Esta semana, nos Sentidos da Música, a Ana Isabel Fernandes esteve à conversa com o Filipe Sambado ;-)

 Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Às vezes ajuda outras vezes atrapalha. Se pensas demais, desvias-te da fugacidade que importa no ímpeto e na urgência. Se não pensas, ficas pela rama da emoção

 Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

São várias as canções que mexem comigo ou que me fazem mexer

 E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

As que tocam na memória. Sejam elas uma, façam lembrar ou, na sua novidade, carreguem esse peso.

Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

É palpável. Só não o é sensorialmente, mas figurativamente é-o como uma imagem, um cheiro ou uma refeição. Se a relacionarmos com beijos e abraços torna-se ainda mais

Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Não concretamente. Não escrevo sobre a memória, uso-a enquanto consciência. Mais depressa escolho imagens do.momento. Prefiro criar relações entre o agora e o que acho, e mostrá-las como as quero ver, ou como quero que sejam, em função de mim.

Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

Não sei qual é o cheiro que mais me importa, mas um que recordo é o do quarto do hospital, quando a minha tia foi internada para uma séria intervenção aos intestinos. Essa memória não tem música.

Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Nos filmes funciona… eu não vivo assim, mas gosto de fingir que sim.

 

Entrevista por Ana Isabel Fernandes

Foto de Raquel Serra