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Já há vacina para a Covid? Sim. Quer dizer… depende

Fotografia de David Barata

Depois de quase dois anos submersos no tema e na realidade da pandemia da Covid-19, as atenções mundiais parecem agora virar-se para outros assuntos, como as alterações climáticas, a retoma económica ou a crise energética.

Mas a pandemia está longe de ser um assunto do passado. Para além das correntes preocupações com a chegada de mais um Inverno e do aumento do número de casos de infetados em vários países, é ainda mais verdade que, para muitos países no globo, a crise sanitária é ainda um presente, com um largo futuro pela frente.

Nos países desenvolvidos do Norte, a vida tem regressado ao tão desejado “antigo normal” – embora ainda com máscaras e álcool-gel. Realizam-se eventos que juntam milhares de pessoas, reúnem-se famílias, regressa-se aos escritórios, dão-se beijos e abraços. Obviamente que isto só é possível, porque estamos maioritariamente vacinados, protegidos e seguros.

Contudo, dizer “estamos” facilmente nos engana ao fazer pensar que esta é uma realidade também ela global – que não é. Então, “estamos” quem?! Os mais ricos, os mais desenvolvidos, os com mais recursos e os com mais poder. Enfim, os de sempre, que se desdobraram em promessas de solidariedade internacional, quando a pandemia mexia muito com os nossos corações.

Como todos se devem lembrar, esta crise pareceu despertar na Humanidade o ímpeto da solidariedade. Ao nível das nações, os países mais ricos prometeram ajudar os mais pobres a ter acesso às vacinas. Juntos iríamos combater este mal comum. Mas, tal como as teorias de que iríamos ser melhores seres humanos depois de tudo isto, também as promessas de solidariedade internacional na distribuição de vacinas se mostraram bem-intencionadas, mas utópicas.

Numa altura em que vários países ocidentais já começaram a administrar a terceira dose da vacina, há nações no mundo onde a quase totalidade da população não está protegida sequer com uma primeira dose.

3,1 mil milhões de pessoas já estão vacinadas em todo o mundo, e o número de vacinas contra a covid-19 contratualizadas entre os países e os fabricantes é suficiente para imunizar os 7,9 mil milhões da população mundial. Seria uma questão de tempo, meses.

No entanto, a Organização Mundial de Saúde estima que 45% dos países a nível global não chegarão ao patamar de ter 70% da população imunizada no final do ano. São 88 países que se distribuem essencialmente por África (onde apenas 5% da população está vacinada!) e Médio Oriente.

Ou seja, não há falta de produção, mas a distribuição das vacinas é profundamente desigual. E, por isso, a previsão de ter 70% da população mundial imunizada contra a covid-19 arrasta-se para o final de 2022 ou mais. 

Perante este cenário, os especialistas alertam para o perigo do surgimento de novas variantes que façam prolongar ainda mais a pandemia – mas pensar nesta ideia como um argumento para a realização de um processo de vacinação mais igualitária no globo, choca-me, porque evidencia os nossos interesses e a nossa indiferença perante o que acontece em pontos do globo mais distantes do nosso.

As críticas ao acesso desigualitário às vacinas multiplicam-se, inclusivamente entre líderes mundiais, mas numa espécie de condenação sem destinatário certo. A própria OMS pediu que os países que estão a dar vacinas de reforço possam interromper esse processo para cederam vacinas a nações com taxas reduzidas de inoculação. Mas a verdade é que este começa a ser um problema secundário… "de segundo mundo", quando a nossa vida – nossa, dos ocidentais em países desenvolvidos – já seguiu para a frente.

Se a pandemia nos iria tornar seres humanos melhores, o que isto revela realmente de nós?

-Sobre Flávia Brito-

Portuguesa, afrodescendente, mulher, negra, jornalista. Licenciou-se em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). No Gerador, procura dar o seu contributo para uma sociedade mais justa, esclarecida e tolerante.

Texto de Flávia Brito
Fotografia de David Barata
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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