Reportagem 2

Nesta reportagem questionaremos o conceito de virgindade feminina, algo que continua muito preso a uma visão falocêntrica e heteronormativa. O conceito de virgindade, não só tem acarretado, ao longo da história, uma conotação moral, como biológica. Moralmente, a virgindade foi sendo construída culturalmente, e de acordo com algumas religiões, como uma questão “de honra” das mulheres, algo presente no próprio termo “perder a virgindade” que aponta para uma escassez, desde logo. Mas o que significa ser virgem e o que se considera ser a primeira experiência sexual? Socialmente, ainda existe a ideia de que o que define a virgindade feminina é o facto de se ter, ou não, praticado penetração vaginal com um pénis, relegando para o papel secundário tantas outras práticas sexuais e, inclusive, negando experiências sexuais de pessoas com uma orientação sexual que não a heterossexual. Biologicamente, a existência do hímen e o “sangramento da primeira noite” continuam a ser erroneamente associados ao conceito de virgindade. No entanto, não existe um hímen único. Esta estrutura pode ter várias formas e elasticidades. Assim, existem mulheres que já nascem sem ele, outras que o rompem a fazer desporto, por exemplo, ou até apenas no parto. Por isso, nesta investigação propomo-nos a estudar o que é, de facto, a virgindade feminina e que mitos ainda vigoram sobre a mesma.