O Gil encontrou-se com o Gaspar Trevo, autor do Segunda Vez (ponto pê tê). Vão descobri-lo :)

Qual é a tua memória mais antiga?

As memórias dos meus primeiros anos não são muito precisas, correspondem mais a uma mistura de sensações: a barba do avô que pica, os pássaros a voar no bairro,  alguém escreveu no muro “liberdade para Otelo”, a minha irmã está a ver a “Candy Candy”, eu agarro-me à cerca do jardim infantil e percebo que o tempo existe.

E se eu te pedir para me contares uma história, o que é que te vem à cabeça?

Convidar-te a ires espreitar segundavez.pt. Mas a história é longa e o verdadeiro começo surge lá mais para o fim, vais precisar de paciência.

Qual é o teu lugar favorito?

Almada, a cidade onde nunca vivi. Não é minha, mas pertenço-lhe.

E o que é uma ideia?

Só posso falar por mim, claro. A ideia começa por ser um vislumbre, uma promessa de contornos esfumados, mas dá logo uma guinada. Fico durante umas horas a brincar com ela, como com um cão. Na maior parte das vezes, o cão cansa-se e eu passo a outra coisa. Às vezes fica. Então aceito a ideia depressa, deixo-a converter-se em obsessão, uma longa batalha cheia de emendas até ela se concretizar e morrer. É próprio da ideia estar à margem da utilidade: já mobilizei forças infinitas e anos de vida com projectos absurdos, aparentemente sem proveito nenhum. De qualquer modo, o proveito do que se faz depende sempre do ângulo de visão.

Entrevista por Gil Sousa