TRAZER AS MARGENS PARA O CENTRO
Um dos focos do trabalho da End Rape On Campus é a estrutura Centering the Margins (que em português pode ser lida como ‘Centralizar as Margens’). Kenyora Parham explica que o projeto procura “amplificar as vozes de estudantes sobreviventes historicamente marginalizados, que muitas vezes ficam de fora da conversa. Aqui inclui-se qualquer pessoa no que diz respeito à sua raça, etnia, nacionalidade, religião, fé, orientação sexual, identidade de género, estatuto socioeconómico, e também estudantes internacionais e estudantes de primeira geração”.
Sobretudo relativamente a estes últimos, a diretora executiva da EROC aponta que a equipa tem trabalhado no sentido de garantir aos estudantes americanos que estudam fora do país, que eventuais incidentes sejam investigados tal como seriam se tivessem ocorrido em solo norte-americano e, aos estrangeiros a estudar nos Estados Unidos, que os vistos de permanência no país e as bolsas de estudo não lhes sejam retiradas ao apresentarem queixa – independentemente do quão influente seja o docente ou o estudante acusado. “Nós não somos especialistas jurídicos, nem somos especialistas em saúde mental”, assevera, “somos apenas um canal através do qual as pessoas podem ter acesso a recursos, com base no conhecimento e nas parcerias que temos.”
Kenyora Parham reflete ainda que, “quando falamos de interseccionalidade, é importante assegurar que olhamos para os estudantes sobreviventes a partir de uma perspetiva holística. Se um estudante negro está a sofrer agressões sexuais no campus, a primeira coisa que as pessoas vão apontar é o Title IX, mas não vão perceber que há outros direitos civis a serem violados. É justamente por isso que prestamos tanta atenção às intersecções – não só relativas à identidade das pessoas, mas também às diferentes leis de direitos civis em que nos estamos a concentrar, porque só assim podemos chegar às causas profundas das coisas.”