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Zine Insubmissa Gerador: Pensar a Desinformação em voz alta

Textos de Sofia Branco, Veronika Frankovská, Sofia Craveiro (Gerador) e Marta Dineia Gamito (Casa Capitão)
Cartazes de Mantraste
Ilustração ao vivo de Beatriz Machado
Vídeos e fotografias de Danilo Godoy
Web design de Inês Roque
Comunicação de Carolina Esteves e Margarida Marques

17.02.2026

As Residências Insubmissas Gerador são um espaço de programação regular na Casa Capitão, em Lisboa, para pensar em voz alta os temas que mexem com a sociedade. Dedicámos a segunda edição, que aconteceu no dia 9 de janeiro de 2026, ao tema da desinformação, reunindo artistas, jornalistas, investigadores e público.
Conscientes da impossibilidade de condensar numa única página todas as reflexões deste dia, convidámos algumas das vozes que nos ajudaram a trilhar caminho a partilhar connosco pistas para continuar a conversa.
O resultado está à vista, podes ler tudo em baixo.

A DESINFORMAÇÃO AMEAÇA O JORNALISMO – O QUE FAZER?

Sofia Branco, jornalista e presidente da Associação Literacia para os Media e Jornalismo

Está nas salas de cinema um filme absolutamente essencial: “Orwell 2+2=5”. O realizador Raoul Peck convoca o pensamento do escritor britânico George Orwell para refletir sobre os tempos que vivemos, em que cada vez mais pessoas acreditam que dois mais dois não são quatro.

A negação das evidências e a recusa dos factos colocam desafios ao jornalismo, cada vez mais ameaçado.

O diagnóstico é conhecido de todos: a comunicação social, em Portugal e no mundo, é um setor em crise acentuada e prolongada, com graves problemas de sustentabilidade.

É neste contexto que o jornalismo enfrenta uma ameaça crescente e amplificada, a desinformação, acompanhada de uma desregulação e desresponsabilização das grandes plataformas digitais pelos conteúdos que circulam nas redes sociais que gerem e que são, muitas vezes, utilizadas para atacar o jornalismo.

Este cenário, inédito na história das democracias, tem aberto portas à tirania digital e à manipulação da informação.

Num duelo de David contra Golias, o jornalismo – cada vez mais frágil, desde logo porque não interessa a quem tem poder que seja forte – continua a trabalhar para demonstrar os factos, verificar a informação, dar contexto, assegurar o contraditório, diversificar as vozes, as mais das vezes num esforço inglório, que esbarra no preto e branco dos preconceitos em que cada vez mais pessoas escolhem acreditar. Só porque sim.

No entretanto, o jornalismo vai sobrevivendo, com dificuldades, nas mãos de trabalhadores mal pagos, precários e desvalorizados, em esforço e esgotados, num clima de descrédito social e desconfiança injustificável.

Num contexto em que a mediação jornalística está a ser substituída por conteúdos não verificados, que alimentam o ódio e a polarização, com a ajuda das redes sociais, os poderes políticos, ainda que sabendo que o jornalismo é um forte antídoto contra a manipulação, não têm demonstrado interesse nem vontade em protegê-lo efetivamente, menos ainda em fortalecê-lo, por exemplo com adequado e criterioso financiamento público.

E exigindo responsabilidades – e compromissos – às grandes plataformas digitais pelos ataques ao jornalismo que deixam passar e pela desinformação que alimentam.

Ao contrário, muitos governos deixam andar a desregulação, encolhendo os ombros com o mercado, enquanto expõem o jornalismo como alvo a abater ou, na versão da extrema-direita portuguesa, “jornalixo”.

Ilustração por Beatriz Machado

O problema é que, num sistema capitalista como o nosso, o lucro é sempre rei – e a desinformação gera receitas, é demasiado apetecível para ser subordinada a escrúpulos éticos e morais. A questão é que a desinformação não vende só – também mata. Literalmente. Como se verificou na altura da pandemia de covid-19.

Para ser realmente efetiva, a liberdade de imprensa precisa de ser mais do que letra de lei, é necessário garantir as condições para um exercício do jornalismo livre e independente.

As políticas públicas não podem ignorar as dificuldades de sobrevivência das empresas de comunicação social, nem o crescente desemprego, os salários indignos e os vínculos precários entre jornalistas, pois o jornalismo é um bem público, quer seja prestado por públicos ou privados.

O risco de definhamento do jornalismo deve ser encarado como uma emergência nacional, em nome da preservação de uma sociedade democrática.

Neste cenário, é fundamental apostar na literacia mediática como ferramenta de promoção do pensamento crítico e de uma cidadania ativa.

Neste capítulo, os e as jornalistas em Portugal têm dado cartas, realizando regularmente, há vários anos, ações de sensibilização e oficinas temáticas junto de vários públicos, desde logo a comunidade escolar.

Criada em 2020, a Associação Portuguesa Para os Media e Jornalismo reúne já mais de 200 profissionais (jornalistas, académicos, professores, investigadores, comunicadores), que, de norte a sul e nas ilhas estão disponíveis para ajudar a compreender as questões complexas dos media.

É premente responder à utilização esclarecida de fontes de informação diversas e também das tecnologias de informação e de comunicação. Não basta ter informação, é preciso saber pensá-la para a distinguir de desinformação. Valores como imparcialidade, verdade, compromisso com a ética, têm de ser apreendidos.

Falta o Governo fazer a sua parte. Nós já estamos a fazer a nossa: dizendo e repetindo que, como escreveu George Orwell, no momento da morte, é preciso insistir que a resposta a 2+2 é 4 – e que não há outra.

Não desistam da ideia de verdade

Veronika Frankovska, responsável pelo projeto de verificação de factos Demagog.sk (Eslováquia)

Ilustração por Beatriz Machado

Mentir significa negar a alguém a possibilidade de tomar decisões com toda a informação necessária e disponível – e tomar decisões informadas é a pedra angular da democracia.

Infelizmente, vemos líderes mundiais a virar-se para o autoritarismo e democracias a debater a linha entre liberdade de expressão, censura e verificação de factos. No meio disto tudo, nós, enquanto verificadores de factos e jornalistas, temos de manter a nossa posição no debate sobre se vale a pena desvendar a verdade e distinguir entre verdade e mentira, ou simplesmente render-nos e concluir que isso já não é possível num mundo polarizado e pós-factual.

Sociedades livres e liberais já estão ameaçadas por algoritmos das redes sociais, que funcionam como uma caixa negra de decisões sobre o que consumimos através dos nossos ecrãs. Uma investigação recente mostra que, especialmente no YouTube e no Facebook, as contas que espalham desinformação tendem a receber significativamente mais interações do que fontes credíveis.

Enquanto a UE está determinada a regular plataformas online e a responsabilizá-las pelo que publicam, a pressão que enfrenta por parte dos EUA está a transformar um problema prático num campo de batalha político. Esta dinâmica é reforçada por um alinhamento entre grandes empresas tecnológicas e representantes políticos norte-americanos que encaram a regulação das plataformas principalmente como uma questão de liberdade de expressão, ligando-a à adesão à NATO e à cooperação económica.

Há um ano, ainda antes da tomada de posse de Donald Trump, o fundador da Meta, Mark Zuckerberg, anunciou o fim da cooperação com verificadores de factos nos EUA, criticando-os por se terem tornado ‘politicamente tendenciosos’ e descrevendo a verificação de factos como censura. A comunidade internacional de verificadores de factos reagiu com uma carta aberta, sublinhando que a liberdade de dizer porque é que algo não é verdade também é liberdade de expressão.

Embora fosse esperado que o resto do mundo seguisse o mesmo caminho, a cooperação da Meta com verificadores de factos fora dos EUA continua. Temos também provas empíricas sobre o impacto do programa: segundo um estudo recente da Sciences Po, utilizadores cujas publicações foram verificadas tornaram-se menos propensos a partilhar desinformação no futuro, enquanto a circulação geral de conteúdo falso diminuiu nas redes sociais da Meta. A investigação mostra que a verificação de factos não é uma varinha mágica, mas continua a ser uma ferramenta útil no combate à desinformação.

Mas haverá alguma verdade na crítica? Devemos repensar a rotulagem estrita que os verificadores de factos fazem frequentemente? Sim, definitivamente, mas há uma linha entre crítica construtiva e a relativização do princípio fundamental de que factos verificáveis podem ser distinguidos de falsidades.

Por exemplo, ouvimos frequentemente o argumento de que os verificadores de factos cometem erros. Cometemos, mas o que importa é como esses erros são tratados. Não só encorajamos os leitores a contactar-nos quando discordam, como também reavaliamos frequentemente as nossas análises com base no contributo deles. As correções são assinaladas de forma transparente e os códigos de conduta internacionais a que aderimos obrigam-nos a publicar uma lista de artigos corrigidos.

Assim, admitir que cometemos erros torna-se uma força e não uma fraqueza. Isto aplica-se não só ao jornalismo, já que o próprio conhecimento científico evolui ao longo do tempo. Devemos ter cuidado para não silenciar vozes críticas que possam empurrar as fronteiras do conhecimento ao questionar o status quo. Mas essas vozes precisam de ser respeitadoras e não mascararem-se de crítica enquanto, na verdade, procuram deslegitimar conhecimento previamente estabelecido.

A jornalista Bárbara Reis na apresentação “Desinformação: o que fazer em 2026”. Fotografia de Danilo Godoy

Mesmo que tenhamos opiniões diferentes, devemos discuti-las partilhando o mesmo quadro de informação, baseado num conjunto de dados que consideramos fiáveis. Sem isso, o debate construtivo que faz a sociedade avançar torna-se impossível.

Conforme mencionou a jornalista Bárbara Reis durante a discussão que decorreu na Casa Capitão, em Lisboa, uma opinião forte é sempre fundamentada em factos. Mas podemos então culpar as pessoas que são levadas a acreditar em informações falsas por chegarem a conclusões diferentes? Por exemplo, se as pessoas estão genuinamente assustadas com os efeitos adversos das vacinas, não é surpreendente que optem por não ser vacinadas. Se não partilhamos a realidade com as pessoas, não partilhamos os nossos factos, a polarização torna-se fácil.

O objetivo das campanhas de desinformação não é convencer as pessoas da sua versão dos acontecimentos. Em vez disso, o objetivo é fazer com que as pessoas duvidem, hesitem, questionem e, no final, cheguem à conclusão de que a verdade pode estar algures pelo meio. Esta é uma fasquia muito mais baixa do que o papel dos verdadeiros jornalistas, que procuram descrever a rcealidade tão perto quanto possível do que aconteceu.

E parece que esse objetivo foi parcialmente alcançado. Debatemos cada vez mais se existe sequer algo como “verdade”, ou se vemos apenas o mundo através de perspetivas irreconciliáveis e se verificar factos ainda faz sentido. Em vez de abandonarmos o conceito de verdade, devemos reafirmar o nosso compromisso com ele, reconhecendo que erros podem ocorrer no processo de a tentar descobrir.

Clica na seta para descobrir o olhar atento da ilustradora Beatriz Machado, que ao longo do evento desenhou ao vivo o que estava a acontecer

 

Uma sala cheia de pensamentos pertinentes

Sofia Craveiro (Gerador)

“Até que ponto as pessoas estarão disponíveis para dedicar um serão de sexta-feira a debater desinformação?” “Neste contexto de aparente apatia geral, haverá um genuíno interesse neste tema?” “Ou estará toda a gente farta de ouvir falar nisto?”

Se há coisa que nunca temos são certezas. Podemos ter convicções, opiniões ou palpites. Talvez um feeling de que vai correr bem. Mas, no fundo, estamos sempre a correr riscos com as abordagens disruptivas que nos propomos fazer. E a hipótese de os planos saírem furados está sempre à espreita.

Foi assim na noite de 9 de janeiro.

Todos no Gerador tínhamos aquele nervoso miudinho, aquela voz interior aguda que insiste em apontar com o dedo os aspetos que podem correr mal. Escolhemos ignorá-la. Preparámos o espaço, o ambiente, as perguntas e os temas. Aguardámos que as cadeiras fossem ocupadas. Uma após a outra, até não haver mais. Nem chão para sentar. Nem parede onde encostar. A dada altura percebemos que havia mais pessoas do que sala para as acomodar.

A jornalista Bárbara Reis na apresentação “Desinformação: o que fazer em 2026”. Fotografia de Danilo Godoy

Quando a jornalista Bárbara Reis introduziu o tema, o interesse era notório. Apesar de o espaço estar mais do que cheio, fez-se silêncio absoluto, interrompido aqui e ali por mais alguém que entrava e procurava um cantinho onde poderia assistir.

Percebemos rapidamente que as horas seguintes seriam de grande importância para os presentes.

Ao longo da sua apresentação, a Bárbara discorreu sobre o facto de 2026 ser um ano vincadamente eleitoral – globalmente falando -, e do que isso representa para todos os cidadãos que se veem confrontados com uma realidade onde é difícil distinguir a verdade da invenção.

Citando alguns autores e situações concretas, a jornalista deixou-nos ainda mais conscientes da importância do pensamento autónomo e crítico para combater esta “infodemia” que nos empurra para o descrédito nas instituições.

É claro que isso, por si só, não é suficiente. Há que ter ferramentas para desmontar as narrativas oportunistas, identificar as “notícias” falsas, duvidar dos conteúdos partilhados sem identificação de fontes confiáveis. Mas e quando as fontes idealmente confiáveis – como os governos ou as entidades oficiais – estão, também elas, capturadas por interesses políticos obscuros e disseminam ativamente desinformação?

Refletimos ao de leve sobre isso, através de uma pequena introdução à reportagem sobre o contexto desinformativo da Eslováquia, disponível aqui. Preparámos esse momento para ser uma espécie de binóculo ocidental para uma Europa Central que nos é mais distante do que a geografia pode explicar. Conforme me foi referido por um colega jornalista bielorruso, que tive a oportunidade de conhecer durante o trabalho de campo para a dita reportagem: “Há muitas Europas dentro da Europa”.

Por essa mesma razão, pareceu-nos mais do que pertinente trazer até à Casa Capitão alguém que pudesse falar-nos sobre isso, sem o viés mediterrânico. Veronika Frankovská, jornalista e coordenadora do projeto de fact-checking Demagog.sk, sediado em Bratislava, veio a Lisboa para mostrar de forma concreta as dificuldades que enfrenta ao desmontar as narrativas falsas patrocinadas pelo governo populista de Robert Fico. O nível de absurdo ali descrito ainda é, por agora, inimaginável para nós, cidadãos residentes em Portugal, mas a verdade é que só o vislumbre de aquele poder ser um futuro próximo nos deixou (ainda mais) alarmados.

Naquela noite de sexta-feira as eleições presidenciais ainda estavam no horizonte. Ninguém fazia ideia sequer de quem seriam os candidatos escolhidos para uma – mais do que certa – segunda volta. Apesar disso, enquanto desenhávamos cenários com palavras – e a Beatriz Machado nos ilustrava com a caneta – a desinformação em torno do sufrágio avançava a ritmo de galope.

Foi mais tarde revelado por um estudo do LabCom — Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior, que a desinformação associada às eleições presidenciais reuniu, desde Novembro de 2025, mais de 7,7 milhões de visualizações nas redes sociais. Em 85,7% dos casos o responsável foi o candidato da direita radical populista, que passou à segunda volta. Na altura em que escrevo, não sabemos se será ou não eleito, ainda que tudo indique a sua derrota.

Ilustração por Beatriz Machado

A referência a esta figura política e à ameaça que representa para a democracia tornou-se inevitável para as jornalistas presentes no debate final. Como podemos nós, jornalistas, investigadores, estudantes, artistas, cidadãos resistir neste mundo de pós-verdade? A reflexão foi coletiva e intensamente participada por todas as pessoas ali presentes.

Existem formas eficazes de promover a literacia mediática e sensibilizar a população para o problema, tal como relatou a jornalista Sofia Branco. O trabalho que a Associação de Literacia para os Media e Jornalismo, que fundou, tem vindo a desenvolver, nomeadamente nas escolas, é uma pequena luz no fundo do túnel.

Sofia deu como exemplo uma iniciativa numa escola, onde os alunos desenvolveram uma página numa rede social, com uma estrutura semelhante à de um órgão de comunicação. A jornalista descreveu com detalhe a forma entusiasmada como as crianças distribuíram tarefas e assumiram a responsabilidade dos conteúdos que eventualmente iriam publicar, para grande espanto dos professores envolvidos. Há, portanto, espaço para desenvolver capacidades críticas, desde que exista tempo para trabalhar as ferramentas adequadas.

O problema está, como é sabido, no facto de esse trabalho depender em grande medida das iniciativas da sociedade civil, já que não reúne apoio estatal significativo para ser constante, abrangente e regular, conforme aliás, foi comentado por muitos elementos da assistência.

Naquela noite a desinformação foi pensada em voz alta por um grupo incrível de pessoas interessadas no tema, que nos mostraram (mais uma vez) a importância de criar estes espaços de reflexão despretensiosa. No fim, retirámos as cadeiras e rematámos a noite com a música do DJ Zorotraste – presidente e diretor editorial do Gerador, Tiago Sigorelho -, que se tornou a banda sonora das conversas e reflexões posteriores de cada um e que cada um levou consigo na noite lisboeta.

Pensar a desinformação em voz alta

Marta Dineia Gamito (Casa Capitão)

“A liberdade de opinião é uma farsa se a informação sobre os factos não estiver garantida e se não forem os próprios factos o objecto do debate.”

Hannah Arendt, Verdade e Política

Se a desinformação é uma disputa de narrativas e sentidos, os espaços culturais são laboratórios privilegiados para pensá-la em voz alta.

Foi o que fez a segunda residência insubmissa Gerador na Casa Capitão: “Pensar a desinformação em voz alta” porque, quando a disputa de narrativas se substitui à partilha de factos, não estamos apenas perante um problema informativo, mas perante uma fragilidade democrática.

Não é uma ideia nova, mas infelizmente é uma realidade renovada.

A desinformação não é apenas uma falha técnica ou mediática: é uma estratégia que manipula o pensamento político e a perceção pública. Percebê-la e desmontá-la é um jogo extremamente complexo: tornou-se ela própria um facto que infiltrou o quotidiano e permeia todo o espaço público.

A cultura, enquanto campo de criação de sentidos, narrativas e imagens, não está fora dessa esfera. Pelo contrário. A desinformação circula e opera através de mecanismos semelhantes: constrói narrativas, mobiliza imagens, produz sentidos.

Operando esses mesmos mecanismos, a cultura pode tornar-se vulnerável à reprodução da desinformação. Mas, mais do que isso, é um terreno de disputa em vantagem: conhecendo-os, não terá a capacidade — e responsabilidade — de os expor e desmontar?

Nós acreditamos que sim.

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