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Calma, jovens… está tudo (des)controlado

Nas Gargantas Soltas de hoje, Flávia Brito critica a cobertura mediática feita em torno das polémicas com a primeira-ministra finlandesa Sanna Marin: "é hora de as mulheres serem avaliadas profissionalmente pela sua competência, não pela sua aparência ou pelo que decidem fazer no campo pessoal."

Fotografia de David Barata

À data que escrevo este texto, já terá terminado a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima, prolongada até sábado, devido ao impasse nas negociações, em questões como o financiamento para os países pobres - quão expectável?

No nosso país, ao longo das duas últimas semanas, em que decorreu a COP27, os principais headlines focaram-se nos movimentos de estudantes que ocuparam várias escolas - procurando, em alguns casos impedir a realização de aulas - para denunciarem a inacção governamental perante a crise climática.

As críticas não se fizeram esperar. 

Foram acusados de “desobediência civil”. Algo de que estavam cientes que poderia acontecer - li, no Público, que, “antes dos protestos, os alunos tiveram formação sobre desobediência civil – a recusa de obedecer a certas normas como forma de protesto, geralmente não-violento, que pretende criar pressão no governo ou em outros órgãos de autoridade”. O que mostra que sabiam o que estavam a fazer. 

Mas sobre eles foi dito também que não seria com aquele tipo de protestos que causariam qualquer impacto de mudança. Mas o que eles queria era chamar a atenção para a urgência deste tema. Será que não o fizeram? 

Aqueles jovens merecem ser reconhecidos por uma capacidade de mobilização a que poucas vezes assistimos no país. Estamos habituados a criticar, lamentar, reprovar, mas também a ficar em casa e a seguir com as nossas vidas, na teoria de que não depende de nós.

Apesar dos argumentos nem sempre bem oleados, estes fizeram diferente. Tiveram coragem. Deram-se a esse trabalho.

Procuram impedir a realização de aulas? Sim, e então? De que servirá um médico, um arquiteto, ou um professor, como conhecemos hoje, num mundo que não faremos ideia como será, se o aquecimento global do planeta atingir os 1,5 graus Celsius - algo que já é praticamente consensual, no mundo científico, que não conseguirá ser evitado, tendo em conta os atuais esforços.

Se greves, manifestações ou protestos, não criarem situações de desconforto, que tipo de consequências poderão desencadear? Isto aplica-se não só a este caso em particular, como a todos os outros. Um greve de médicos, enfermeiros, maquinistas da CP, ou dos técnicos controlo de tráfego aéreo…. É preciso perturbar para se ser ouvido. Para obrigar quem tem o poder de decidir sobre as nossas vidas a sentar-se à mesa para dialogar. Foi o que estes jovens fizeram.

Na minha opinião, eles não têm soluções óbvias e aplicáveis às diferentes realidades e situações existentes no país e no mundo, mas colocaram o tema na agenda. Agora cabe-nos a nós, o resto da população, garantir que o assunto continua a ser discutido nos locais e com os agentes próprios.

A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.

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