtuosismo e contemporaneidade da viola d’arco de José Valente definem um percurso artístico elogiado pela crítica e evidenciado pelos inúmeros projetos de carácter diversificado em que se tem envolvido. Dotado de uma linguagem única, o violetista explora os limites do seu instrumento aplicando na sua obra uma intensa e articulada simbiose de estilos musicais, raramente associáveis ao repertório tradicional para a viola d’arco. Num altura em que prepara a edição de um novo disco, o espetáculo que apresenta combina o seu reportório anterior com algumas novas explorações.

Descobre as músicas que o inspiram:

Lavoisier – Vira
Esta dupla parte a louça toda ao vivo e em estúdio. É um prazer colaborar com eles – são extremamente genuínos, trabalhadores e tem algo de relevante para dizer.

José Mário Branco – Nem Deus nem Senhor
Um bom exemplo de perseverança artística e estética. Este herói nacional continua a alimentar o desassossego, mesmo depois da revolução. Esta obra para orquestra e coro foi composta na totalidade pelo Zé Mário.

Bruta – Amor à doida
Ainda bem que Deus se chama Ana.

Ricardo Rocha – Irradiante
O melhor guitarrista português na actualidade que continua a tentar modificar o paradigma musical da guitarra portuguesa depois de Carlos Paredes.

António Pinho Vargas – concerto para violino (3º e 4º andamentos)
O 4º andamento deste concerto – um lamento que surge depois da euforia e que arrebenta comigo emocionalmente. É uma excelente composição. Tenho muita estima pelo António Pinho Vargas. Pela sua amizade, pelo seu percurso e sobretudo pela sua atitude.

Constança Capdeville – Libera Me
O Zappa dizia que qualquer som pode ser música. Eu concordo.

Mário Laginha – A menina e o piano
Uma situação musical ternurenta e bela, provocada por um perfeito entendimento entre dois grandes pianistas.

Aldina Duarte – Casa do Esquecimento
Uma excelente voz. Um excelente poema. Uma excelente canção. Uma canção que não obedece o modelo previsível do fado e que não perverte a tradição.

Angela da Ponte – Paradox OUVE AQUI
Uma peça muito clara no ponto de vista expressivo e virtuosa na composição.

The Rite of Trio
Um grupo disponível a arriscar e que rasga com a sua autenticidade. Estes rapazes dão-me esperança no futuro musical português.

José Valente integra a programação do Tremor, experiência musical no centro do Atlântico (São Miguel, Açores) que acontece de 20 a 24 de Março de 2018.

Fotografia por Lauren Purkey