“Germinal”, uma exposição sobre a coleção de Pedro Cabrita Reis, e “Pan African Unity Mural”, de Ângela Ferreira, ambas no MAAT (Museu de Arte Arquitetura e Tecnologia), em Lisboa, estão a partir de amanhã, dia 28 de junho, de portas abertas ao público. São ao todo 3 grandes salas com dezenas de instalações de vídeo, escultura, pintura e murais, que nos remetem para temas como a identidade de género, a identidade multicultural e a perseguição política no Apartheid.

Mais do que uma coleção com valor de mercado e de investimento, “Germinal”, com curadoria de Pedro Gadanho e Ana Anacleto, pretende ser “representativa dos novos valores que emergem na arte”, de acordo com Pedro Cabrita Reis, um dos olhares mais atentos sobre aquilo que de novo se faz no âmbito artístico em Portugal. Em 2015, decorriam as negociações entre a Fundação EDP e o artista para a compra da sua coleção pessoal, e uma das “exigências” para avançar com a mesma era a garantia de visibilidade das peças adquiridas. Dar a mostrar. Volvidos 3 anos, cumpre-se essa vontade com a apresentação de uma parte dessa vasta coleção – 40 peças de um total de 400! -, que reúne o trabalho de artistas com quem o pintor se cruzou, dos quais alguns chegaram a ser seus assistentes, como Hugo Caçoilas, outros que já estão fora do meio da criação artística e seguiram outras carreiras, caso de Ana Pinto. A ideia-base, essa, tal como o nome sugere, é a de dar a mostrar aquele que foi o germinar, ou o florescer, dos novos olhares de jovens artistas em início de carreira nos idos anos 90. Existe, por exemplo, e não por mero acaso, uma peça de Joana Vasconcelos de 1995, a “Pop Luz”, numa altura em que a artista plástica ainda não participava no circuito das galerias e era estudante, sublinha Pedro.

Uma das características desta mostra, que se centra maioritariamente em trabalhos desenvolvidos nos últimos anos antes da viragem do milénio, é a componente tecnológica, nomeadamente a imagem em movimento. São ilustrativas disso mesmo várias peças, como uma de Miguel Palma, o “Olho Mágico”, algo como uma máquina de grandes dimensões e feita de materiais que aparentam grande robustez, de fabrico, de industrialização de imagem, o “Jardim Infantil” de Francisco Queirós, ou a “La Stupenda”, de Vasco Araújo, uma projeção de vídeo sobre uma diva em decadência. A par da imagem, o som assume também uma presença muito marcante e interativa com os visitantes, o que logo de início se percebe com “Entrada/Saída”, um espelho de Rui Calçada Bastos, e “Happy Birthday”, os altifalantes de João Louro.

Não muito longe de “Germinal”, que fica no antigo Museu da Eletricidade, está “Pan African Unity Mural”, na Project Room, no edifício mais recente do MAAT, “uma sala oval, quase panorâmica, que parece ter sido feita propositadamente para este projeto”, segundo o curador Jurgen Bock, referindo-se à importância da questão da perspetiva num corpo de trabalho composto por pinturas de grandes dimensões – murais feitos em 1986, na África do Sul, país onde a artista, Ângela Ferreira, viveu, e que ainda hoje existem bem conservados. A técnica utilizada para os “trazer” para Portugal consistiu numa série de fotografias tiradas aos murais e ao seu contexto actual envolvente, ou seja, só uma parte da pintura que vemos na exposição é que é o mural original.

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“Pan African Unity Mural”, uma colaboração entre o MAAT e o sueco Bildmuseet, traz-nos 3 histórias. Duas mulheres e um homem. A da cantora sul-africana Miriam Makeba, ex-exilada política, representada num dos murais na varanda da sua casa; a de Jorge dos Santos, apoiante do Black Panther Party e também ele um fugitivo por razões políticas; e a da artista, contada através de uma representação tridimensional da sua casa de infância na cidade moçambicana de Maputo. Em todos os casos, a casa surge como elemento que se repete, carregando da ideia “de onde se vem e para onde se vai”, uma reflexão acerca da circulação entre lugares. São as “interceções” das quais a artista também participa, os elos de ligação necessários (ainda que perdidos) entre as pessoas num mundo onde se impõem cada vez mais fronteiras.

Como exposições temporárias que são, é possível vê-las até 8 de outubro, de quarta a terça-feira, entre as 11h e as 19h.