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Camadas de gelo: Gronelândia

“Se a Gronelândia não tivesse gelo era uma série de ilhas relativamente baixas, mas como tem uma camada de gelo que, em certos sítios, atinge cerca de 2 quilómetros de altura, as ilhas são praticamente montanhas de gelo. Ao ter começado a sofrer as consequências do aquecimento global, vai havendo uma certa fusão do gelo. Então, temos aqui dois percursos possíveis. Um percurso é o gelo ir derretendo, mas nós conseguimos controlar o aquecimento global, e a certa altura, embora já tenha havido uma perda de massa considerável, há um abrandamento da subida da temperatura, e a Gronelândia reconstitui-se. O outro caminho, que é o de tipping point, é que se o aumento da temperatura for superior a 3°C, a Gronelândia não consegue inverter o seu processo de fusão do gelo. Torna-se num processo irreversível, e daqui a uns milénios acabaríamos por ter uma Gronelândia sem gelo, e isso significa que o nível médio global do mar sobe cerca de 7 metros [se a camada de gelo da Antártida Oriental, a maior da Terra, colapsasse na totalidade, o aumento seria de 52 metros]. Toda a baixa pombalina ficaria debaixo de água, por exemplo, a menos que se contruísse uma muralha colossal. [Outra questão importante é a do albedo. No sistema climático, um exemplo de feedback positivo é o efeito albedo do gelo: ao derreter, a superfície clara do gelo deixa de refletir o calor e, ao mesmo tempo, torna a superfície do mar mais escura, absorvendo mais calor, o que aumenta as temperaturas locais e leva a um derretimento ainda maior.] Lembro que o Acordo de Paris procura que o aumento da temperatura não seja superior a 2°C, e recomenda muito fortemente que seja inferior a 1,5°C, logo, se se cumprir o Acordo de Paris, há uma probabilidade de que eventualmente este processo consiga ser parado. Mas, se o aumento da temperatura atingir 3°C ou mais, já não conseguimos fazer parar o comboio. O comboio vai por ali fora até haver um choque enorme, e esta é que é a ideia dos tipping points.”

Permafrost

“O caso do permafrost é um pouco mais complexo. Nas regiões polares, sobretudo no hemisfério norte – no Ártico, na Sibéria, na Eurásia, e também no Norte da América do Norte – existem grandes quantidades de permafrost. O que é o permafrost? Nessas regiões de latitudes elevadas há bastante água no solo e, devido à temperatura, essa água está gelada, de maneira que, de certo modo, é como se fosse uma rocha. É uma mistura de gelo e de terra, terra essa que contém matéria orgânica. É um terreno perfeitamente sólido, o permafrost é muito bom para fazer as fundações de uma casa, por exemplo, só que, com o aumento da temperatura, essa água que está no solo sobre a forma de gelo começa a derreter, e as casas começam a deformar-se. Qual é o problema disto, para além dessas casas que ficam em condições difíceis? O problema é que existe imenso metano capturado nesse gelo, e quando a água passa do estado sólido ao estado líquido, nesse processo de fusão da água, formam-se pequenos lagos à superfície, e esse metano que está sob a forma de hidratos de metano acaba por ficar como um gás a borbulhar, indo para a atmosfera. E, portanto, contribui para o problema gravíssimo que já temos – ao aumentar ainda mais a concentração de metano na atmosfera estamos a provocar um maior aquecimento global. Isto é aquilo a que se chama uma retroação positiva, a positive feedback: estamos a provocar um problema, esse problema tem consequências sobre um determinado sistema, que reage agravando o problema. Podia reagir não agravando o problema, e então seria a negative feedback, uma retroação negativa, mas, neste caso, é uma retroação positiva que leva a que o problema se agrave. Há estimativas de quanto metano estará preso no permafrost, mas ainda não são inteiramente fiáveis, já que há poucas medições da quantidade de metano que está preso e que está a ser emitido. Mas está a ser desenvolvida investigação, e há um enorme esforço para se ter um maior conhecimento sobre aquilo que se está a passar.”

Permafrost

“O caso do permafrost é um pouco mais complexo. Nas regiões polares, sobretudo no hemisfério norte – no Ártico, na Sibéria, na Eurásia, e também no Norte da América do Norte – existem grandes quantidades de permafrost. O que é o permafrost? Nessas regiões de latitudes elevadas há bastante água no solo e, devido à temperatura, essa água está gelada, de maneira que, de certo modo, é como se fosse uma rocha. É uma mistura de gelo e de terra, terra essa que contém matéria orgânica. É um terreno perfeitamente sólido, o permafrost é muito bom para fazer as fundações de uma casa, por exemplo, só que, com o aumento da temperatura, essa água que está no solo sobre a forma de gelo começa a derreter, e as casas começam a deformar-se. Qual é o problema disto, para além dessas casas que ficam em condições difíceis? O problema é que existe imenso metano capturado nesse gelo, e quando a água passa do estado sólido ao estado líquido, nesse processo de fusão da água, formam-se pequenos lagos à superfície, e esse metano que está sob a forma de hidratos de metano acaba por ficar como um gás a borbulhar, indo para a atmosfera. E, portanto, contribui para o problema gravíssimo que já temos – ao aumentar ainda mais a concentração de metano na atmosfera estamos a provocar um maior aquecimento global. Isto é aquilo a que se chama uma retroação positiva, a positive feedback: estamos a provocar um problema, esse problema tem consequências sobre um determinado sistema, que reage agravando o problema. Podia reagir não agravando o problema, e então seria a negative feedback, uma retroação negativa, mas, neste caso, é uma retroação positiva que leva a que o problema se agrave. Há estimativas de quanto metano estará preso no permafrost, mas ainda não são inteiramente fiáveis, já que há poucas medições da quantidade de metano que está preso e que está a ser emitido. Mas está a ser desenvolvida investigação, e há um enorme esforço para se ter um maior conhecimento sobre aquilo que se está a passar.”