Esta semana, nos Sentidos da Música, a Ana Isabel Fernandes esteve à conversa com o Pedro Zina dos Cave Story ;-)

Para se evocar um sentimento ou uma emoção através da música, o lado racional pode atrapalhar ou, pelo contrário, ajudar?

Não atrapalha nem ajuda, o lado racional é importante para o sentimento, assim como o sentimento é importante para o pensamento. No entanto, esta balança acaba quase sempre desequilibrada, e ainda bem.

 Qual é ou quais são as músicas que fazem o teu corpo mexer?

Tantas. Neste preciso momento “Teenage Witch” do John Maus.

 E aquelas que te conduzem a um estado de espírito imediato?

“Volvo to a Kiss” dos Teenage Cool Kids. Leva-me a uma auto-estrada francesa, feliz por estar rodeado dos meus amigos, a caminho de um sítio novo onde vamos tocar.

 Achas que o facto da música ser invisível, não palpável, ajuda-a a ser mais intuitiva e, por conseguinte, ter uma outra relação com a nossa consciência?

Para alguém com sinestesia não é invisível e não me parece que seja menos intuitiva. Para mim toda a arte, seja ela palpável ou não, é algo de muito imediato ao ser humano.

 Já te aconteceu pensares numa imagem, num ambiente específico ou espaços enquanto compões?

Sim, pode acontecer. Também pode acontecer esse pensamento surgir depois da música estar feita —  atribuires algo à música e surgir o “ah pois, isto encaixa na perfeição”.

 Se pudesses desenhar e pintar a tua música, como seria e que cores teria?

Não sei. Posso experimentar para ficar a saber.

 Pensa no cheiro mais importante para ti, aquele que ficou na tua memória. Que música lhe associarias?

“God Only Knows” – Beach Boys

 Achas que a música pode ser um bom veículo para fixar e guardar memórias?

Sem dúvida, é um veículo de memórias impressionante. No outro dia, ouvi por acaso uma música de Offspring e de repente estava em ’99, num Fiat Uno com os meus pais e irmãos a caminho da praia Supertubos em Peniche.

 

Entrevista por Ana Isabel Fernandes

Foto de Manuel Simões