No próximo dia 30 de janeiro – mais cedo do que esperávamos em outubro de 2019 – somos novamente chamados às urnas para escolher uma nova configuração da Assembleia da República. Para além de ser um dever e um direito cívico, o ato de votar é também uma oportunidade de combatermos várias ameaças que se colocam, novamente, nos dias de hoje, à nossa democracia.

Nestes períodos, como o que hoje atravessamos, somos desafiados a pensar no que gostaríamos de ter – ou não ter – num país, para nós, melhor – seja isso ter mais riqueza, melhores infraestruturas, um Serviço Nacional de Saúde reforçado, menos carga fiscal, salários mais altos ou qualquer outra prioridade.

Como mulher negra e portuguesa afrodescendente, ocupo este lugar de fala com a divulgação de duas iniciativas que pretendem contribuir, primeiro, para um voto informado e, depois, para um Portugal menos racista, menos fascista e menos xenófobo.

A primeira é o “Voto Negro 2022”, uma campanha de mobilização ao voto que pretende combater a abstenção e a exclusão social e política dos afrodescendentes em Portugal. A iniciativa, que se apresenta como “apartidária”, pretende contribuir para um “voto informado e refletido, independentemente de preferências ideológicas”, e materializa-se nas redes sociais Instagram e Facebook, como “um espaço de informação” – pode ler-se em comunicado –, “onde será possível consultar as propostas de todos os partidos candidatos às eleições legislativas de 2022, no âmbito da discriminação e igualdade étnico-racial”.

O objetivo é “aproximar a política de todos os cidadãos e relembrar que o voto é também um mecanismo de transformação social”, é dito. Quanto a isto, subscrevo.

Já o SOS Racismo remeteu, há cerca de uma semana, aos partidos candidatos às eleições legislativas, várias questões sobre as respetivas posições no que diz respeito ao combate ao racismo e à xenofobia. "Que medidas propõem para alterar o atual enquadramento jurídico, no sentido de prevenir e punir o racismo de forma mais eficaz? Que medidas propõem para prevenir e combater a discriminação racial no acesso ao mercado de trabalho? Que papel entendem que Portugal deve assumir no âmbito da proteção dos direitos fundamentais das pessoas que procuram o espaço europeu, com o objetivo de requererem o estatuto de asilo ou de residência?" Estas são apenas algumas das 14 questões colocadas e cujas respostas estão a ser tornadas públicas no site e redes sociais da associação.

Acompanha, informa-te e vai votar.

-Sobre Flávia Brito-

Portuguesa, afrodescendente, mulher e jornalista. Licenciou-se em Jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social (ESCS). Encontrou no Gerador um lugar onde reabraçou o jornalismo, e por aqui anda empenhada em dar o seu contributo para uma sociedade mais esclarecida, justa e tolerante.

Texto de Flávia Brito
Fotografia de David Barata
A opinião expressa pelos cronistas é apenas da sua própria responsabilidade.
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