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Entrevista Guilherme Proença

Para ficares a saber mais sobre a obra fotográfica desta Revista

Texto de Amina Bawa

 

Guilherme Proença © Fotografia da sua cortesia

 
 

Licenciado em Arte Multimédia pela Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, Guilherme Proença tem vindo a desenvolver estudos fotográficos que contrapõem cores fortes e enquadramentos rígidos, explorando as relações entre a natureza humana e a sua relação com o conceito de propriedade, como projeto artístico.
Sem estar preso apenas a uma definição profissional, o artista, premiado, em 2022, na mostra nacional de jovens criadores (MNJC), trabalha com a imagem fotográfica e cinematográfica desde que entendeu que era possível criar a partir delas. Às vezes para apresentar uma outra realidade, para discutir os vazios, as construções, pensar o passado e ver um futuro.

Conversámos com o Guilherme Proença para entender o processo criativo que culminou no trabalho apresentado na edição 42 da revista Gerador.

As palavras «permanência» e «inútil» são quase antagónicas e dão título à sua obra. Como se dá a relação delas com as fotografias apresentadas?

Neste conjunto de fotografias, a permanência e a utilidade aparecem como dois polos distintos que se relacionam com a ideia de posse no centro. No mundo físico, a matéria está em constante mudança, as estruturas que aparecem nas fotografias não fogem a esta regra. A ideia de permanência surge neste sentido, surge ironicamente, por mais sólidas que sejam as estruturas todas chegam a um ponto de colapso. A utilidade é o fator exponencial que acelera ou desacelera o processo. Algo que é mais utilizado tem tendência a degradar-se deforma mais rápida, no entanto, um objeto ou sítio que não é devidamente mantido e cuidado pode acabar por se degradar mais depressa do que se for devidamente vívido.

Isto são ideias que estão presentes no ato da produção e seleção das imagens. É algo que torna possível a sua existência. No entanto, o seu significado e a relação dos conceitos com as imagens é algo que fica em aberto do lado do espectador.

O que a natureza e as construções abandonadas são capazes de imprimir nas nossas mentes?

Na minha ótica, há sempre uma reflexão que pode surgir sobre sítios-fantasma e a sua interação com a natureza. O chamado «dá que pensar». Talvez construamos estruturas desnecessárias, e, de certa forma, qualquer construção está a tirar espaço àquilo que é natural e não humano. A entropia é, possivelmente, o mecanismo de defesa da natureza.

Como o contraste é trabalhado nas suas obras?

Na fotografia, de forma geral, o contraste é algo essencial. A relação entre a luz e a sombra é algo que é sempre tomado em conta no meu processo. É o contraste que dá forma à natureza bidimensional das imagens.

Trabalhar em linhas horizontais é para dar continuidade ao olhar analítico das infinitas possibilidades de conversa entre a natureza e a construção?

Mantendo a linha do horizonte reta e paralela ao nosso olhar, a câmara capta a paisagem de forma estéril e silenciosa, sem atuar sobre ela. Desta forma, aquilo que é impresso na película é transmitido ao espectador sem interferência do processo fotográfico. Claro que existe sempre um processo de composição inerente ao tipo de fotografias que procuro, no entanto, tento que este seja sempre subtil mesmo que rígido e meticuloso.

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