A Sara Nazaré, a nossa autoridade local em Lisboa, falou-nos na Revista Gerador de Maio sobre o Caio, “incansavelmente um pequeno grande músico a ter debaixo do ouvido!”. Descobre aqui a conversa entre os dois ;-)

O Infinito é uma coisa incansável 

Tens alguma causa que mereça ser defendida?

Acho que todas as causas que beneficiam as pessoas à nossa volta (incluindo nós próprios) e que nos possibilitam viver num mundo melhor merecem ser defendidas independentemente do custo que isso às vezes tem, mas se me pedires uma causa mais atual acho que devíamos refletir um bocado nos conflitos que temos mundialmente, defender a compaixão e não tornar a guerra numa coisa inevitável. Como dizia o John Lennon, “make love, not war“.

E como vês a tua geração? É uma geração culturalmente atenta e envolvida?

Acho que de parvos não temos nada e temos cada vez mais vontade de fazer as coisas acontecer. Cada vez mais tenho conhecido pessoas culturalmente atentas ao que se passa hoje em dia e com vontade de fazer a diferença.

Disseste-nos que a tua maior inspiração é o José González, mas que nunca o tinhas conseguido ver ao vivo. Agora que viste, ele é efetivamente a “janela” (para outras coisas) que dizias ser?

Sim, acho que é o artista que teve mais impacto na maneira como interpreto o meu dia-a-dia e ajudou-me a crescer bastante como músico e artista. É uma “janela” no sentido em que me ajudou a encontrar o meu caminho como músico.

Gostavas de ser a inspiração de alguém ou sentirias demasiado o peso da responsabilidade (será que somos efetivamente “responsáveis por aqueles que cativamos”)?

Ah! Claro que gostava! É sempre bom ver o nosso trabalho reconhecido e a tornar-se intemporal. Acho que não somos responsáveis por aqueles que cativamos porque as pessoas querem sempre deixar o toque pessoal nas coisas e fazer a diferença. Acho que as influências servem de porta para uma nova percepção das coisas, não como uma responsabilidade.

Em que is gostarias de pôr os pontos?

Como já disse na primeira pergunta, gostaria que o mundo não olhasse tanto para o seu umbigo e que pensasse mais nos outros; que houvesse mais compaixão entre as pessoas, o que consequentemente iria desencadear menos conflitos.

Entrevista por Sara Nazaré, a nossa autoridade local em Lisboa

Ilustração por Rosário Pinheiro