As alterações climáticas são reais, mas não são o fim do mundo. É o que defende o norte-americano Michael Shellenberger, autor do livro Apocalipse Nunca – Como O Alarmismo Social nos Prejudica a Todos e ambientalista de longa.

Não vem aí nenhuma extinção em massa, a desflorestação da Amazónia não tem efeitos drásticos sobre a atmosfera, o aquecimento global não é responsável por grandes incêndios florestais, nos últimos anos, e o desenvolvimento económico e tecnológico e, em particular, a energia nuclear são a resposta mais importante para os atuais problemas ambientais. Para Michael Shellenberger, muito do que se tem dito sobre o clima “está errado e é preciso “desesperadamente de corrigir isso”.

O ambientalista, que foi conselheiro de Barack Obama e que concebeu, com outros, o antecessor do atual Green New Deal, diz-se cansado “do exagero, do alarmismo e do extremismo que são inimigos de um ambientalismo positivo, humanista e racional”. Por isso, escreveu Apocalipse Nunca, editado recentemente pela Dom Quixote, em Portugal, e a propósito do qual o entrevistámos, por escrito.

Gerador (G.) – Considera que tem havido um alarmismo exagerado sobre as alterações climáticas?

Michael Shellenberger (M. S.) – A maioria das tendências ambientais estão bem encaminhadas. Os poluentes convencionais do ar diminuíram de 60 a 99 %, desde 1970, nas nações ricas. As mortes por desastres naturais diminuíram em mais de 90 %, nos últimos 100 anos. Apenas 300 pessoas morreram em desastres naturais nos Estados Unidos no ano passado. Em comparação, 30 mil morrem de acidentes de carro e 90 mil de overdoses de drogas e envenenamento. O número de áreas naturais protegidas aumentou 25 vezes desde 1970. O maior uso humano de terra é para a produção de carne, mas a quantidade que usamos diminuiu numa área quase do tamanho do Brasil, desde 2000.

G. – Diz que as alterações climáticas não são o nosso problema ambiental mais sério. Qual é então?

M. S. – Ainda estamos a perder florestas tropicais, como a Amazónia, para a pecuária e a agricultura. Muitas espécies estão em risco de extinção. A vida de sete milhões de pessoas é encurtada anualmente pela poluição do ar. Estamos a comer demasiados peixes selvagens. As emissões de carbono ainda estão a aumentar a nível global. E dois mil milhões de pessoas ainda dependem da madeira como combustível.

Mas essas tendências também se reverterão. As emissões de carbono têm vindo a diminuir na Europa, desde 1970, e na América do Norte, há mais de dez anos. Os EUA são os heróis do clima mundial. As emissões de carbono dos EUA caíram 22 % abaixo dos níveis de 2005, o que é 5 pontos percentuais a mais do que o presidente Barack Obama prometeu reduzir, como parte das nossas negociações climáticas em Paris! A principal razão é por causa do nosso gás natural abundante e barato, principalmente de fracking, mas também de perfuração offshore. O gás natural produz metade das emissões de carvão, o qual está a substituir, no setor elétrico.

E as nações pobres estão a obter acesso à agricultura moderna e aos combustíveis.

O problema é que a insensibilidade à necessidade de desenvolvimento económico do Brasil levou grupos ambientalistas, incluindo a Greenpeace, a defender políticas que contribuíram para a fragmentação da floresta tropical e a expansão desnecessária da pecuária e da agricultura. As políticas ambientais deveriam ter resultado em “intensificação”, ao cultivar mais alimentos em menos terra. Em vez disso, resultaram na extensificação e numa reação política e popular, por parte dos agricultores, que resultou no aumento do desmatamento.

A Greenpeace exigiu um Código Florestal muito mais rígido do que o que havia sido imposto pelo governo brasileiro. A Greenpeace e outras organizações não-governamentais ambientais (ONG) insistiram que os proprietários de terras mantivessem uma grande quantidade, 50 a 80 por cento, das suas propriedades como floresta, de acordo com o Código Florestal do Brasil.

A Greenpeace procurou restrições mais rígidas à agricultura na floresta de savana, conhecida como cerrado, onde grande parte da soja no Brasil é cultivada. A campanha da Greenpeace levou jornalistas, legisladores e o público a confundir a savana do cerrado com a floresta amazónica e, portanto, a acreditar que a expansão do cultivo da soja no cerrado era o mesmo que desmatar a floresta.

Mas há muito mais justificações económicas e ecológicas para o desmatamento no cerrado, que é menos biologicamente diverso e possui solos mais adequados para o cultivo da soja do que a floresta tropical. Ao confundir as duas regiões, a Greenpeace e os jornalistas exageraram o problema e criaram a impressão errada de que os dois lugares têm o mesmo valor ecológico e económico.

O aumento do desmatamento, em 2019, é, em certa medida, o presidente do Brasil a cumprir uma promessa de campanha aos agricultores que estavam cansados ​​do ambientalismo anticapitalista.

Os produtores de soja do Brasil estavam dispostos a cooperar com regras ambientais razoáveis ​​antes de a Greenpeace começar a fazer exigências mais extremas.

O que aconteceu na Amazónia é uma advertência de que concentrar a agricultura em algumas áreas permite que os governos protejam os habitats das florestas primárias, para que possam permanecer relativamente intactos, selvagens e biodiversos. A estratégia da Greenpeace e ONG resultou em proprietários de terras a derrubar florestas noutros lugares para expandirem a sua pegada.

As ONG verdes tiveram um impacto semelhante noutras partes do mundo. Depois de os ambientalistas encorajarem uma fragmentação nas plantações de óleo de palma, no sudeste da Ásia, como uma medida supostamente amigável da vida selvagem, os cientistas descobriram uma redução de 60 % na abundância de importantes espécies de pássaros.

G. – Existe desinformação sobre as alterações climáticas?

M. S. – Se todo o resto for igual, não devemos querer alterar as temperaturas de forma alguma. Mas todo o resto não é igual. O aquecimento global resulta das emissões da exploração de energia fóssil, e o uso de energia fóssil é o que permitiu que a esperança de vida aumentasse de 30 para 70 anos, nos últimos 200 anos. A exploração de energia fóssil permite-nos ter um excedente global de alimentos de 25 %, o maior da história. E permitiu que as mortes por desastres naturais diminuíssem em mais de 90 %, nos últimos 100 anos.

Todos apontam o último incêndio, inundação ou furacão como prova da mudança climática, mas muito disso é histeria. Há evidências de que as mudanças climáticas estão a contribuir para tornar alguns eventos climáticos mais extremos. Mas “desastre natural” refere-se às mortes e danos à propriedade, não ao evento climático em si. Nessa métrica, os desastres naturais estão a ficar muito melhores, não piores!

Mas “desastre natural” refere-se às mortes e danos à propriedade, não ao evento climático em si. Nessa métrica, os desastres naturais estão a ficar muito melhores, não piores!

Michael Shellenberger

Mortes por desastres naturais caíram globalmente em todo o mundo em 90 %, nos últimos 100 anos. Até Bangladesh reduziu as suas mortes por ciclones em 99 %, nos últimos 40 anos, graças à previsão do tempo e aos abrigos contra tempestades.

G. – O que se diz de mais errado, sua opinião?

M. S. – Não somos vítimas passivas do nosso meio ambiente. O desenvolvimento humano consiste em ganhar domínio sobre a natureza. E é isso que os ambientalistas apocalípticos pensam que odeiam. Pensam que odeiam a civilização moderna. Fantasiam que será varrida por incêndios, inundações e outros desastres. Imaginam que o passado foi como o Jardim do Éden e o futuro será o Livro das Revelações. Eles pegaram na história cristã e tornaram-na secular.

G. – Como é que as pessoas “comuns” podem identificar quais são as fontes credíveis nesta matéria?

M. S. – Eu conto com as agências mais respeitadas, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, a Agência Internacional de Energia e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação. Ao ler os relatórios deles – não os comunicados de imprensa –, vai descobrir que preveem que o bem-estar humano continuará a aumentar, a produção de alimentos continuará a aumentar e a prosperidade humana aumentará.

Michael Shellenberger foi considerado «Herói do Ambiente» pela revista Time, em 2008. Venceu, em 2008, o Green Book Award, do Stevens Institute of Technology’s Center for Science Writings. É revisor-especialista convidado do próximo Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC). E fundou e é presidente da Environmental Progress, uma organização de investigação não partidária e independente sediada em Berkeley, Califórnia.
G. – Como olha para movimentos como o Fridays For Future?

M. S. – Greta Thunberg diz muitas coisas falsas. Em 2019, ela disse: “Por volta do ano de 2030, dentro de dez anos, 250 dias e dez horas, estaremos numa posição onde desencadearemos uma reação em cadeia irreversível, além do controlo humano, que provavelmente levará ao fim da nossa civilização como a conhecemos... Eu não quero que tenham esperanças.” Thunberg disse: “Estamos no início de uma extinção em massa e tudo o que vocês falam é sobre dinheiro e contos de fadas sobre crescimento económico eterno.”

Mas o crescimento económico foi o que tirou as pessoas da pobreza e impulsionou o progresso ambiental.

Michael Shellenberger

Mas o crescimento económico foi o que tirou as pessoas da pobreza e impulsionou o progresso ambiental. O crescimento económico é necessário para criar a infraestrutura necessária para proteger as pessoas de desastres naturais, climáticos ou não. E o crescimento económico criou a riqueza da Suécia, incluindo a da própria família de Thunberg. É justo dizer que, sem crescimento económico, a pessoa que é Greta Thunberg não existiria.

Ela encorajou o pânico, o que é perigoso. “Quero que vocês entrem em pânico”, disse Thunberg, numa reunião de líderes mundiais, em Davos, na Suíça, em janeiro de 2019. “Se enfrentar o clima e o colapso ecológico e da humanidade é contra as regras, então as regras devem ser violadas”, escreveu no Twitter, em outubro. Dois dias depois, dois manifestantes da Rebelião da Extinção subiram para cima de uma carruagem, para impedi-la de avançar, no metropolitano de Londres. Os passageiros furiosos agrediram e espancaram um dos jovens manifestantes e outro que estava a filmar a situação. Isso não está certo.

G. – Há estudos que dizem que temos cerca de uma década para chegar ao ponto de não-retorno, no que diz respeito às alterações climáticas. É verdade?

M. S. – Vejamos os chamados pontos de inflexão, como a perda rápida, acelerada e simultânea das camadas de gelo da Groenlândia ou da Antártica Ocidental, a desertificação e a morte da Amazónia e uma mudança na circulação do Oceano Atlântico.

O alto nível de incerteza de cada um destes fenómenos, e uma complexidade que é maior do que a soma das suas partes, tornam muitos dos cenários dos pontos de inflexão não científicos. Isso não quer dizer que um cenário catastrófico de um ponto de inflexão seja impossível, apenas que não há evidências científicas de que um seria mais provável ou catastrófico do que outros cenários potencialmente catastróficos, incluindo o impacto de asteroide, supervulcões ou um vírus da gripe invulgarmente mortal.

Considere as outras ameaças com as quais a humanidade foi recentemente forçada a enfrentar. Em julho de 2019, a NASA anunciou que foi apanhada de surpresa, quando um asteroide “assassino de cidades”, passou – apenas a um quinto da distância entre a Terra e a Lua. Em dezembro de 2019, um vulcão entrou numa erupção inesperada na Nova Zelândia, matando 21 pessoas. E no início de 2020, governos de todo o mundo esforçaram-se para lidar com um vírus anormalmente mortal, semelhante à gripe, que os especialistas dizem que pode matar milhões de pessoas.

Os governos investiram o suficiente para detetar e prevenir asteroides, supervulcões e gripes mortais? Talvez sim, ou talvez não. Embora as nações tomem ações razoáveis ​​para detetar e evitar esses desastres, geralmente não tomam ações radicais pela simples razão de que isso tornaria as sociedades mais pobres e menos capazes de enfrentar todos os grandes desafios, incluindo asteroides, supervulcões e epidemias de doenças.

O risco de desencadear pontos de inflexão aumenta em temperaturas planetárias mais altas e, portanto, o nosso objetivo deve ser reduzir as emissões e manter as temperaturas o mais baixas possível, sem prejudicar o desenvolvimento económico. Felizmente, é isso que está a acontecer, à medida que as nações se desenvolvem.

G. – Diz que os ambientalistas com visões mais apocalípticas tendem a se opor às melhores e mais óbvias soluções para resolver o problema do clima. O que poderia e não está a ser feito?

M. S. – Os ambientalistas usaram a mudança climática como uma nova razão para se opor às barragens hidrelétricas e ao controlo de inundações, embora, como John Briscoe, um engenheiro ambiental da África do Sul, observou: “A adaptação [às mudanças climáticas] é 80 por cento sobre a água”. Briscoe apontou evidências de que grupos ambientais ocidentais contribuíram para a escassez de alimentos.

“Considerem a crise alimentar no ano passado”, disse Briscoe, em 2011. “Houve muitas vozes a lamentar a crise, com uma cobertura da imprensa dominada por ONG e agências de ajuda humanitária que imediatamente pediram maior apoio à agricultura, no mundo em desenvolvimento. O que eles não mencionaram foi quais foram os seus papéis na precipitação desta crise.”

Ou olhe para o nuclear. Os legisladores, jornalistas, conservacionistas e outras elites educadas dos anos 50 e 60 sabiam que a energia nuclear era energia ilimitada e que energia ilimitada significava comida e água ilimitadas. Poderíamos usar a dessalinização para converter a água do oceano em água doce. Poderíamos criar fertilizantes sem combustíveis fósseis, separando o nitrogénio do ar e o hidrogénio da água, e combiná-los. Poderíamos criar combustíveis para transporte que não fossem combustíveis fósseis, retirando o dióxido de carbono da atmosfera para fazer um hidrocarboneto artificial ou usando água para fazer gás hidrogénio puro.

Alguns sabiam disso há muito mais tempo. Em 1909, três décadas antes de os cientistas dividirem o átomo, um físico americano escreveu um livro best-seller, inspirado na descoberta do rádio por Paul e Marie Curie, descrevendo uma visão muito semelhante de um mundo movido a energia nuclear e os benefícios que resultariam de tais densidades de alta potência.

A energia nuclear não significa apenas fertilizante infinito, água doce e alimentos, mas também poluição zero e uma pegada ambiental radicalmente reduzida. A energia nuclear, portanto, criou um sério problema para os malthusianos e qualquer pessoa que quisesse argumentar que energia, fertilizantes e alimentos eram escassos.

E assim alguns malthusianos argumentaram que o problema com a energia nuclear era que ela produzia muita energia barata e abundante.

G. – Acha que os governos do mundo estão a tomar medidas suficientes para combater a mudança climática?

M. S. – Governos de centro-esquerda que estão a fechar reatores nucleares estão a tomar a atitude errada. Os governos que estão a construir reatores nucleares estão a tomar as medidas certas.

G. – Este livro é uma espécie de desmentido científico de uma série de pressupostos que têm sido ditos ao longo dos anos?

M. S. – Cada facto, alegação e argumento neste livro é baseado na melhor ciência disponível, avaliada pelo prestigioso Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), Organização para Alimentos e Agricultura das Nações Unidas (FAO) e outros organismos científicos. Apocalipse Nunca defende a ciência convencional daqueles que a negam na direita e na esquerda.

 Um quarto do livro são apenas referências e notas de rodapé com base na melhor ciência disponível e, portanto, espero que forneça uma base sólida de fatos para futuras discussões sobre clima, energia e meio ambiente. Não há problema em discordar sobre as políticas. Mas devemos estar a operar a partir dos mesmos fatos.

G. – Faz sentido pensar no modelo capitalista como um problema de base das alterações climáticas?

M. S. – Pelo contrário, o capitalismo está a reduzir as emissões. As emissões de carbono têm diminuído nas nações desenvolvidas, há mais de uma década. Na Europa, as emissões caíram 23 por cento, em 2018, situando-se abaixo dos níveis de 1990. Nos EUA, as emissões caíram 15 por cento, entre 2005 e 2016.

Os EUA e a Grã-Bretanha viram as suas emissões de carbono da eletricidade, especificamente, a diminuir uns surpreendentes 27 por cento, nos EUA, e 63 por cento, no Reino Unido, entre 2007 e 2018.

A maioria dos especialistas em energia acredita que as emissões nos países em desenvolvimento atingirão o pico e diminuirão, da mesma forma que ocorreu nos países desenvolvidos, assim que atingirem um nível semelhante de prosperidade. Como resultado, as temperaturas globais hoje parecem muito mais propensas a atingir um pico entre dois a três graus centígrados, em relação aos níveis pré-industriais, e não quatro, onde os riscos, incluindo os pontos de inflexão, são significativamente menores. A Agência Internacional de Energia (IEA) prevê que as emissões de carbono, em 2040, sejam menores do que em quase todos os cenários do IPCC.

A maioria dos especialistas em energia acredita que as emissões nos países em desenvolvimento atingirão o pico e diminuirão, da mesma forma que ocorreu nos países desenvolvidos, assim que atingirem um nível semelhante de prosperidade.

Michael Shellenberger

Podemos creditar trinta anos de alarmismo climático por essas reduções nas emissões? Não podemos. As emissões totais de energia nos maiores países da Europa – Alemanha, Grã-Bretanha e França – atingiram o pico na década de 1970, graças principalmente à mudança do carvão para o gás natural e nuclear – tecnologias às quais Greta Thunberg e outros ativistas climáticos apocalípticos se opõem veementemente.

G. – É ambientalista desde a adolescência. Por que decidiu escrever este livro agora?

M. S. – Escrevi Apocalipse Nunca, porque a conversa sobre as alterações climáticas e o meio ambiente, nos últimos anos, saiu do controlo. Sou ativista ambiental há trinta anos e pesquisei e escrevi sobre questões ambientais, incluindo mudanças climáticas, durante vinte. Faço este trabalho, porque me preocupo profundamente com a minha missão, não apenas de proteger o meio ambiente, mas também de erradicar a pobreza.

Muito do que as pessoas estão a ouvir sobre o meio ambiente, incluindo o clima, está errado, e precisamos desesperadamente de corrigir isso. Decidi escrever Apocalipse Nunca depois de me cansar do exagero, do alarmismo e do extremismo que são inimigos de um ambientalismo positivo, humanista e racional.

G. – Faz sentido pensar que é necessário mudar drasticamente a maneira como vivemos hoje?

M. S. – Porque faria sentido? Todo o progresso ambiental que fizemos aconteceu juntamente com o crescimento económico.

Texto por Flávia Brito
Fotografias via Unsplash

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