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Mais um COP para celebrar

©David Cachopo

Arranca hoje mais uma Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, mais conhecida como COP. Será a 26ª conferência que tenta juntar todas as nações para discutir o futuro do planeta. E da sobrevivência humana.

Desta vez será em Glasgow, Escócia, no Reino Unido. Esta reunião surge com um ano de atraso, devido à pandemia, mas mantém os objectivos a que se propunha e que podem ser consultados, em português, aqui.

Será neste encontro que todos os países devem atualizar as suas metas de reduções de emissões pela primeira vez desde o Acordo de Paris. Segundo esse Acordo, a cada 5 anos, todas as nações analisam os resultados do período anterior e propõem novas formas de combate às emissões para garantir que não se ultrapassa o aumento de 1,5 graus na temperatura global até ao fim do século.

Se nada de significativo for feito, prevê-se que esse aumento de 1,5 graus seja já atingido em 2040. Portanto, todos os decisores políticos vão ter de implementar iniciativas drásticas rapidamente. Ou poderemos chegar ao final do século com mais 3 graus de aumento de temperatura e a contar os dias até ao extermínio da raça humana.

A COP26 tem sido marcada por dificuldades e baixas expectativas nas últimas semanas, antes do seu arranque. Cerca de 50 países ainda não anunciaram as suas novas medidas para reduzir as emissões, incluindo grandes poluidores, como a China e a Índia. Mas, apesar disso, na última década, têm existido progressos, nem que seja de consciencialização.

À medida que os anos vão passando, torna-se inexorável o facto de que a actividade humana é a principal responsável destes problemas. Os líderes políticos de grandes nações que continuam a afirmar que essa causa-efeito não existe têm sido esmagados pela crescente opinião pública que tem consciência plena destes desafios e pretende a sua resolução.

São dezenas os estudos feitos junto das comunidades, incluindo nos Estados Unidos ou Brasil, por exemplo, que concluem que o combate às emissões deve ser uma das prioridades essenciais, mesmo se obrigar a um maior esforço económico por parte de todos. Quando confrontados com a extinção dos seus filhos ou netos, é natural que as pessoas estejam disponíveis para esse empenho adicional.

Então, quando temos uma certeza científica e a maior parte da população mundial a puxar pelo mesmo lado, o que nos falta para tomarmos decisões?

Falta-nos uma ideia de espécie. Falta pensar que antes de sermos portugueses, norte-americanos, brasileiros, angolanos, indianos, chineses ou australianos, somos humanos.

No último século forjou-se uma aldeia global, onde a informação circula em milésimos de segundo, onde todos os produtos estão acessíveis em todo o lado e onde, em seis passos, conseguimos falar com qualquer pessoa.

Mas há uma característica que distingue esta aldeia global das verdadeiras aldeias, as muitas que ainda existem por todos os cantos do mundo. Nas aldeias originais todos os habitantes sentem que a própria aldeia faz parte da sua identidade, reconhecem-se nela, independentemente das suas virtudes e defeitos. O sentimento de aldeia é superior ao sentimento da rua onde vivem. O todo é mais forte que o particular.

Ninguém tem essa afinidade com o planeta. O mundo é tão lato, tão difícil de abraçar, que não temos tido a capacidade de nos envolvermos emocionalmente com ele. Ninguém tem essa ligação com continentes. Sempre nos disseram que eles são o acaso de placas tectónicas, sem lugar para afetos. Mesmo nós, europeus, os que estamos mais perto desse vínculo, não sabemos muito bem o que significa a palavra Europa.

Sem uma verdadeira entrega à grande aldeia, sem essa raiz emocional, estes encontros de pessoas que pensam exclusivamente nas suas próprias ruas, nunca serão consequentes. São apenas tertúlias regulares entre conhecidos, onde se esvazia mais um COP.

*Texto escrito ao abrigo do antigo Acordo Ortográfico

-Sobre Tiago Sigorelho-

Tiago Sigorelho é um inventor de ideias. Formado em comunicação empresarial, esteve muito ligado à gestão de marcas, tanto na Vodafone, onde começou a trabalhar aos 22 anos, como na PT, onde chegou a Diretor de Estratégia de Marca, com responsabilidades nas marcas nacionais e internacionais e nos estudos de mercado do grupo. Despediu-se em 2013 para criar o Gerador.
É fundador do Gerador e presidente da direção desde a sua criação. Nos últimos anos tem dedicado uma parte importante do seu tempo ao estreitamento das ligações entre cultura e educação, bem como ao desenvolvimento de sistemas de recolha de informação sistemática sobre cultura que permitam apoiar os artistas, agentes culturais e decisores políticos e empresariais.

Fotografia de David Cachopo
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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