Após o lançamento do seu novo disco, Cinderella Cyborg, Júlio Resende apresentará um showcase do mesmo na Fnac do Chiado, no dia 14 de outubro, pelas 16h. Este é um álbum em que o pianista e compositor estabelece um diálogo entre o acústico do piano, do contrabaixo e da bateria e o eletrónico do computador e dos Pads, naquilo que define como sendo “uma aventura pelo lado cyborguiano da Música”.

Motivado pelo cansaço de ouvir dizer mal das máquinas, este diálogo surge entre “a extrema imperfeição do humano e a perfeição impossível da máquina”, uma máquina que é de paz e que surge como resultado do “volume dos nossos desejos”.

O disco conta com Júlio Resende no piano, composição e direção musical, André Nascimento na eletrónica, André Rosinha no contrabaixo, Pedro Segundo na bateria e percussões, André Santos na guitarra elétrica, Sam Azura na voz em LisbonHood e Cinderella Cyborg e Peu Madureira na voz em LisbonHood. O resultado é descrito por Júlio como “uma fantasia de união, carne e chips, que mesmo quando a vida nos parece madrasta há uma história de amor que pode surgir em qualquer lugar”.

Nuno Artur Silva descreve a música que Júlio agora nos apresenta dizendo que “Fado Cyborg é o título que, na sua ambígua contradição nos termos, nos define o território deste trabalho: é fado, destino, condição humana; e é cyborg (no original inglês), cybernetic organism, orgânico e cibernético; fado mutante. É uma música de fronteira, sobrepondo ritmos mecânicos (desde logo o do relógio no tema de abertura ou a caixa de ritmos, por exemplo em Fado Cyborg), com derivas jazzísticas, isto é, variações humanas, irremediavelmente humanas”.

No showcase de apresentação do álbum aos media, no passado dia 3 de outubro, a banda começou por tocar Cinderella Cyborg (o primeiro tema do álbum) onde era notório o som dos relógios e a constância de uma nota no contrabaixo que ecoava. De seguida, o pianista dirigiu-se à audiência para explicar a fábula da relação positiva entre o homem e a máquina que nos propõe: “há sempre uma solução na causa para o efeito e nós somos a causa das máquinas”.

Ainda durante esta apresentação há a partilha de “Tema bonito para o Salvador”, que dedica tanto ao seu filho como ao cantor que frequentemente acompanha nos palcos, e “ANA(GRAMA)” dedicado a Ana. Momentos antes de tocarem o tema “Fado Cyborg”, Sam Azura descalça-se para depois dançar durante o tema, descrito como “uma espécie de fado”. Sam, conhecido por Alex pelos amigos, é apresentado como sendo um homem de negócios que escreveu a letra de LisbonHood para a poderem passar nas rádios, uma vez que “não passam instrumental”, brinca Júlio. A cada música deste novo trabalho é criada a sensação de que dentro de cada música vive um mundo que jorra em forma de belas melodias.

Sam Azura, Júlio Resende e André Nascimento enquanto tocam “Fado Cyborg” no showcase no Espelho D’Água

O próximo encontro, com entrada livre, está marcado na Fnac dos Armazéns do Chiado no dia 14 de outubro e promete ser um pequeno showcase com alguns temas que integram o novo disco. Os concertos de lançamento estão agendados para dia 2 de novembro no Teatro Tivoli BBVA (Lisboa) e dia 13 de novembro na Casa da Música (Porto).

Texto de Andreia Monteiro
Fotografia de Capa de Guilherme Afonso

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