O Gil encontrou-se na esquina com a actriz Ana Costa, depois da sua performance na Ignição Gerador #5 no Sábado, dia 23 de Janeiro, em pleno Torreão Poente do Terreiro do Paço, em Lisboa. 

Qual é a tua memória mais antiga?
Uf… Acho que me lembro da minha avó me mudar a fralda. E não a deixei com cinco anos, como alguns, por isso é algo bastante recuado.

E qual foi a última vez que testemunhaste algo de transcendente?
Pode parecer parvo, mas a arte. A arte pode ser transcendente, se for boa. Ou através dela sentimos algo que se pode assemelhar a transcendência. Outra vez, boa arte.

O que é uma ideia?
Uma ideia (pausa). Uma ideia… Pensei logo em Platão, do lugar perfeito de que tudo o resto é protótipo com falhas. Mas se pensar em ideia é aquela coisa mais simples, aquilo que surge na tua cabeça vindo de… de uma espécie de transcendência. É súbita e, à partida, é sempre boa.

E a arte é “algo que não tem sentido nenhum”? (Isto, caro leitor que não teve a sorte de estar presente na Ignição Gerador #5, é, claro, uma referência à performance da Ana. Aparece na #6, que compensa sempre)

(riso lento por ser uma pergunta parvinha) Não, claro que tem, claro que tem… Mas às vezes é um sentido atribuído. “Sentido nenhum” tem mais a ver com a subjectividade, com o facto de que a arte não é algo definido. Quem define o que é uma obra de arte? É quem argumenta melhor, não é? Basicamente…

Entrevista por Gil Sousa

Fotografia por Kevin Ribeiro