Gimba lança hoje o seu novo álbum, “Ponto G”, no momento em que celebra 40 anos de carreira na música. Embora este seja o seu segundo álbum no espaço de 20 anos, o artista nunca se afastou da música.

Gimba, nome artístico de Eugénio Lopes, foi um dos fundadores, no ano de 1984, da mítica banda “Afonsinhos do Condado”. Padrinho de batismo de Zé Pedro, dos Xutos & Pontapés, esteve envolvido, juntamente com o guitarrista falecido em novembro do ano passado, na formação do grupo musical, bem conhecido dos portugueses. Mais tarde, no início da década de 90, Gimba fez parte de “Os Irmãos Catita” e foi já em 1997 que gravou também um disco em nome próprio.

O músico, que foi a cara do célebre programa da RTP “Pop Off”, trabalhou, até hoje, enquanto produtor, com artistas como Tim, Deolinda, Boss AC ou José Cid. Além disso, assinou ainda bandas sonoras de programas de humor televisivos e de cinema, tendo passado pela rádio, televisão, teatro ou publicidade.

Hoje com 59 anos, Gimba iniciou estudos de piano quando tinha apenas 6, embora só mais tarde, aos 14, tenha começado os estudos de guitarra, e foi precisamente nessa altura que compôs as primeiras canções. As referências musicais do produtor estão muito ligadas ao que escutava em casa na sua infância. Desde o jazz melódico, passando pela Bossa Nova, e, consequentemente, por nomes como Tom Jobim ou João Gilberto, também muito do que se escutava na rádio, como Beatles e Bob Dylan, acabou por inspirar o músico nas suas criações.

Sempre atento à música que o rodeia, o autor atravessou várias fases da música portuguesa e foi parte ativa na mesma, desde os tempos de glória do Festival da Canção, passando pela “geração Zip-Zip”, a música de intervenção do 25 de Abril, o fenómeno do rock sinfónico e o boom do “Rock Português”.7

Hoje com um novo álbum disponível para o público, o cantor mantém-se fiel ao seu formato preferido – guitarra acústica e voz – e ao ecletismo que sempre o definiu. O conjunto das 11 canções do disco contempla desde a simples balada até ao rock de barba dura, sempre com uma toada bem disposta e moderadamente irónica e as letras em português, ou não fosse Gimba um artista que se preocupa em cantar a sua língua como quem a fala.

Os temas das suas canções não deixam indiferente quem as ouve, estando elas assentes desde a crítica social à canção de amor. Neste seu novo álbum, há um destaque especial para a música “Vá lá!!”, cantada juntamente com 12 ilustres convidados, entre os quais Ana Bacalhau ou António Zambujo. Pretendendo ser igualmente um manifesto e um brinde revolucionário, é dedicado também à memória do seu grande amigo Zé Pedro.

Texto de Carolina Gaspar

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