Frederico Amaral, ator, é natural da ilha de São Miguel e em 2002 decidiu formar-se em Interpretação, no Porto. Deste então, já conta com várias peças no seu currículo, fez parte do elenco de várias telenovelas e séries e já fez cinema. Também tem interesse na área da realização.


Num dia frio e ventoso encontramo-nos junto ao CCB. Vamos para o jardim da Praça do Império, em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, e encontramos um banco de mármore ao sol, onde nos sentamos na esperança de aquecer o esqueleto à medida que jogamos. Já com o pensamento nos pastéis de nata, que estão mesmo ali à mão de semear, começo a explicar as regras do jogo. O Frederico lança o dado e avança 4 casas. Fomos parar ao Sê Criativo, a casa que lança um desafio que o convidado tem de resolver de forma criativa.

Sê Criativo: Muahahahah Hora do desafio!!!

Andreia Monteiro (A): Começamos bem! Tenho aqui um desafio preparado para ti. Tenho aqui um poema – Terra do meu orgulho, de Raposo de Oliveira – e desafio-te lê-lo com sotaque açoriano e a interpretá-lo da forma que quiseres.

Frederico Amaral (F): Está bem, que giro!

Podes ver a leitura do Frederico neste vídeo:

F: Não conhecia este poema.

A: Eu também não. Fui procurar poemas sobre os Açores, descobri este e achei engraçado, porque falava de São Miguel.

F: Muito giro, sim senhor.

O Frederico volta a lançar o dado que rola banco fora, mas nada está perdido! Avançamos duas casas indo parar à casa da Pergunta Rápida, onde temos cartas com perguntas de sim ou não que têm de ser respondidas sem pensar muito.

Pergunta Rápida: Primeiro o leite ou os cereais?

F: O leite.

A: Também eu. (risos) Mas há quem não perceba isso.

Seguimos para a próxima e avançamos 6 casas chegando à Carreira, onde as cartas revelam perguntas sobre a vida profissional do artista.

Carreira: Qual foi o teu primeiro trabalho?

F: O meu primeiro trabalho profissional foi aqui em Lisboa. Uma peça de teatro que estreou em 2005, o “1755 – O Grande Terramoto”.

A: E gostaste?

F: Gostei muito! Foi a minha primeira grande aventura. Eramos imensos atores, uns 36. Eram muitos atores da nossa praça, o que foi bom porque deu para aprender com eles. Foi um primeiro grande arranque e correu muito bem.

A: Boa!

Vamos então continuar! 4 casas à frente e chegamos a uma Pergunta da Sorte, em que posso fazer a pergunta que escolher na altura.

Pergunta da Sorte: Quem é o Frederico Amaral fora do ecrã e do palco?

F: Quem é o Frederico Amaral… Olha, sou um tipo porreiro (risos). Gosto de viver a vida, sou apaixonado por tudo, pela minha terra, pelas pessoas que eu amo. Se calhar é melhor tirar os óculos de sol, que é mais puro (risos). Gosto de fazer o bem, de trabalhar, de ser ator. Gosto da minha família, dos meus filhos e da minha mulher (risos).

De seguida o dado manda-nos avançar 2 casas, indo parar ao número 18, onde nada acontece. Voltamos a lançar o dado e, 5 casas à frente, vamos parar à casa do Pessoal, onde as cartas fazem perguntas sobre a vida pessoal do artista.

Pessoal: Qual foi a coisa que te disseram que mais te marcou até hoje?

F: Ai…. Olha talvez tenha sido o meu pai quando me dava na cabeça, porque eu não queria fazer as tarefas em casa e tudo isso, que me disse: “Qualquer dia eu morro e não estarei cá para te ajudar”. E realmente, passado pouco tempo ele morreu. Nunca mais me esqueci dessa frase.

A: Parece que adivinham.

F: Pois, é verdade.

O Frederico volta a lançar o dado e avança duas casas indo parar a mais uma Pergunta da Sorte.

Pergunta da Sorte: Qual é a melhor recordação que tens da praia Vinha D’areia?

F: A melhor recordação é quando eu era mais ou menos pequenino e a praia ainda era virgem, digamos assim. Não tinha levado as obras que levou até hoje. Aquilo era tudo em cana, a praia era ligeiramente mais pequena. Parecia tudo mais puro do que hoje em dia. Meteram lá um parque aquático, que agora também já não funciona. Tenho esta memória de ir para lá com a minha mãe, o meu pai, o meu tio-avô, que estava sempre lá de manhã, e com os meus tios. Passei a maior parte da minha infância nas brincadeiras de mar. É essa a recordação que eu tenho.

O Frederico olha para mim como quem pergunta se podemos continuar. Bora para bingo, ou melhor dizendo, para a casa da Pergunta Rápida, que é para onde o dado nos manda, 4 casas à frente.

Pergunta Rápida: Carne ou peixe?

F: Carne.

A: Por acaso, pensei que me responderias peixe.

F: Também gosto de peixe, mas eu sou muito mais carnívoro. Tenho mais prazer em comer carne (risos).

Agora o dado diz-nos para avançar três casas, indo parar ao número 32, onde nada acontece. Duas casas à frente e voltamos a calhar num número, o 34.

A: Estamos com azar (risos).

Agora sim, o senhor dado decide colaborar connosco e manda-nos avançar três casas, indo para mais um Sê Criativo.

Sê Criativo: Pensa no teu maior defeito. Agora desenha-o e eu adivinho qual é.

F: Ai! Desenha… e eu sou tão mau em desenho (risos).

A: Parece que vou ter dificuldade em adivinhar…

F: Como é que eu vou desenhar isto? Bem… Como é que se desenha este defeito?

O Frederico hesitou, mas por entre risos lá conseguiu desenhar o seu maior defeito. Este foi o resultado final:

Desenho do maior defeito, por Frederico Amaral

F: Não sei se vais conseguir adivinhar.

A: Vou dando palpites e vais-me dizendo se sim ou não. Isso é um espelho, que ele está a agarrar?

F: Não, não. É como se fosse uma coisa com picos.

A: Tens macacos na cabeça? Aquela expressão que se costuma usar.

F: Não.

A: Essa pessoa está chateada?

F: Sim.

A: És vaidoso?

F: Não. É mais ao contrário. Uma coisa mais negativa.

A: Preocupas-te demasiado com as coisas?

F: Sim, é isso. Os meus pensamentos destroem-me muito. É mais nesse sentido.

A: Uma questão de baixa autoconfiança.

F: Sim, também pode ir por ai. São várias coisas (risos). Foi o desenho que eu achei que poderia representar o defeito.

A: Ah, mas está fofinho!

F: Está fofinho? (risos) Epah, eu e o desenho…

A: Não são muito amigos?

F: Zero (risos).

Mais uma vez o dado prega uma das suas partidas e, 1 casa à frente, leva-nos ao número 38 onde nada acontece. Voltamos a lançar o dado e avançamos uma casa, novamente, chegando a uma Pergunta Rápida.

Pergunta Rápida: Doce ou salgado?

F: Doce. Quer dizer, eu gosto dos dois. Mas sim, doce.

A: Qual é o teu doce favorito?

F: Sericaia.

A: Hum, tão bom!

Mesmo com água na boca o jogo não para e duas casas à frente chegamos a outra Pergunta da Sorte.

Pergunta da Sorte: Se “sair da ilha é a pior maneira de ficar nela”, o que te levou a sair de lá?

F: Foi para descobrir novos horizontes. Para vir estudar e perceber o que queria fazer na minha vida. Depois descobri que voltar seria difícil, porque descobri a profissão de ator. Se quero trabalhar como ator, tenho de trabalhar cá. Quer dizer, não tenho de trabalhar cá, mas pelo menos é aqui que tudo acontece. É onde criei as minhas raízes, onde estou a criar a minha família. Mas é uma coisa que mexe muito comigo.

A: Então não sabias, à partida, que vinhas para cá ser ator?

F: Fui estudar para uma escola de teatro, portanto era perigoso. Podia acontecer (risos). Aconteceu, foi uma decisão que tomei. Mas sofro com isso, porque a ilha está sempre a chamar-nos. É difícil de explicar, mas neste momento é isto que eu quero e depois logo se vê, mais tarde.

Já perto do final o dado faz-nos avançar 5 casas.

F: Isto assim anda muito rápido.

Chegamos a outra Pergunta Rápida.

Pergunta Rápida: Rápido ou devagar?

F: Ah… depende das situações, mas devagar.

A: Dá para saborear melhor.

F: Sim!

Agora andamos 1 casa, chegando ao número 47. Nada acontece. Cada vez mais perto da casa final avançamos 3 casas e temos tempo para mais uma Pergunta da Sorte.

Pergunta da Sorte: Como é que perdeste o teu sotaque? Foi fácil?

F: Não foi fácil. O processo começou na escola, onde fui obrigado a trabalhar o sotaque para, pelo menos, ter duas opções (ter sotaque e não ter). Foi um processo rápido, em 3 anos consegui. Foi escutar muito, ouvir as pessoas a falar, para começar a perceber qual era o som. Mas não foi difícil, porque também não tinha muitos açorianos comigo e convivia muito com os meus colegas. Devagarinho fui conseguindo.

O Frederico olha para o tabuleiro. Faltam 4 casas para chegarmos à Casa Gerador.

F: E agora? Se isto sair por aqui a fora?

A: Se isso acontecer ficas logo na casa Gerador.

O dado manda avançar 4 casas.

A: Bem, que pontaria! (risos)

Chegamos à casa Gerador! Esta é casa final do jogo, onde o entrevistado responde a uma pergunta do convidado anterior e deixa uma pergunta para o próximo. Ainda se lembram da pergunta do Albano Jerónimo? “O que é que te faz falta?”. Podes rever a pergunta do Albano aqui.

Vê o vídeo em baixo para saberes qual a pergunta que o Frederico deixou para o próximo convidado da Pergunta da Sorte! Vemo-nos em breve! ;-)

Entrevista por Andreia Monteiro